Para onde vais, Europa?

Por toda esta Europa governos de direita ascendem ao poder político. A receita é global e comum a todos os estados membros. Austeridade e mais austeridade. A saída para esta crise, dizem os apologistas do fatalismo capitalista e da submissão aos ditos “mercados”, passa por constranger ao máximo o consumo publico e privado, pelo aumento dos impostos e pelo corte dos salários e subsídios associados, assim como uma redução drástica e catastrófica do chamado estado social, ou seja, uma redução drástica e catastrófica dos direitos constitucionais dos cidadãos e contribuintes.

O direito à saúde, o direito à educação, o direito à justiça, o direito à segurança e dignidade humana é hoje atingido por sucessivos golpes dos sucessivos governos contra a ideia de Estado que a constituição da república saída da revolução de Abril invoca e garante.

Em boa verdade, é todo um modelo civilizacional que está em perigo, que se encontra ameaçado por estes governos de direita em nome da luta contra a crise, uma crise financeira promovida pela corrupção e cumplicidade entre o poder governativo e o poder financeiro.

A panaceia prescrita por todos os governos europeus passa pela contracção da procura interna e pela aposta das exportações. Ora não será necessário ser um génio para perceber que essa receita está condenada ao fracasso: se todos querem vender e ninguém quer comprar, o que se consegue com determinada politica? O colapso das economias mais pequenas, assim como o colapso da soberania dos países dessas economias. No limite das catástrofes inevitáveis que se seguem sob a batuta desta política, esses países apenas estarão mais endividados e mais deficitários de autonomia económica, a sua dependência para com o exterior será tanto mais evidente e inevitável quanto maior e mais efectiva for a sua subordinação governativa aos ditâmes dos interesses políticos externos.

É triste dizer isto, mas a verdade é que todos estes sacrifícios que se estão a pedir e a exigir aos portugueses não vão diminuir um cêntimo sequer a sua dívida soberana, muito pelo contrario, essa dívida continuará a aumentar a cada dia que passa. A verdade é que os juros que estão associados a essa dívida são suficientes para a prolongar indefinidamente no tempo, fornecendo assim lucro infinito a esses credores especialistas em jogar aos dados com a economia, pouco ou nada lhes importa o sucesso e desenvolvimento do bem-estar social, o seu interesse é único e exclusivo, lucrar com tudo o que mexe, nem que para isso seja necessário acabar com a existência de algo positivo.

Este caminho é inaceitável, e quanto mais cedo os povos europeus se elevarem para acabar com esta política que destrói a comunidade europeia mais rapidamente poderá voltar a constitui-se como uma entidade que preza, orgulha e honra os valores e direitos do ser humano, uma entidade que compreende a economia como aquilo que deve ser, uma ciência que está ao serviço do direito ao trabalho, onde o trabalho constitui a base da vida social.

É toda uma revolução que nos espera, a revolução da compreensão económica. O modo como os espaços económicos devem funcionar e como funcionam hoje em dia são completamente incompatíveis. O sucesso duma empresa não pode estar dependente do capricho de apostadores com capital suficiente para influenciar os destinos dessa empresa. Em boa verdade é a própria actividade bolsista que é incompatível com os interesses do cidadão e trabalhador comum. A liberdade de especulação financeira é incomportável com a ideia de uma economia de carácter sustentável.

Estes antagonismos de base estão na origem das sucessivas crises que temos conhecido no decorrer da vigência do modelo económico capitalista. A solução para esta crise mundial e a salvação para a comunidade económica europeia só pode passar pela reforma do sistema económico capitalista, acabando com as liberdades que conduzem os estados e os povos a estas crises financeiras.

O tempo de agir é agora. O tempo de lutar pela liberdade civil, pela autonomia dos povos, pela soberania dos estados, pelos direitos do ser humano, pelos direitos dos trabalhadores, pela liberdade económica, pela liberdade de expressão, sim, pela liberdade de expressão, já que os chamados media encontram-se orientados no sentido de um certo discurso politico e económico, desprezando as alternativas e o direito ao contraditório, para não falar no lixo diário da sua programação, a liberdade de educação, libertar os alunos deste modelo educativo que embrutece os cidadãos para a cultura assim como promove a estupidificação mediante uma aprendizagem obrigatória da estupidez.

