Ser ateu é que é bom

O mundo seria muito mais pacífico se todos fôssemos ateus.

O DN apresenta hoje esta frase de José Saramago na primeira página da edição em papel, onde também se dá a notícia da abertura, amanhã, da Fundação Saramago (Lisboa).

Não me parece muito inteligente e reveladora de tolerância religiosa esta afirmação do Nobel da Literatura, que mais parece um convite ao ateísmo como o melhor caminho a seguir. Revela, na minha humilde opinião, egocentrismo: «eu é que estou certo». Está a pedir que sejamos todos iguais, que escolhamos todos do mesmo («se todos fôssemos»). E isso não é possível.

Assim como também não é de bom tom tentar convencer os ateus a converter-se a uma qualquer religião.

A fé em Deus ou a sua ausência é algo muito pessoal. Não se escolhe ser isto ou aquilo, acreditar ou não, sentir ou não a transcendência. Aceitar Deus na nossa vida é uma descoberta que acontece ou não a cada um, num dado momento, mais cedo ou mais tarde. Ou nem sequer acontece. OK! Não dá para ser crente ou ateu à força, penso eu.

Mas podemos aprender uns com os outros, mantendo-nos o que somos com autenticidade e verdade.

Comments

  1. Ricardo Santos Pinto says:

    Há muitas guerras no mundo por causa da religião. Penso que seria mais ou menos isto que o Saramago queria dizer.


  2. Tendo a concordar com a interpretação do caro Ricardo. No entanto, a meu ver, Saramago esqueceu um pequeno detalhe: ser ateu é ser qualquer coisa e ser qualquer coisa não é um estado pacífico! Para mim, o ideal seria não ser coisa nenhuma. Existir não sendo nada é a melhor forma de existir: não se geram conflitos, discordâncias, antagonismos, oposições, resistências, competições, invejas, ciúmes, etc., etc.; em última análise, não ser coisa nenhuma é ser totalmente livre para pensar/experienciar todas as coisas!


  3. O Ateísmo, como as outras religiões, tem um sistema de crenças e necessidade de “convencer” outras pessoas a ingressar.
    O Ateu crê que não existe Deus. Os que crêem em Deus têm as mesmas “provas” a seu favor como os ateus: eles ACREDITAM que é assim.
    Por mim, desejo que acreditem no que quiserem desde que vos faça ser felizes e melhores pessoas. Se não fiaer, alguma coisa está fundamentalmente errada.

    • MAGRIÇO says:

      Esta sua asserção, José, serve a dois senhores! Há ateus e crentes que são óptimas pessoas e há ateus e crentes que deixam muito a desejar. Conheço muitos casos que o provam.


    • “O Ateísmo, como as outras religiões,…” ????
      O ateísmo é tão religião quanto a abstinência é posição sexual… E não “tem um sistema de crenças” nem se quer é uma crença per se. Limita-se a ser uma posição sobre um assunto concreto, a existência do sobrenatural. Desengane-se: Os ateus não têm que provar nada. Quem faz a afirmação extraordinária do sobrenatural é que tem que apresentar as provas extraordinárias. Não lhe admito que sequer tente colocar a sua crença na mesma prateleira da minha Razão. Não, a sua crença vai para a prateleira de Zeus, Thor, Vishnu, Kali, unicórnios cor-de-rosa, fadas, duendes e por aí além e, dentro dos possíveis sim, seja feliz.
      Tal como o Magriço acima também conheço teístas e ateístas que são excelentes pessoas e outros que nem por isso ou mesmo nada. Como já alguém disse, más pessoas cometendo más ações é o normal; mas para termos boas pessoas a cometer más ações é preciso religião. Esse é também o sentido da hipótese inicial de Saramago.


      • A abstinência, ou o celibato, é, de facto, uma posicao sexual.

        Concordo com o post. É verdade que a religiao é pretexto para muitas guerras. Mas teríamos menos guerras se fôssemos todos ateus? Duvido! Encontraríamos, certamente, outros pretextos.

        Além disso, nao me parece que o ser humano possa viver destituído de religiao. Temos uma necessidade espiritual muito forte. É isso, apenas isso, que nos distingue dos outros animais.


