Para mim, sempre será lectivo

Para mim é , sempre será lectivo. Algo que acontece é um facto, já um fato apenas conheço o que se veste. Escrevo como aprendi e não como determinaram os políticos.

Comments


  1. É como os egícios, os abitantes do egito.

  2. Albano Coelho says:

    Na verdade escreve como determinaram outros políticos em 1911 e ainda outros que introduziram uma pequena revisão em 1945… Não tome a ortografia como algo de sagrado e imutável. Não é em nenhuma língua e ainda bem!

    A ortografia de qualquer língua é uma convenção, nada mais que isso. Que a essa convenção devem assistir critérios filológicos, etimológicos, fonológicos e tantos outros mais é indubitável mas está longe de ser “ciência exata”. Não é, nunca foi e nunca será. É apenas, repito e sublinho, uma convenção. É certo que em muitos países a imposição de uma ou outra norma ortográfica obedeceu a critérios políticos nada recomendáveis (exemplo: Galiza) mas desengane-se, não é esse o caso de Portugal ou de qualquer país da CPLP (onde a Galiza deveria estar de pleno direito e não “por favor”) e do Português do AO. O AO não foi definitivamente uma “determinação de políticos”. A norma ILG-RAG, dita “oficial”, do Galego (Português da Galiza) essa sim foi claramente imposta pela direita espanholista com o objetivo – claramente político – de afastar o mais possível o Galego do Português sem qualquer amparo científico e menos ainda pedagógico. Consegue ver as diferenças? Creio que não e preciso fazer uma desenho (dibuxo em ILG-RAG).

    Cada um tem toda a liberdade de escrever como quer mas a eleição de uma norma ultrapassada implica que agora ao escrever “lectivo” estará escrevendo errado, tal com é errado escrever “pharmácia” desde 1911.


    • E essas actualizações do português do séc. XXI submeteram-se aos desígnios de outros países, nomeadamente o Brasil?
      Como termo de comparação, não vejo os franceses, espanhóis e ingleses atarefados em acordos de submissão das suas línguas-mãe às várias cambiantes nos vários continentes onde são faladas.

      E não posso deixar de me indignar com a propaganda parola que o Estado português faz em torno deste absurdo Acordo Ortográfico; pretendem unificar e consolidar a língua portuguesa para que, no médio prazo, seja ainda possível a lusofonia falar entre si. O outro lado desta propaganda, está claro, é a aniquilação actualmente em curso do ensino de português em França…

      Houvesse vergonha na cara.

    • António Fernando Nabais says:

      A ortografia do galego é má porque foi imposta pela direita. O novo acordo ortográfico é bom porquê? Gostaria muito que alguém me explicasse. Não chega dizer que se resiste sempre à novidade ou que, com o tempo, acabaremos por nos habituar. Se isso fosse argumento, qualquer modificação ortográfica faria sentido, mesmo as impostas pela direita.

      • Albano Coelho says:

        A ortografia “oficial” do Galego é “má” porque não tem base histórica ou etimológica – pelo contrário no mundo não há melhor exemplo de atropelo à etimologia – e muito menos uma justificação pedagógica. Ademais é totalmente desnecessária havendo na época em que foi “oficializada” (leia-se imposta por decreto) uma norma madura, funcional e fundamentada aqui ao lado em Portugal. Curiosamente a mesma crítica vale também para o que aconteceu em Portugal com o “mirandês” (dialeto astur-leonês) pois não havia qualquer necessidade de criar e aprovar uma norma divergente da que já existia, a da Academia de la Llingua Asturiana (A.Ll.A.). Num e noutro caso venceram os isolacionistas e não faltam exemplos por todo o mundo de que esse caminho leva à extinção das variantes minoritárias. Também não nos faltam exemplos do inverso, ou seja, onde prevaleceram as teses (re)integracionistas (exemplo: Acordo Ortográfico Holanda/Bélgica) a língua como um todo saiu reforçada.

        As razões acima são de natureza técnico-científica e pedagógica se quiser. No comentário anterior referi a razão política pela qual esta norma e não outra – a reintegracionista – foi na época aprovada, respondendo ao “como determinaram os políticos” do António de Almeida. Pretendia apenas destacar a falácia dando um exemplo onde, de fato, houve essa determinação dos políticos para que se pudessem apreciar as óbvias diferenças. Eu nunca disse que era “má” porque foi imposta pela direita e esse reducionismo com segundas intenções não te fica nada bem, camarada.