Lutar por um estado ao serviço dos interesses do seu povo. Os impostos dos contribuintes devem reverter para o benefício de todos os cidadãos, e não como hoje acontece: estão ao serviço de interesses privados, autênticos crimes lesa-pátria, negociatas influenciadas pela corrupção, e desprezo pelo interesse do colectivo.

Muito está mal e muito deve mudar. Para isso é necessário o constante escrutínio popular sobre o poder político: o tempo dos depósitos de fé nos eleitos acabou, assim como acabou o tempo da fé nos depósitos bancários. Não podemos perder de vista o que é nosso, não podemos, não devemos nem queremos. Aqui e agora começa a nossa revolução, a revolução pelo direito à nossa existência, com tudo o que isso significa: estamos aqui para o bem e para o mal, estamos aqui e agora: e enquanto aqui estivermos isto vai ser à nossa maneira.

Texto de fredmarx / Cortesia de Criticamente Falando

Comments

  1. MAGRIÇO says:

    Verdades que, infelizmente, a grande maioria do eleitorado europeu parece ter dificuldade em compreender. Tenhamos a perseverança da água sobre a pedra…

  2. J.Pinto says:

    Não vou defender nem atacar a direita (ou a esquerda), até porque essa diferenciação há muito que não faz sentido. Não conheço um único país da Europa que seja governado por pessoas de direita nem de esquerda. Somos governados, há muito, por partidos sociais-democratas (o próprio partido socialista português – e o CDS –, acreditar nas medidas tomadas pelos seus governantes, é um partido social democrata).

    Para reforçar ainda mais esta falta de sentido entre direita e esquerda, a social-democracia está no espetro político do centro-esquerda na maior parte dos países, em Portugal é conotado com o centro-direita.

    O que gostaria de debater não é a direita nem a esquerda, mas o que nos trouxe aqui. Foram políticas completamente descontextualizadas que nos trouxeram até aqui. Políticas que tinham (e tiveram) como único objetivo ganhar uns votos. Depois, há frases que não percebo. “A Constituição garante” é, na minha humilde opinião, das frases mais estapafúrdias que se pode dizer. A Constituição não garante nada se não houver economia, se não houver dinheiro. Onde se vai buscar o dinheiro para essas garantias?

    Há muitas pessoas que, infelizmente, ainda não perceberam que não é possível ter o melhor dos dois mundos (o melhor da globalização e, simultaneamente, o melhor da proteção, do nacionalismo). É também sobre isto que tenho escrito com alguma regularidade. Não quero tomar posição de nenhuma das partes, mas é necessário decidir (os nossos governantes, mesmo sem nos consultar, há muito que decidiram pelo caminho da globalização, pelo caminho de uma economia livre).

    Visto que já decidimos qual o mundo em que queremos viver, só falta mesmo enquadrar as nossas políticas, as nossas ações, com o mundo que escolhemos. Ainda há quem pense que é possível “entrar” numa economia de mercado, mas, simultaneamente, ter um conjunto de políticas protecionistas. É aqui que temos pecado. A nossa economia não está aberta ao exterior. As empresas que se libertaram no protecionismo estão a competir nos vários mercados.

  3. MAGRIÇO says:

    Caro João Pinto, permita-me lembrar-lhe que não é pelo facto de eu colocar no meu Fiat Panda o emblema da Mercedes que possa afirmar ter um Mercedes. Se a memória me não atraiçoa, já não é a primeira vez que defende a tese de a social-democracia ser considerada de esquerda nalguns países e cá ser considerada de direita. Acho que defende essa teoria só porque lhe dá jeito, porque estou convencido que sabe perfeitamente que se aqui é considerado de direita é pela simples razão que é de direita, ou seja, é um Panda que se quer vender como Mercedes. É mais uma fraude a juntar a tantas outras em que algumas figuras de proa deste partido têm embarcado. E se me disser que não é o único partido a pretender passar pelo que não é, sou obrigado a concordar.


