Gestão hospitais: a dança dos ‘boys’

A história do Ministério da Saúde é das mais marcadas pelo emprego partidário. Escrita, de resto, com letra bem vincada pelos dois partidos do centrão, PS e PSD, com a participação do apêndice, CDS.

Na continuidade da tradição, a dupla PSD+CDS está a nomear ‘boys’ para os hospitais, afastando os ‘boys’ do círculo rosa. Trata-se de, uma vez mais, repetir a vergonha do favorecimento dos amigos em detrimento dos competentes. Neste caso, segundo o Público, desrespeitando o ‘memorando da troika’ que estabelece a realização de concursos. A luta desenfreada a nível das distritais partidárias é intensa.

Nesta, como em outras guerras, vale tudo. Há anos, numa secção da Margem Sul ‘laranja’, valeu ameaças de tiro entre militantes. Agora, o processo também não está a ser pacífico, havendo manifestações condenatórias.  O deputado do CDS, Helder Amaral, foi peremptório ao garantir:

[não estar] “disponível para pedir sacrifícios aos portugueses e depois patrocinar o amiguismo da pior espécie que julgava ser uma prática do passado”.

em reacção à nomeação de militantes laranja par o Hospital de Viseu.

No fundo, é assim: em determinados casos, aumento das taxas moderadoras, o cumprimento da ‘memorando da troika’ é dever sagrado. Na escolha de amigos para lugares bem remunerados por dinheiros públicos, Paulo Macedo repete o método da tão ignominiosa e tradicional ‘cunha à portuguesa’, descartando-se da troika e do memorando. Há seriedade nisto?

Comments


  1. Ontem no Prós e Contras este tema esteve em discussão
    Só um convidado talvez de 80 anos, médico, disse algo honesto e compreensiel – embora programa inetressante a partir de certa altura a entrevistadora toma para si 2/3 do tempo do programa – emite oponiões a mais que não têm nada a ver com coisa nenhuma e tira as suas conclusões como se tivesse perdido a inteligência mostrada no 1º ano de programa – mas fica tudo na mesma ou pior – veremos – pena haver sempre tantos doentes para alimentar tanta negociata

    • Carlos Fonseca says:

      Não vi o ‘Prós e Contras’ de ontem. Todavia, não me surpreende o comportamento da entrevistadora. Na salganhada de interesses, há amizades e compromissos que, à partida, eliminam a isenção que deveria ser a divisa de qualquer profissional da Comunicação Social.
      Julgo que o médico a que se refere se trata do Dr. Daniel Serrão, mas a ética e os princípios da defesa dos doentes é fenómeno raro que apenas alguns, como ele, se sobrepõe a interesses mercantilistas da saúde…e da doença.


  2. Isto nem é novidade, é sempre assim quando muda o governo. Mas, no caso da Saúde, é mesmo muito grave (sobretudo quando imagino a que ala pertencem os detentores dos grandes grupos).
    Abraço,
    Madalena

    • Carlos Fonseca says:

      De facto, não é novidade; mas, a falta de vergonha continua. O domímio dos inimputáveis, nesta como em outras áreas, prossegue viçoso e pujante, mesmo que portugueses, doentes e na pobreza ou miséria, sejam compelidos a penar.

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