        Adiante… Salvo umas poucas exceções os argumentos contra o AO são falaciosos em toda a linha. Graças (ou obrigado), Dário Silva, por ter elencado as principais falácias. Cedência ao Brasil? Quem o diz não conhece o acordo. A falsa dicotomia fato/facto – ambas estão permitidas – é disso exemplo. No Brasil, onde agora se pode escrever “facto”, poder-se-ia dizer o mesmo, que é uma cedência a Portugal. É certo que as alterações impactaram mais vocábulos em Portugal do que no Brasil mas é mínima a diferença. Não justifica o ruído. Não é cedência, é acordo. A verdadeira razão da diferença tem a ver com a revisão ortográfica da ABL de 1954 (creio) ter sido mais adequada e abrangente do que a tímida revisão da ACL de 1945 na qual penso que pouco mais se adiantou do que a eliminação do trema. Portugal, portanto, teve de apanhar um trem que já ia um par de estações à frente. Ambas revisões – note-se – aprovadas nas respetivas ditaduras fascistas e certamente não é por isso que são “más”.

        Mas ainda que tivesse sido uma cedência de Portugal ao Brasil, dada a proporção de falantes, seria apenas lógico e prático e… Democrático! Afinal é no Brasil que está a esmagadora maioria dos falantes.

        Neste momento os opositores do AO estarão a argalhar a seguinte falácia mas desenganem-se: Portugal NÃO É DONO da Língua Portuguesa. A língua já existia muito tempo antes de Portugal ser sequer um projeto. Se alguma nação pode reclamar a “propriedade” da língua essa nação é a Galiza. Mesmo quando já estava reconhecida a independência do Reino de Portugal em mais de dois terços do seu atual território ainda eram predominantes as falas moçárabes. “Português” é apenas o nome internacional do Galego tal como “Espanhol” o é do Castelhano. Não quero com isto reclamar para nós nenhum privilégio mas apenas demonstrar que por razões históricas evidentes Portugal tampouco pode fazê-lo. Pensar o contrário é arrogância e provincianismo tacanho e, levado ao extremo, racismo.

        Esta já tardava: “Como termo de comparação, não vejo os franceses, espanhóis e ingleses atarefados em acordos de submissão das suas línguas-mãe às várias cambiantes nos vários continentes onde são faladas.” Cada caso é um caso por isso a ver:

        França e o Francês – Não serve de exemplo pois a situação do Francês é totalmente ao revés: 1. A sua importância a nível global não tem qualquer comparação com o Inglês, o Espanhol ou o Português. Definitivamente não joga na mesma liga, campeonato ou sequer a copa (ou taça); 2. A grande maioria dos falantes está no território de origem; 3. Não tem normas ortográficas divergentes, apenas diferenças lexicais e regionalismos como qualquer outra língua… Assim mesmo as sucessivas revisões ortográficas – a última é recente – não suscitaram mais controvérsia fora de França do que dentro e ademais, ao contrário do que pensa, Paris tem integrado e normalizado muito mais léxico não-Europeu, sobretudo proveniente da variante africana, do que Lisboa alguma vez admitiu relativamente às suas variantes americanas e africanas. Conclusão: Trazer os franceses para esta discussão é ridículo e um péssimo exemplo para o seu argumento.

        Estado Espanhol e o Espanhol – 1. Não há diferenças ortográficas a assinalar por isso não serve de exemplo. (Em geral, o Estado Espanhol não deve ser exemplo de nada mas isso já é outra discussão); 2. O Espanhol é a segunda língua em número de falantes nativos (o Inglês é a terceira , segunda em números absolutos) e goza de uma excelente saúde e prestígio a nível mundial a tal ponto que se estivesse na mesma situação do Português antes do AO – não está, nunca esteve – o peso que teria o conjunto das variantes americanas incluindo EUA impor-se-ia primeiro como o padrão internacional [i]de facto[/i] para mais tarde sê-lo também [i]”de juris[/i] na sua velha Castela natal.

        Será que temos que ir também ao Inglês, a língua franca mundial por excelência, e onde também não há normas ortográficas divergentes, apenas insignificantes diferenças num conjunto de palavras estatisticamente nulo? Assim mesmo, e bem ao contrário do que pensa, Londres tem assimilado e fixado muito mais léxico americano do que Lisboa.

        E seguindo… Apesar de compartir com o Dário a indignação pelo que está a acontecer com o ensino do Português no estrangeiro, não só em França, trazer esse argumento para a questão do AO é a falácia do tipo falsa causa, por antonomásia.

