Portugal e o rating da Fitch: dating with ratings

Na passada sexta-feira António Costa mostrou-se satisfeito com uma decisão da Fitch, ao mesmo tempo que Passos Coelho a desvalorizava, afirmando que não era a primeira vez que a agência dava uma visão positiva sobre a dívida portuguesa.

Com efeito, depois da derrocada de 2011, foi preciso esperar até Abril de 2014 para a Fitch atribuir-nos um “BB+; Outlook Positive”. Esta revisão manteve-se sem alteração até Março de 2016, altura em que foi revista em baixa para “BB+”, tendo assim ficado durante um ano, até ao passado dia 16.

Este relato é factual. Passemos agora à análise.

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Bandeira à meia-haste na sede do PSD

Os terroristas da Fitch decidiram que a perspectiva do rating da nação já não é tão má e as carpideiras já começaram a chegar à São Caeteno à Lapa.

Da Fitch, com amor

lixo

Mercenários norte-americanos mantêm rating da dívida portuguesa, naquele nível “lixo” a que já estávamos habituados no tempo do Passos. Nem nisto a Caranguejola conseguiu ser melhor que a Geringonça. É preciso ter azar!

Perigo iminente de atentado terrorista em Portugal

Elevem o risco de alerta! Os jihadistas da Fitch já começaram a enviar recados. Cedam à chantagem ou o corte do rating é já a seguir.

Rating eleitoral: lixo

Passos

A organização terrorista financeira Fitch anunciou ontem a manutenção da classificação da dívida pública da portuguesa em BB+ (“lixo”), reiterando assim as avaliações de Abril e Outubro passadas. A agência norte-americana aponta baterias ao Tribunal Constitucional, ao desaceleramento da consolidação orçamental e ao incumprimento das metas do défice a que o governo se propôs. Por muito que insista no milagre económico português, invisível para o português comum que continua a emigrar, a não encontrar emprego e a suportar uma carga fiscal brutal, o governo não consegue obter a benção das instituições que tanto venera e estima, apesar da clara articulação com as mesmas.

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Eles decidem por nós

Triple A

João Vieira Pereira, colunista-blogger do Expresso muito apreciado pela ala liberal nacional, brindou-nos ontem com aquilo que, na minha qualidade de leigo do economês, me parece ser uma verdade absoluta nos tempos que correm:

Os mercados e as agências de rating funcionam a velocidade diferentes, mas se tivesse de escolher em que indicador confiar, o rating continua a ser o mais fiável. Estas agências analisam tendências de longo prazo, olham para os fundamentais da economia e decidem sobre a capacidade de um país pagar as sua dívidas no futuro.

Não só é fiável como continua a sê-lo. As premissas que regem os ratings atribuídos pelas agências privadas norte-americanas, promiscuamente ligadas a especuladores diversos, continuam tão fiáveis como no dia em que atribuíram um triplo A ao Lehman Brothers, imediatamente antes deste falir. Mas o que é verdadeiramente interessante neste curto mas esclarecedor artigo, é perceber o entendimento que um opinion maker tão experiente na matéria tem sobre estas agências, tão servis aos interesses do costume como o político mais canalha e corrupto, considerando que estas “decidem sobre a capacidade de um país pagar as sua(s) dívidas no futuro“. O que o nosso país possa ou não fazer é irrelevante. São os marionetes das Goldmans desta vida que o decidem por nós, essa é a verdade absoluta. JVP limitou-se a constatá-la. E pensar que ainda anda por ai tanta gente que pensa que a nossa soberania financeira (e não só) foi transferida para as instituições europeias…

Em honra da Fitch

Governo propõe alteração do hino nacional para: “Levantai hoje de novo o outlook de Portugal”.

Moddy’s e mercados vencem a ‘Cimeira de Merkel’

Um par é sempre o dobro de um. Aritmeticamente é 2 = 1 + 1. Outra regra: a soma das parcelas é sempre maior do que qualquer partes. E por mais truques linguísticos que se inventem, matematicamente falando, Merkozy não é igual à soma Merkel + Sarkozy. É mera sinopse de linguagem.