        • Pois é, cara Cristina, erro meu… Erro ao plagiar descaradamente esta frase de Bill Maher esquecendo que o que funciona bem em Inglês nem sempre funciona noutros idiomas. Creio que se lhe explicar que no original é “sex position” e não “sexual position” já entenderá tudo no contexto devido. Sim, a abstinência ou celibato é uma posição/comportamento em relação ao sexo. Não é nem pode ser, por definição, uma posição do ato sexual. Abstinência é o não-sexo tal como o ateísmo é a não-religião.


        • anti says:

          e eu que pensava que o que nos distinguia dos animais era pensar sobre pensamentos…

  4. Luigi says:

    Essa da Isabel G está boa!!!! Existir não sendo nada!!?? O que existe não pode ser nada…lool É o principio base da não contradição é que é não pode ser nada. Cabecinhas confusas estas que escrevem aqui……


    • Pois caro Luigi, realmente é bem melhor ser carneiro, fazer parte do rebanho, ser deste ou daquele clube só porque sim, acreditar em deus ou não só porque sim…

      Tem toda a razão, só as cabecinhas confusas é que não andam em manada; as outras, as cabecinhas inteligentes como a sua que não se dão ao trabalho de pensar, e muito menos de aprender, aceitam a palha que lhes é dada sem questionar.

      Quando a ignorância é muita, muito é o riso que a acompanha!


    • Gosto do seu comentário, Luigi. Vivemos escolhendo, sendo alguma coisa.

  5. MAGRIÇO says:

    Exceptuando as considerações que tece sobre as motivações de Saramago, estou de acordo com o teor do texto da Maria do Céu. Nada pode ser imposto ao espírito que se quer livre. Ser ateu é tão bom para o ateu como ser crente é bom para o crente. Mas, como diz o Ricardo, a religião, que devia promover a concórdia entre os homens, serve (ou servem-se dela!) muito mais para os dividir. Quase todos os conflitos latentes hoje no Mundo têm a religião como génese, e não é difícil perceber que quem aspira à paz e à união da Humanidade considere a religião mais como um factor de divisão do que como agente aglutinador. Também me parece que era a isso que Saramago se referia.

  6. Luigi says:

    Cara Isabel G. O que será isso de existir não sendo nada!!?? Penso que o facto de existir é ser e ser é o oposto de não ser. Principio da não contradição. O que salientei é uma opinião cheia de contradições.

    A religião tem por base o bem, a procura da essência do melhor na procura existencial. Essencialmente por ser uma busca de profunda e que gera uma adesão também profunda é que pode gerar também o fundamentalismo idealista.

    Mas esse mesmo fundamentalismo idealista não é religião, é apenas uma consequência negativa que os sentimentos profundos geram. Ser religioso é também identificar esse fundamentalismo e elimina-lo é estar sempre aberto tudo e todos e todas as formas de estar e pensar.

    A questão do “porque sim?” é bastante interessante. Há muito na vida de “porque sim!?” porque o “porque sim!?” deriva da irracionalidade muitas das decisões do coração que tomamos na vida. Prefiro um “porque sim!?” uma racionalidade irracional feita de contradições como a do seu comentário.


  7. Há uma religião boa:


  8. Ora então, caro Luigi, em vez de rir da opinião dos outros, era precisamente por aí que deveria ter começado: “O que será isso de existir não sendo nada!!??”

    E eu ter-lhe-ia respondido: Não ser nada é não se entregar. Não ser nada é não ser religioso nem deixar de o ser, deixando a porta aberta ao desconhecido, às possibilidades, sem estar atado ao que dizem quer os deuses quer os homens. Pode-se existir assim, não pode?

    Não ser nada é não ser nem da direita, nem da esquerda, nem do centro, permitindo que o pensamento voe livre e escolha o que de mais justo encontrar em cada direcção política e transformar com esses pedaços o mundo em nosso redor. Pode-se existir assim, não pode?

    Não ser nada é não ser deste ou daquele país, desta ou daquela facção, desta ou daquela seita, desta ou daquela escola de pensamento, etc.; é existir na Terra não fazendo diferenciações porque se aceitam os outros em essência, independentemente da cor com que se pintam. Pode-se existir assim, não pode?