        Por fim, porque é que o AO é “bom”? Caro Nabais, primeiro que tudo quero aclarar que considero premente um Acordo muito mais do que este Acordo. O Português não é o Espanhol, não goza da mesma saúde nem do mesmo prestígio a nível mundial e a situação no seu território de origem é alarmante. A existência de normas divergentes numa pequena parte contribuiu a que o português não se tenha desenvolvido tanto. Era uma situação anómala sem paralelo com qualquer outra língua de dimensão global.

        Se porventura a prática vier a demonstrar que a norma emergente do AO é desadequada – não creio mas só o tempo o dirá – introduz-se nova revisão e já está, todas as línguas funcionam assim. Mas faremos essas revisões a partir de agora todos juntos e de preferência com a participação da Academia Galega da Língua Portuguesa e/ou da Associaçom Galega da Língua como membro de pleno direito (o AO já incluí mais de 800 vocábulos por proposta da AGLP sendo alguns comuns a Portugal mas neste em desuso e outros estritamente galegos).

        • António Fernando Nabais says:

          A argumentação sobre o Acordo deve limitar-se sobretudo a três questões: a demonstração da sua necessidade, as questões linguísticas e as implicações pedagógicas. Afirmar que somos os donos da língua ou que devemos sujeitar-nos aos brasileiros porque estão em maioria não são questões que venham a propósito.
          Se o acordo era necessário para que deixassem de existir normas divergentes, então este acordo falhou, porque as normas continuarão a ser divergentes (se é certo que criou alguns pontos comuns, veio criar novas diferenças, o que era inevitável por se ter baseado em aspectos fonéticos, ou seja, em diferenças). Para além disso, nunca entenderei esse magno problema do “desenvolvimento do português”, porque, mesmo sem acordo, a visibilidade da cultura portuguesa tem vindo a crescer, mesmo que às custas de feitos individuais, como é o caso da obra de Saramago. De qualquer modo, e sem nenhuma espécie de orgulho salazarento no “orgulhosamente sós”, é importante que a defesa da língua seja feita dentro do país em que é falada. O prestígio de um país e da respectiva língua nascerá das realizações que esse país for capaz de criar.
          Na minha opinião, portanto, o acordo é desnecessário, exactamente porque nem sequer é acordo nenhum, é um documento mal concebido.
          De resto, há uma série de disparates no acordo – que é um texto sem consistência e sem qualidade científica e, até, argumentativa. O aumento do número de homografias e de grafias facultativas é um atentado pedagógico.
          Finalmente, não faz sentido andar a experimentar novas normas e alterá-las se não funcionarem. Decisões como estas devem ser tomadas de forma responsável, porque têm consequências importantes. Aquilo que o Albano defende, implicitamente, é o primado do experimentalismo e, até, do amadorismo, uma coisa tipicamente portuguesa e que se nota em muitas decisões importantes que se baseiam numa espécie “depois se vê”.
          Quando afirma que “todas as línguas funcionam assim” estará, eventualmente, a referir-se às modificações que a vivência quotidiana da língua vai acolhendo. Não está, certamente, a querer dizer que “todas as ortografias funcionam assim”, espero eu. Se assim fosse, por absurdo, poderíamos ter um acordo ortográfico todas semanas.
          Também sobre o AO90, escrevi, ontem: http://aventar.eu/2011/12/17/o-acordo-ortografico-nas-escolas/


    • Uma convenção? Em que tipo de raciocínio é que é uma convenção?
      As palavras deixaram de ter etimologia? Cada palavra, cada grafia é como um “fóssil vivo”; conta a história da língua e dos povos. A evolução da língua falada e escrita, se natural, continua a ser património e cultura. Se artificial, aí sim através de convenções, é um relato também, mas da imbecilidade de um povo.
      Deixo-lhe aqui três “links” para saber a opinião de Fernado Pessoa e aminha sobre o assunto:

      http://mnemosynedotcom.wordpress.com/2009/01/13/ortografia-o-argumento-da-uniformizacao/
      http://mnemosynedotcom.wordpress.com/2005/06/27/patria-lingua/
      http://mnemosynedotcom.wordpress.com/2009/01/06/o-acordo-ortografico/

      Convenções… Convenções… Ainda que fossem, muito teríamos que discutir acerca do que é e o que não é uma convenção . Se calhar descobriríamos que alguns lutaram até à morte para preservar as suas convenções.

      Caro comentarista Albano Coelho: é por essas e por outras – ignorâncias – que os portugueses comem tudo o que lhe dão, seja ditadura, seja “ditabranda”!