Raciocínio complicado? Talvez. Serve, no entanto, para ilustrar que sendo Merkel uma fracção maior e Sarkozy um fragmento mínimo, a primeira parcela supera a segunda, criando uma falsa paridade à qual a Europa, excepto o RU de Cameron, está submetida.

Assim, a salvífica Cimeira de 9 de Dezembro, cujo desfecho foi aceite com subserviência por 17 + x países – e o x é simultaneamente uma incógnita e uma variável de 1 a 9 – está a corresponder a uma derrota para a Sra. D. Angel Merkel – e Sarkozy cai por arrasto. Não por acção do grego Papademos, do italiano Monti, do espanhóis Zapatero (de saída) ou Rajoy (de entrada), do português Passos ou de tantos outros que, na Áustria, Finlândia, Holanda e outras paragens, se juntam na confraria da sociedade do ‘bem estar e dominar’ alemão.

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Os casos aos quais o Ministério Público decide abrir inquérito

 

Pinto Monteiro resolveu abrir um inquérito a três agências de rating internacionais. Se os inquéritos feitos dentro de portas demoram eternidades e acabam habitualmente por ser inconclusivos, nada leva a crer que este inquérito feito num âmbito internacional seja diferente – muito pelo contrário. Mas pronto, dá muito jeito à tese da crise vinda de fora, agora que se caminha para a campanha eleitoral.

Agora o que estou para ver é se o MP também também vai abrir um inquérito ao caso em que «os juízes do Tribunal de Contas se queixam de ter sido induzidos em erro para aprovar cinco auto-estradas, no valor de dez mil milhões de euros». Uma história rocambolesca a ler no TVI24.

Se não comes a sopa toda, chamo a Fitch

Acto I

Portugal, 2014

Cenário: Uma sala pequena, que também serve de quarto pequeno e cozinha pequena, com uma mesa pequena, um rádio a pilhas pequeno e com um som abafado e foleiro, uma vela pequena a iluminar a cena.

Personagens: Pai, mãe e filha

Filha: Não quero.
Mãe: Come, anda, não faças fitas.
Filha: Não.
Mãe (voltando-se para o marido): António, a tua filha não quer comer.
Pai (voltando-se para a filha): Maria, se não comes a sopa toda, chamo a Fitch.

Não se queixem srs. políticos – presentes, passados e já a seguir -,

srs. neoliberais, srs. “o mercado é que manda”, srs. “o mercado é que regula”, srs. cidadãos “estou-me a cagar para a política”, srs. “arranja-me aí um empréstimo a três meses para ir jantar fora”, doce público em geral

Fitch avisa que cortará rating de Portugal se FMI não intervier

(trocando em míúdos: que se lixe a europa, que se lixe o fundo de ajuda europeu, que se lixe a cimeira europeia, que se trambique o tal projecto europeu, que vão todos passear, que se foda o doce público em geral e o cidadão comum em particular. A gente manda e eles baixam a bolinha.)

O sobe e desce do rating e os comentários pornográficos

Já me tinham dito para não me irritar. Faz mal ao coração, informam-me. Que sim, vou fazer por isso. Por levar as coisas numa perspectiva positiva, para manter o sentido de humor, para relativizar tudo aquilo que não é a morte. Por só isso não tem remédio. Agora começo a achar que também o país não tem remédio.

fitch_portugal_rating

Por isso, admito que não sei porque é que ainda me indigno com coisas de lana caprina. É sempre assim. Analisamos tudo mediante as circuntâncias em que estamos e as conveniências do que queremos. Valorizamos quando nos interessa, desvalorizamos quando não interessa.

Até ontem, o rating da dívida portuguesa era cortado pelas famosas agências financeiras e o governo desvalorizava. O chefe do Governo e os ministros mais influentes fugiam a comentar esses cortes. Quando não havia possibilidade de fuga, juravam que não era assim tão importante.

Hoje, novo corte e o Governo valoriza! Que é fruto da crise política, que a culpa é toda da oposição, esses malvados que não mediram as consequências do chumbo do PEC IV, que levou à queda do Governo, etc e tal.

Sim, eu sei que começou a campanha e que em campanha vale-tudo-menos-tirar-olhos-e-se-calhar-nesta-até-tirar-olhos-vai-valer mas é assim que esta cambada incoerente quer que o povo tenha pachorra para os aturar?