  4. Europa é um caça-níquel e depois diz-se que não há dinheiro nem sai mais nunhum para não sei quem, e muito menos para os países “distraídos” e que se fechou a torneira e não só, vão levar tautau, países até que fizeram civilizaçao antes desses nortenhos que ainda viviam na barbárie e agora deitam ao charco e nomeias mesmo a preceito – os PIG mas aqui at+e são de montanheira e não transgénicos como lá para o NORTE em que tudo é transgénico
    Em Portugal parece, segundo se diz, que os 20% mais ricos são 7 vez mais ricos do que os 20% mais pobres, e que, assim, o tal fosso entre ricos e pobres é maior- Mas entretanto os mais distraídos são os que durante a guerra que a europa central (e aqui ao lado) ofereceu a alguns (2 mundiais e mais uma suplementar no país do ao lado – le voisin d’à côté) não contando com as napoleónicas e mais umas incursões mouricas – tudo cá para o sul, a abarrotar de tipos que levaram com as consequências dessas guerras que não fizeram (e nós parvalhóes obrigados a entrar para parecer bem) – MAis uma vez distráidos porque entretanto humilhados e empobrecidos s trabalhar para os guerreiros, ou por cauda deles,e que, entretanto, reconstruiram pedra a pedra esses ricaços da europa do centro norte – essa europa que ficou sem edra em cima de pedra, é a que que agora fala de alto – a quem lhe lambeu as feridas , embora com uma ajudinha do outro lado do atlântico que, agora, até tem vergonha de se comparar com Portugal e nem se lembra que afinal nem foi Colombo o 2º a pôr o pé pela 1ª vez nesse grande país, mas sim um portuga das berças que lá deixou um padrão que Mário Soares foi convidado a visitar, qundo era PR e não viu o nome de Colombo – vergom«nhas históricas – Entretanto o dinheiro existe até porque nem passa de papel e conas inventadas – verdadeiro ou falso – e que nunca faltou – Mas eis que do outro lado do Mar por causa de uma historieta de construção urbana, de repente “banca” se destapou ou foi destapada – E mais uma vez os pecadores precisando de se dirrimir, lançaram a rêde a uns degraçados a que chamaram PIGs e, mais uma vez, tão recentemente, os cá de baixo do sul e do sol, e onde resta o pouco de humanismo que resta no continente que é espaço físico comum os que se gostam e se odeiam discretamente, e a quem já basta de guerras dos outros, têm de aguentar a guerra dos níquel (e níqueis) ou vil meta
    Agora não precisam de re-construção das suas cidades que até já são muito evoluídas, mas dos seus pecúlios que roubaram e deixaram roubar – guerra que nem sequer é do euro, mas da putrefaçção do jogo económico e financeiro que entrou em purefação. Pois é claro que a Constituição portugesa, como as leis de protecção ao Ambiente ou mesmo as Cartas de Direitos da mulher e da criança, dos animais e do HOMEM, não passam de facto de papéis pintados com tinta – e entretanto os bancos enchem-se mais de níquel (ou papel que não vale nada mas para o qula se inventou valor) e vão buscá-lo aos habituais burros de carga (de quem nem precisam mais da sua mão-de-obra e deslocalizam suas INVENÇÕES para a xina) e em especial para a chamada classe média baixa e média-média para que a média ALTA nunca perca o seu estatuto e possa ser pombo de correio dos do NORTE que não veem cá de combóio porque a Refer até está de greve, nem enviam mails (classe quenem sequer paga impostos porque a fidelidade tem de estar assegurada, ou vão para os paraísos – Esquerda e Direita, mas onde é que eu já ouvi isso ?? Parece que o grande grupo dos que fazem o assalto aos dinheiros que nunca se sabe quanto é e quanto vale mas a Bolsa reanima,e que se diz que existem, fazem a gentileza de permitir que se trabalhe para eles, e para acumulação dos seus interêsses e, para os justificar, o grupo dividiu-se em dois (mais uns suplentes) e disseram – agora vocês jogam daquele lado durante uns aninhos curtos porque também não queremos esperar muito, e nós do lado oposto, e depois do intervalo para não parecer muito óbvio, mudamos de campo Nenhum jogador foi expluso por excesso de faltas – E peço desculpa aos professores de História, que nem sequer é um saber exacto, daí que os arquólogos estão sempre a querer reforçar, ou desmentir, pelo que me dou ao luxo de ter a minha visão pessoal do tempo que vivi com o que sou à minha custa apenas, e nem pretendo mais nada senão olhar o mundo com o meu olhar, enviazadamente, embora tente perceber o que se passa e escreve por aí e ver onde em mim, encaixa o que é dito

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