A ilusão do trabalho barato

João Miranda não tem estofo para admitir que o desemprego é propositadamente elevado para que os salários baixem. Chama-se mercado de emprego, e foi intervencionado pelo estado com todas as leis para um despedimento cada vez mais fácil da última década.

Objectivo: acumulação de capital (e medo social). Ilusão: que esse capital será investido (e que o medo terá efeitos prolongados). Destino óbvio: fuga de capitais para um paraíso qualquer, que mal a Espanha demonstre estar apenas um ano atrasada em relação a Portugal a Europa fica deserta de investidores. Nem a dívida alemã escapa.

(e já agora: mesmo um ex-quadro menor da Goldman Sachs é alguém que trabalhou para uma associação de malfeitores; o que há é muita gente a fingir não dar por isso)

Comments


  1. Caro João José, nunca estive tão de acordo consigo! Brilhante o seu post! Pena é a miopía generalizada e o desconhecimento colossal da maioria de “como se mexem os cordelinhos”!


  2. Muito bem sintetizado. A economia cresce pela via do aumento dos salários, não o inverso. Se o PIB diminui (por exemplo pelo aumento do desemprego) a mesma dívida absoluta fica maior em percentagem do PIB.
    No entretanto, nesta “crise da dívida” vastas fortunas se vão acumular nos ditos paraísos fiscais.

  3. MAGRIÇO says:

    Marc Roche é um jornalista belga, especialista em economia e finanças. Um dos livros que publicou é La Banque. Comment Goldman Sachs dirige le monde (2010), editado pela prestigiada Albin Michel. Pelo seu valor pedagógico, «qui favorise l’analyse, la réflexion, la revalorisation du discours et la pensée économiques», La Banque recebeu o prémio de Melhor Livro de Economia. Marc Roche escreve na imprensa francesa (Soir, Quotidien de Paris e Le Point) e britânica (Guardian e The Independent). Apresentado o autor, vamos ao que interessa.
    Entrevistado pela Rádio Renascença, Marc Roche foi claro: O FMI disse-me que se livraram dele [António Borges] porque não estava à altura do trabalho e agora chego a Lisboa e descubro que está à frente do processo de privatizações. Há perguntas que têm de ser feitas. Borges, como muita gente sabe, apesar de ser administrador do grupo Jerónimo Martins, foi nomeado por Passos Coelho para monitorizar as privatizações, ou seja, é ele (e não o ministro da Economia) que decide quem compra o quê e em que condições.
    António Ribeiro Ferreira, no jornal i, resume bem a situação: «António Borges sempre fez figura cá dentro à conta de ser um quadro da Goldman Sachs. Como em terra de cegos basta ter um olho para ser rei, o obscuro quadro da Sachs passou de figurinha internacional a figurão nacional…» Nem mais!

  4. Eu mesma says:

    Vi há pouco a reportagem da TVI Geração Adiada. Uma peça histórica, que deveria ser mostrada em TODAS as aulas de Economia e Gestão nas Universidades.

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