Venha a revolução na Educação!

Um vídeo partido em dois. Uma conferência memorável de Ken Robinson sobre Educação. Ouvir pessoas inteligentes não faz mal a ninguém. Pensar também não.

Comments

  1. Ana Bento says:

    …só de ouvir isto, até«me nasceu uma alma nova»…bora lá!!!…venha a Revolução na Educação!

  2. Rodrigo Costa says:

    Caro Fernando Nabais,

    Este tipo de intervenções só é possível em paises realmente abertos ao diálogo, e, essencialmente, onde as pessoas que têm alguma coisa para dizer não têm, necessariamente, que ir ao alfaiate nem ao cabeleireiro —barbeiro, penso, é termo antiquado :-)—, antes de se apresentarem às plateias. Isto que vimos e que eu conheço, minimamente, faz parte da tradição de um país que muita gente continua a achar ser de snobes; quando é aqui, que, normalmente, a rapaziada não consegue usar da palavra, sem ir ao esteticista, sendo verdade, embora, que, neste aspecto, as coisas têm melhorado; mentalmente… é que a coisa demora e tem aquele aspecto de que nunca acaba.

    Sinceramente, quando, anteontem cheguei a casa e me preparava para ver os resumos da Liga Europa, sai-me um programa sobre o que, em Inglaterra, algumas pessoas, ligadas a este tipo de formalidades, pensavam sobre como algumas coisas deveriam acontecer: como deveria ser o “bouquet”; que tipo de vestido a noiva deveria levar; como é que, no dia-a-dia, a esposa do príncipe deveria comportar-se….

    Eu que não ligo a nada dessas merdas, que não sou muito dado a formalidades, tendo como ponto de honra, apenas, cumprir os compromissos assumidos, dei por mim despido e sentado na beira da cama, fascinado com o saber natural de pessoas que usam e sentem o direito à sua tradição. Sobressaía o carisma, e não a pose pindérica de quem quer ser e não é, muito portuguesa.

    Não vi ponta do casamento, salvo quando cheguei a casa de um amigo meu, para almoçar, e o casal estava já na varanda; e reconheço, outra vez, mesmo em cerimónias de que não sou adepto, a imagem de um País que repira unidade suportada por pilares antigos mas disponíveis para a reciclagem… pensada, porque não há razão para qualquer estúpido acordo ortográfico.

    Da minha experiência, devo dizer que guardo de Inglaterra as melhores recordalções, por ter sido possível, das duas vezes em que lá expus, ter sempre pessoas interessadas em saber sobre o meu trabalho, sobre as minhas técnicas; sem nunca me perguntarem de quem descendia, se era nobre ou plebeu… Não era isso o que lhes interessava, interessava-lhes saber sobre o que penso e por que penso.

    Sem me ter desviado do seu post, vou, agora, mais de frente para o assunto:
    Sempre achei, e continuo a achar: que os artistas e pessoas de outras actividades, naturalmente, dveriam ter o direito e o dever de, de tempo em tempo, dar testemunho da sua experiência de vida; dizer-lhes o que Ken Robinson diz no vídeo, e que, sem presunção, estou farto de dizer, quando me dão oportunidade.

    Curiosamente, tinha, há dias, enviado uns comentários a matéria de um livro de uma autora Inglesa, no qual o tema era ou é a tentativa de abrir o quarto-escuro em que o fenómeno artístico se desenvolve. E quando é perguntado o que é um artista, perante a dificuldade de lhe responderem, eu pude dizer-lhe que é um ser predisposto, que, ajudado pela paixão, pela capacidade de análise e pelo exercício, pode produzir coisas, de facto, interessantes. E dizia o que sempre disse, porque sempre pensei —vem ao encontro das guitarras do Ken e do Erick Clapton—, que, quem não for artista ao entrar para a escola, não será, seguramente, quando de lá sair, porque não há planta sem que haja semente; a terra —a escola—, só por si, nunca será bastante.

    Quero eu dizer, portanto, que o que deve fazer-se é tirar partido da predisposição natural das pessoas, que, no seu sítio, lutarão como quem ama, porque, como diz Ken Robinson, é aquilo que elas são. Convirá, sobretudo, que o Pensamento percorra, também, os domínios da Economia, mas deixando de ser arreigadamente economicista e olhando as pessoas como números. Este é, também, o étimo dos problemas sociais, que se reflectem e são reflexo dos problemas afectivos.

    Como se faz, então, a revolução na Educação?… Como são feitas todas as revoluções —refiro-me às pacíficas—: revolucionando-se cada pessoa. Se há coisa que não falta é senso. Existe em quantidades inesgotáveis, porque, infelizmente, tem, cada vez menos, uso. E é pena, porque todos temos uma voz interior; um GPS que, muitas e muitas vezes, menosprezamos.

    Nota 1: Continuo a pensar ser um erro a espera pelo novo governo e pelas novas estratégias, para que as pessoas decidam como comportar-se. Sendo utópica a vontade de mudar tudo e contra todos, de um dia para o outro, é possível mudarmos alguma coisa, pouco a pouco, se, mesmo antes das eleiçõe e de se saber em quem votar, vtarmos em nós mesmos como projecto importante que pode influenciar outros projectos, que, no seu conjunto, podem mudar o modo de vida de um país.

    Nota 2: esperar pelos professores é outro erro. Eles não conseguirão ser os salvadores de uma sociedade que se afoga, mesmo os que, de facto, são apixonados pelo seu trabalho. Eles são, deverão ser, os municiadores de conhecimento e coadjuvantes na acção de formar, mas é em casa que tudo começa e que tudo continua. Quer dizer que a revolução deve começar em casa, prosseguindo na Escola.

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