Moddy’s e mercados vencem a ‘Cimeira de Merkel’

Um par é sempre o dobro de um. Aritmeticamente é 2 = 1 + 1. Outra regra: a soma das parcelas é sempre maior do que qualquer partes. E por mais truques linguísticos que se inventem, matematicamente falando, Merkozy não é igual à soma Merkel + Sarkozy. É mera sinopse de linguagem.

Raciocínio complicado? Talvez. Serve, no entanto, para ilustrar que sendo Merkel uma fracção maior e Sarkozy um fragmento mínimo, a primeira parcela supera a segunda, criando uma falsa paridade à qual a Europa, excepto o RU de Cameron, está submetida.

Assim, a salvífica Cimeira de 9 de Dezembro, cujo desfecho foi aceite com subserviência por 17 + x países – e o x é simultaneamente uma incógnita e uma variável de 1 a 9 – está a corresponder a uma derrota para a Sra. D. Angel Merkel – e Sarkozy cai por arrasto. Não por acção do grego Papademos, do italiano Monti, do espanhóis Zapatero (de saída) ou Rajoy (de entrada), do português Passos ou de tantos outros que, na Áustria, Finlândia, Holanda e outras paragens, se juntam na confraria da sociedade do ‘bem estar e dominar’ alemão.

Na política, como na vida em geral, há sempre obstáculos, esperados ou imprevistos, a tolher as intenções de alguém. A Sra. D. Angel Merkel não se furta a este princípio. Vencedora na recusa dos ‘eurobonds’ (euro-obrigações) e da intervenção do BCE como ‘credor de último recurso’, está a ser derrotada por uma agência de ‘rating’, a Moddy’s, e os mercados. Uma e outros, insaciáveis em dizimar a vida de milhares de milhões de seres humanos, assestaram baterias de artilharia contra a ideia do tratado congeminado entre a chancelarina alemã e o duende gaulês, Sarkozy.

Ao auto-festejado sucesso da cimeira bruxelesa – Reino Unido e Cameron à parte – os mercados reagiram de forma negativa, através de sinais categóricos:

Perfilando-se ao lado da Moddy’s, a Fitch considera: “Cimeira fez pouco para aliviar pressão sobre a dívida soberana da Zona Euro”.

Em resumo, à Sra. Merkel, a despeito da ajuda do diligente Sarkozy, a empreitada de redesenhar uma Europa, se possível com exclusão dos britânicos e dos periféricos como nós, está a tornar-se obra complexa. Culpas? da Moddy’s & Cia bem como dos fantásticos e milagrosos ‘mercados’. As agências de ‘rating’ e os mercados, de resto, tão venerados pela direita, neoliberal e irracional ou desonesta.  Ao menos, desta vez, não serão apenas os cidadãos os visados. Há uma sinergia de sinal inverso. A estratégia da Sra. Merkel também também está a ser alvo de ataque. Será que ela e os seu adeptos compreenderão e mudarão de caminho? Não acredito.

(PS: Ao terminar este ‘post’, dei conta de que, afinal a Nissan cancela investimento de 156 milhões em Aveiro – “Oh Álvaro, Álvarooo!, não anunciaste?”)

Comments


  1. Já estou a ver que percebes de matemática, temos aqui um génio!

    Mas eu prefiro a opinião desta senhora, porque a ti, quem te ler, ainda fica a pensar que o Cameron não está feito com a City of London (um paraíso fiscal ainda maior que a Madeira).

    http://www.debtonation.org/2011/12/why-eu-summit-futile-this-is-a-global-banking-crisis/

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