Dicionário do futebolês – chutar sem direcção

Se o golo é o sal do futebol, o remate será o saleiro, o que, aliás, dá outro sentido ao nome do jovem goleador sportinguista que é, também, o primeiro bebé-proveta português, fiquem a saber.

O remate, como qualquer outro acto futebolístico, tem como agente o homem, o que faz com que na sua essência esteja a imperfeição, pelo que um jogo está cheio de remates imperfeitos, como o Inferno está pejado de boas intenções. O remate defeituoso é, afinal, o inferno do avançado, porque, num terreno tão vigiado como é o de jogo, é sempre uma dor de alma assistir ao espectáculo que é ver a bola a tomar outra direcção que não a da baliza, até porque não se sabe quando ou mesmo se voltará a haver outra oportunidade de alvejar o último reduto do inimigo.

Os comentadores televisivos costumam chamar a este acontecimento “remate sem direcção”, o que vem contrariar as leis da Física, pois toda a bola pontapeada irá sempre numa certa direcção, mesmo que não seja a direcção certa.

 

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