      • Albano Coelho says:

        Com muito gosto li os enlaces que apresenta no seu comentário e com muita tristeza constatei que citou/transcreveu ao nobilíssimo Fernando Pessoa usando PRECISAMENTE A NORMA ORTOGRÁFICA QUE O AUTOR CRITICA e contra a qual arremete de forma tão contundente. Dou-lhe como exemplo apenas um parágrafo com a ortografia original (perdoa-lhe Fernando, ele não sabe o fez, ou será que sabe?):

        “Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portugueza. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente, Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa propria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ipsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.”

        Agora das duas uma: Ou bem ignorava isto – a partir de agora não tem desculpa – e então sim por esta e por outras já comeu o que lhe deram e limita-se a regurgitar descontextualizada e acriticamente ou se não ignorava, para além de um grande desrespeito à figura de Fernando Pessoa, foi de uma desonestidade inteletual imperdoável. Deve ter, digo eu, uma coerência mínima: A sua opinião e a de Pessoa só na superfície e fora do contexto histórico parecem coincidir pois na realidade são opostas. O senhor defende a norma ortográfica simplificada de 1911 com a pequena revisão de 1945 e Pessoa abominava precisamente essa. Em suma, se quer defender grafias etimológicas (ou pseudo-etimológicas) não pode escrever como escreve.

        Pior ainda é no seu próprio texto – literáriamente pobre – ter uma “pérola” deste calibre:

        “Pois, e essa é porventura a grande questão, pretender que o português do Brasil, ou o português de Angola, et cetera, e o português de Portugal – todos eles com os seus respectivos e distintos dialectos – são uma e a mesma língua será tão grotesco como afirmar que as línguas nascem do nada ou como confundir numa árvore os ramos com o tronco.”

        Grotesco e contraditório é numa penada fazer tábua rasa de tudo o que é aceite a nível mundial pela linguística e atropelar conceitos tentando fazer crer que existe uma Língua distinta do conjunto das suas variantes. É apenas na definição do ponto exato onde um dialeto emerge como língua distinta que as opiniões – disso se trata – dos linguistas divergem. Não há ciência que resolva. Essa definição não é científica, é sempre política. Alguns exemplos: Sérvio, Croata e Bósnio são a mesma língua (em diferentes alfabetos) mas atualmente um Bósnio dirá que fala Bósnio enquanto que os outros, de momento, dirão que falam Servo-Croata (independentemente de uns escreveram em cirílico e outros em latino). Por outro lado temos o Andaluz que apesar de ter mais divergências com o dialeto centro-ibérico do que as variantes da ex-Jugoslávia entre si, para todos os efeitos é Castelhano.

        Caro comentador Jorge (?) M. Ralha, um conselho: Se quer meter a fouce em seara alheia assegure-se de que sabe mais ou menos ceifar senão arrisca-se a cortar os próprios pés.


        • Não comentarei o paternalismo evidente, sobretudo no final, da suas explicações.
          Explicações? São mais umas tantas achegas insipientes, metendo os pés pelas mãos para defendemdo o indefensável.
          Podíamos até ler “Os LusÍadas” na sua forma original… garanto-lhe que não entenderia nada!
          Não é a evolução natural que está em causa. É o latim que quer analisar para me dizer que as coisas não são estáticas? Que nada é estático? Que Fernando Pessoa escrevia conforme a grafia da época? Que V. Ex.ª escreve, fala e se veste conforme os tempos?
          O que está em causa – e que aprece não entender – e que é alvo de crítica de Fernando Pessoa são as reformas artificiais e ditatoriais impostas por princípios muito discutíveis e de “gosto duvidoso”.
          É disso que se trata, tanto em Fernando Pessoa como em muitas opiniões actuais na qual se inclui a minha.
          De como, à revelia de uma população inteira, se vai mais uma vez impor uma série de normas estapafúrdias. Em nome de quê? Sim, em nome de quê?
          Fale-me do catalão, do basco e do galego. Fale-me de povos com dignidade e uma língua genuína para a afirmar!
          Eu sei que comeremos tudo, que comerei tudo. O tempo corre e nadar contra a corrente cansa. Somos todos forjados. Uns mais docilmente que outros…
          Em conclusão: não existem quaisquer argumentos linguísticos que justifiquem o presente acordo. Apenas políticos. Ou se quiser, talvez no seu caso, linguísticos à luz de uma dada política…

          Uma nota humorística: uma ceara alheia é assim como uma “presunção colossal”!

