25 de Abril, golpe militar, revolução popular


-Passam hoje 37 anos desde que um grupo de jovens oficiais decidiu levar a cabo um golpe militar corporativo, para terminar com um regime político que apodrecia incapaz de resolver os grandes problemas de então, o maior dos quais a guerra colonial, sem solução política ou militar à vista, na Guiné estava até praticamente perdida. Apenas um mês antes, outra tentativa de levantamento militar a partir das Caldas da Rainha, havia fracassado. As unidades que não pegaram em armas naquele dia, permaneceram neutrais, o caso mais flagrante terá sido a Força Aérea, que manteve os aviões nas bases, sem alinhar com o golpe, mas não mexendo uma palha para defender o governo que agonizava.

-Quando ouço militares afirmarem que fizeram uma revolução, já nem há paciência para ouvir sempre os mesmos figurões, alguns sem qualquer papel de relevo nas operações, fico com os cabelos em pé, revolucionário foi o povo de Lisboa que acorreu ao Terreiro do Paço, depois ao Chiado, onde se refugiaram o Presidente do Conselho e alguns ministros, o mesmo povo que se manifestou junto à sede da DGS, que inexplicavelmente não foi considerada por Otelo e seus pares um objectivo militar, facto que permitiu à polícia política do regime destruir inúmeros documentos, disparar sobre civis e provocar as únicas vítimas a lamentar naquele dia. 

-No final do dia, era apresentada ao país uma Junta de Salvação Nacional, liderada pelo general António Spínola, que havia escrito um livro, Portugal e o futuro, publicado uns meses antes pela editora Arcádia, que abalaria os alicerces já podres do regime, inspiraria alguns militares indecisos a aderirem à conspiração que se preparava nas forças armadas e motivaria aquele inenarrável episódio dos oficiais superiores a prestarem vassalagem ao governo, conhecido como “brigada do reumático”. Mas era já aí evidente existirem contradições no seio dos revoltosos, que viriam a motivar toda uma série de episódios posteriores, período conhecido por PREC, que provocou uma verdadeira convulsão política e social no país, com consequências verdadeiramente desastrosas na antigas colónias, sobre isso escreverei outro post, colocando Portugal à beira da guerra civil, até que o bom senso prevaleceu, normalizando a situação em 25 de Novembro de 1975.

Comments

  1. António Carvalho says:

    Hoje, comemora-se em todo o País, o 37º aniversário da exaltante Revolução de 25 de Abril 1974. Participei (como sempre) no desfile do Marquês de Pombal – Avenida da Liberdade – Rossio, com a mesma convicção de Sempre!… isto vai meus amigos, isto vai…
    A terminar, permitam-me que divulgue o Blog “O CASTENDO”, de António Vilarigues. Seu pai Sérgio Vilarigues e sua mãe Maria Alda Nogueira passaram pelas prisões fascistas de Salazar e Caetano.

  2. Olá
    Gostaria de deixar umas pequenas duvidas de modo a que as pessoas puxem pela têtê e se questionem.

    A quem pertence o Mote utilizado por Zeca Afonso no Grândola Vila Morena de Igualdade, Fraternidade e Liberdade ?
    Salgueiro maia pertencia a que organização “Discreta”?

    Qual a razão de darem tempo á PIDE para queimar documentos importantíssimos?
    Que documentos eram esse?
    Que significado simbólico e esotérico tem a data 25/4/74 ?
    O porquê do Cravo?…como apareceram tantos cravos na rua ?

    Ah pois é !!…

    http://espirra-verdades.blogspot.com/2011/04/25-abril.html

    ..e mais outras tantas curiosidades !

    Nuno

  3. Penso que a data está mais que explicada, em primeiro lugar porque falhou o golpe de Março, caso este tivesse tido êxito, o 25 de Abril não teria obviamente acontecido. 25 de Abril, poderia ter sido a 26 ou 24, mas teria forçosamente que acontecer antes do 1º de Maio, data em que tradicionalmente a PIDE estava mais ocupada com eventuais conspiradores… O Grândola foi escolhida como senha por ser talvez, não tenho a certeza, a única canção do Zeca que não estava proibida pela censura e tinha sido cantada no Coliseu, pela audiência cerca de um mês antes. Isto são factos históricos…

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