O estado da banca

É fácil culpar as agências de rating e os bancos pela crise, mas a verdade é que tudo continua na mesma. Se alguém chegar ao pé de ti e dizer eh pá estas acções são de elevado risco mas o seu retorno é garantido. Obviamente a bota não bate com a perdigota, mas o que o cliente pergunta é de quanto é o juro….

Anw, é sabido que os bancos podem creditar 90% do seu investimento. Isto é o mesmo que alguém me emprestar 100 euros e eu por de lado 10 euros e ir jogar à roleta com os outros 90 euros. Agora imaginem isto em larga escala, até mesmo mundial. O sector financeiro joga com dinheiro que na realidade existe apenas uma pequeníssima fracção. Logicamente muitíssimos negócios acabam por ser secundados por dinheiros que apenas existem em teoria, na assumpção da felicidade do sucesso das negociatas.

Todavia, quando algum grande sector do mercado principal, neste caso o da construção civil, mais propriamente a compra e venda de habitação, sofre um grande abalo, normalmente pela fraca procura, e esta fraca procura tem diversas causas que não vou agora aqui explanar, certos negócios não são fechados e determinadas procurações não são cumpridas, a que se segue a cobrança inevitável dos gastos que qualquer obra implica. É preciso dinheiro, e então vai-se à procura do dinheiro. Certas promessas querem-se ver vencidas, mas o dinheiro está dividido em inúmeras caixas bancárias, a colecta sucede de banco para banco, quer dizer, eu só tenho os 10 euros, ou nem isso, o resto anda por aí espalhado ao sabor do vento, e o juro, oh meu deus, o juro, sei lá como vou pagar os cento e tal euros. O que tenho eu em mãos? Mais promessas e mais retalho. Serve isso para alguma coisa, queres isso para alguma coisa? E quanto vale? Quanto? Tá tonto, não pago isso nem morto! Então que seja tanto. Está bem assim? Pode ser que esteja, mas eu fiquei a perder dinheiro com a negociata…

Anw, a bola de neve é muito fácil de ser formada e começar a rolar montanha abaixo. O descrédito que certos nomes arrecadam com os prejuízos depressa fazem soar os sinos do alarme, a corrida ao dinheiro é o fim da bolha, e aqueles que não a rebentam ficam rebentados por ela.

A grande evolução que a nossa sociedade sofreu desde a grande depressão americana é que a corrida dos bancos ao dinheiro já não é sucedida pela corrida dos clientes ao seu dinheiro nos bancos. A isso se deve o empenhamento dos estados em deter essa corrida, servindo como seguradores privados do seu próprio sector financeiro. Neste momento, no chamado mundo civilizado, o cliente é ainda contribuinte segurador da banca.

O banqueiro já não vive apenas do lucro que o cliente lhe fornece; este é o seu mais fiel fiador da sua condição social…

Texto de fredmarx / Cortesia de Criticamente Falando

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