Reestruturação da dívida?

Reestruturar a dívida não é somente renegociar o seu montante, reduzindo-o, mas também negociar o planeamento do seu pagamento em prazos e/ou juros, etc. Certo?

Então esta notícia não quer dizer que, sem grande alarido, está em curso uma reestruturação da dívida soberana nacional?

Reduziram-se os montantes a reembolsar em 2016 e 2017, e atirou-se o grosso dos reembolsos para 2018 e 2019.

 

Ou pagam todos ou não paga ninguém

Pagar dividas

Sempre que o assunto é o pagamento e/ou reestruturação das dívidas soberanas, há um argumento transversal à generalidade dos liberais: todos devem pagar mas o caso da Alemanha foi diferente. Ontem foi a vez de André Abrantes Amaral dar o seu contributo para o peditório:

Entre os dois casos [grego e alemão] há uma diferença abissal. A dívida alemã foi fruto das guerras que marcaram a primeira metade do século XX. Já a dívida grega é fruto do modelo de desenvolvimento da Grécia. A dívida alemã foi paga porque a Alemanha se desenvolveu. A dívida na Grécia foi contraída porque a Grécia se desenvolveu.

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Para onde vais, Europa?

Por toda esta Europa governos de direita ascendem ao poder político. A receita é global e comum a todos os estados membros. Austeridade e mais austeridade. A saída para esta crise, dizem os apologistas do fatalismo capitalista e da submissão aos ditos “mercados”, passa por constranger ao máximo o consumo publico e privado, pelo aumento dos impostos e pelo corte dos salários e subsídios associados, assim como uma redução drástica e catastrófica do chamado estado social, ou seja, uma redução drástica e catastrófica dos direitos constitucionais dos cidadãos e contribuintes.

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Estão descobertos os culpados da crise da dívida soberana e do Euro


A culpa, obviamente, é dos cegos gregos. Pedro Correia dixit!
Supõe-se que, na Irlanda, a culpa seja dos bebedores de Guiness e que em Portugal a culpa seja de quem anda a votar há mais de 30 anos no Bloco Central.
O Barclays e os outros Bancos? Não, esses nada têm a ver com o assunto.

Sócrates e a fuga: guião de uma legislatura (II)

Fonte: PÚBLICO online; Processamento adicional: Fliscorno; Gráfico original: image

O primeiro-ministro demitiu-se e a situação que era má ficou pior. Mas olhando para este gráfico percebe-se que não é a instabilidade política que nos está a tornar mais caro o dinheiro que pedimos emprestado. Com efeito, apesar do entendimento PS/PSD ao longo de 2010, o custo do dinheiro não parou de aumentar.

Por causa dos compromissos assumidos no passado como as SCUT e as PPP, por causa de irresponsabilidades como o buraco BPN, por causa do despejar de dinheiro a rodos para obras públicas sem a menor preocupação de onde virá ele, chegámos a um ponto em o país está completamente nas mãos do capital estrangeiro, o qual tem um custo crescente. Naturalmente, não estaríamos neste situação se, desde Guterres, não houvesse esta irresponsabilidade de fazer obra sem dinheiro.

A fuga de Sócrates apenas se deveu a ele saber que não conseguiria mais tapar os buracos das contas. Entre pagar o preço político da última década governativa e tentar passar as culpas, mesmo que isso precipitasse o caos, a escolha está à vista.

O sobe e desce do rating e os comentários pornográficos

Já me tinham dito para não me irritar. Faz mal ao coração, informam-me. Que sim, vou fazer por isso. Por levar as coisas numa perspectiva positiva, para manter o sentido de humor, para relativizar tudo aquilo que não é a morte. Por só isso não tem remédio. Agora começo a achar que também o país não tem remédio.

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Por isso, admito que não sei porque é que ainda me indigno com coisas de lana caprina. É sempre assim. Analisamos tudo mediante as circuntâncias em que estamos e as conveniências do que queremos. Valorizamos quando nos interessa, desvalorizamos quando não interessa.

Até ontem, o rating da dívida portuguesa era cortado pelas famosas agências financeiras e o governo desvalorizava. O chefe do Governo e os ministros mais influentes fugiam a comentar esses cortes. Quando não havia possibilidade de fuga, juravam que não era assim tão importante.

Hoje, novo corte e o Governo valoriza! Que é fruto da crise política, que a culpa é toda da oposição, esses malvados que não mediram as consequências do chumbo do PEC IV, que levou à queda do Governo, etc e tal.

Sim, eu sei que começou a campanha e que em campanha vale-tudo-menos-tirar-olhos-e-se-calhar-nesta-até-tirar-olhos-vai-valer mas é assim que esta cambada incoerente quer que o povo tenha pachorra para os aturar?

Então e o interesse nacional?

Depois da tempestade Vivo, antecipo grande turbulência com as compras chinesas. Desde a banca à dívida soberana. Ou não?