  3. David says:

    O que tem piada, é que as crianças agora a aprenderem português irão dizer: “Para mim é , sempre será letivo. […] Escrevo como aprendi e não como determinaram os políticos.” o que tem a sua ironia histórica.


  4. Já notei que contestar ” O Acordo” une na mesma barricada tanto a direita conservadora como a esquerda “progressista”.

    E nesta “luta” eis que os portugueses se revelam como são: um povo incapaz de evoluir, conservador e inseguro – mesmo quando ataviado com tiques progressistas…

    Desejo que continuem por muitos e bons anos a escrever, “óptimo”, “director”, “directo”, etc…

    Sugiro também que acompanhem a escrita verbalizando na mesma forma. Assim saberemos mais facilmente quem são os “dinossauros”… Entretanto, talvez fosse melhor passarem numa qualquer “pharmácia” para comprarem um antídoto contra as opiniões que desprezam, como esta…

    • António Fernando Nabais says:

      A ver se percebi: criticar o Acordo é ser “incapaz de evoluir, conservador e inseguro”. Realmente, assim é fácil (não) argumentar. Incapaz de evoluir, conservador e inseguro também poderá ser quem aceita qualquer coisa sem pensar.
      Depois, faz uma grande confusão entre ortografia e fonética. Quer dizer que que quem defende que se escreva “óptimo” deveria pronunciar o “p”? Pensa, então, que escrita fonética e ortografia são a mesma coisa? Será lícito supor que devamos passar a pronunciar “pato” com um “o” aberto, já que, de acordo com a sua teoria, tem de haver uma correspondência absoluta entre grafia e fonética? E que dizer dos vários valores fonéticos a que corresponde a letra “x”? Considera que se deva passar a escrever “mássimo” em vez de “máximo” ou passar a pronunciar “máchimo”? E que acha da ideia de passarmos a escrever “repriensão”, já que aquele primeiro “e” de “repreensão” tem valor de “i”?
      Já leu, com a devida atenção, o texto do Acordo? Qual é a sua opinião acerca das grafias facultativas que permitem escrever, entre outras coisas, a primeira pessoa do plural do pretérito perfeito com ou sem acento conforme a pronúncia do falante (“falamos” e “falámos” estão ambas correctas, à luz do Acordo)? Não será justo que, por exemplo, os alentejanos passem a escrever “lête” em vez de “leite”?
      Discordo completamente da sua opinião. Desprezá-la seria não exprimir a discordância.


      • Obrigado pelo seu comentário à minha modesta opinião!

        A sua – para mim – reflete exatamente o público a que me referia: pessoas esclarecidas, dotadas de “saber”, mas que na prática utilizam a mecânica “concêntrica” da sua “ciência” para toldarem a vista ao mais puro bom senso (perdoe a imodéstia…). É que – e de novo para mim apenas… – nestas coisas, além da argumentação técnica, também faz falta alguma tranquilidade, abertura de pensamento, ou noção da dinâmica específica da evolução. Nada é “sagrado” (nestas matérias, como em outras…), e até é saudável “refrescar” a língua (especialmente no verão!), tornando-a mais universal em vez de a condenar a um “gueto” exótico e arcaico de uma das línguas mais faladas do mundo futuro, que iria (ou irá) ser o futuro “Brasileiro”…

        Um dia, os netos de quem teima em escrever “óptimo” irão achar os avós um pouco “quadrados”… Se o meu avô tivesse defendido com vigor a “pharmácia”, eu iria achá-lo “quadradíssimo”… Imagino que não seria esse o seu caso…

        • António Fernando Nabais says:

          Irá desculpar-me mas a sua resposta é, apenas, um caso de não argumentação.
          Dei-lhe vários exemplos que não necessitam de usar “mecânica “concêntrica”” de ciência nenhuma, mas não soube ou não quis comentar.
          Na sua opinião, pelos vistos, devemos aceitar o Acordo, porque é necessário ter “abertura de pensamento, ou noção dinâmica específica da evolução” (podia, por exemplo, tentar demonstrar que esta Acordo tem alguma coisa que ver com evolução). Devemos aceitar o Acordo, porque nada é sagrado ou porque devemos refrescar a língua. Devemos aceitar o Acordo, para não corrermos o risco de sermos considerados quadrados.
          Depreende-se da sua (não) argumentação que qualquer acordo seria aceitável e que até devia haver um todos os verões, para refrescar. Da próxima, faça lá mais um esforço.

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