A Brincar com o fogo:

Não faço a mais pálida ideia se o mail que me enviaram hoje com os ordenados de distintas figuras da RTP corresponde à verdade ou é mais uma daquelas fábulas cíclicas postas a circular na internet.

Não faço a mais pequena ideia das razões que justificam os valores das remunerações anuais (mais os prémios de gestão e outras regalias) pagos aos gestores públicos e hoje publicados na página 56 da revista Visão.

O mais assustador é olhar em volta e sentir o clima de revolta latente em muitos que conheço e que me habituei a ver como exemplos de moderação. O aumento brutal dos impostos, o verdadeiro esbulho no caso dos recibos verdes, a perda clara e óbvia do poder de compra da maioria esmagadora da população são factos indesmentíveis.

O caminho que alguns querem trilhar é perigoso. O problema dos eventuais salários chorudos de uma minoria na RTP e de boa parte dos gestores públicos não é culpa dos próprios e a forma como os vejo a ser atacados, tomando a nuvem por Juno, é arriscado e tende a ser explosivo. A culpa não é do José ou da Maria a quem pagam valores exorbitantes. A responsabilidade é de quem tomou essa decisão de gestão estando a gerir um bem público. A questão é saber se vale a pena ter determinadas empresas públicas como a RTP, a TAP, a ParquExpo e outras do género. Quando um determinado partido e alguns dos seus dirigentes afirmaram e afirmam em público da necessidade de privatizar algumas das empresas que alimentam estes mails, cai o Carmo e a Trindade.

Obviamente, fico “banzado” ao ler e verificar os valores pagos, com dinheiros públicos, em remunerações, regalias e prémios. Mas não culpo quem os recebe. Eu pago uma fortuna em impostos. Nos últimos seis/sete anos sempre que recebo a carta das finanças até tremo e fico sem pinga de sangue quando olho para o valor a pagar e ainda tenho de somar o IRC, a Contribuição Autárquica e o IVA. Nesta última meia dúzia de anos aforrar é impossível. O problema nem é tanto o que esses gestores públicos recebem, a questão é o retorno. Está a CP, a CARRIS, a RTP e outras que tais com melhor saúde financeira? Está o país melhor por ter esta RTP? Está o país melhor com este esbulho fiscal?

Alguns dirão: no sector privado as remunerações são maiores. Talvez. Mas essa é uma decisão de gestão privada feita com dinheiros privados e não tenho/temos nada com isso. Cada um investe o seu dinheiro da forma que muito bem entende.

Os decisores políticos, todos sem excepção, andam a brincar com o fogo. Independentemente do sucesso ou insucesso da manifestação do próximo dia 12, os sinais surgem de todo o lado. O melhor, mesmo, é começar a perceber o que se está a passar. O melhor, mesmo, é olhar para o passado e ver o que aconteceu em casos semelhantes em tempos remotos.

É tempo de dizer BASTA antes que seja tarde. Muito tarde.

(Publicado igualmente no Albergue Espanhol)

Comments

  1. Força Emergente says:

    Absolutamente de acordo.

    Sobre a situação explosiva para que caminhamos, escrevemos no nosso blogue;

    Cavalo à solta pelas margens da nossa tolerância
    Aqui, em Força Emergente.

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