    Quando se tem consciência de que o nome, a raça, a nacionalidade, a família, a tradição, a sociedade, o título, a profissão, a posição social, as posses, as preferências políticas, as ideologias, etc., são apenas atributos, meros rótulos que nos colocam ou que nós próprios colocamos, não tendo por isso qualquer importância, então sim, existe-se, vive-se, sem se ser nada! E quando isto acontece, o “porque sim” não tem lugar. Quando isto acontece, houve uma causa que justificou o efeito, o “isto”!

    Experimente fazer de conta que não se chama Luigi, que não é isto, nem aquilo, nem pertence a isto nem àquilo, nem é formado nisto ou naquilo, que não é deste partido nem daquela religião, nem daquele clube de futebol… imagine que não é nada e não possui nada… mesmo assim, continua a existir, não continua?

    Existe-se independentemente do que se é, do que se pensa. E só quando não se é nada, quando não se está atado a nada, enredado em nada, comprometido com nada, só aí há total liberdade!

  9. S. Pinho says:

    Como li um destes dias, o futebol é a menos perniciosa das religiões. E não custa dinheiro nenhum, comparado com os custos da última visita do papa a Portugal, 80 milhões à razão de 37 milhões de euros por dia http://economico.sapo.pt/noticias/visita-de-bento-xvi-custa-37-milhoes-por-dia_89213.html
    Isso sim, isso foi um crime e um roubo aos contribuintes portugueses. E da ostentação nem vale a pena falar.
    Mas acho mesmo que sim “O mundo seria muito mais pacífico se todos fôssemos ateus.”

  10. Luigi says:

    Cara Isabel G. continua a persistir na ocultação de um principio básico existêncial. O principio da não contradição.

    Como pode argumentar a seu favor como um expressão que começa com “Não ser nada é….”. Afinal de contas não ser nada é alguma coisa para si.

    O seu ponto de vista é de que nos devemos despir de todo os tipo de preconceitos para emitir bons juízos. Mas ninguém contesta isso, é puro senso comum. Todo esse discurso apesar de não ter validade lógica na forma como constrói as proposições tem o fundo interessante, que é o da busca utópica do juízo perfeito. Pois para mim o juízo perfeito não é o juízo que procura o vazio, o eliminar de tudo o que se é, é precisamente o juízo puramente religioso, o juízo perfeitamente ético, ou seja o juizo que procura o bem na sua essência.

    De uma maneira ou de outra todos nós “somos algo” é exactamente na verdadeira sabedoria, na antítese do não ser nada que reside a capacidade de eliminar esses preconceitos maus que enumera.

    Não se tratar de não ser, trata-se de ser algo essencialmente bom!

    • S. Pinho says:

      Não sou nada.
      Nunca serei nada.
      Não posso querer ser nada.
      À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo…

      http://www.insite.com.br/art/pessoa/ficcoes/acampos/456.php


      • Precisamente! Obrigada por essa citação de Fernando Pessoa!

        Fosse eu tão eloquente como Pessoa e talvez o Luigi conseguisse compreender o meu ponto de vista!


    • Não adianta, caro Luigi! É esse seu “princípio da não contradição” que o impede de ir mais além. E depois há também uma barreira verbal: o significado de ser e de existir é diferente para cada um de nós, mas deixe-me que lhe diga que “ser” pressupõe “ser alguma coisa” e “existir” pressupõe apenas “o acto da existência”! Por isso, para mim, é perfeitamente possível existir sem ser coisa alguma! Mas enfim, este é apenas o meu ponto de vista filosófico, apesar de parecer ser também o de Pessoa!

      Quanto aos “bons juízos” e ao “ser algo essencialmente bom”, não entendo onde podem contextualizar-se aqui. E muito mais desfasados estão o “vazio” e a “busca utópica”!

      Afinal, o que se discutia era se o Mundo seria mais pacífico se todos fôssemos ateus, e a minha perspectiva continua a ser a mesma: não haverá paz enquanto teirmarmos em ser alguma coisa!

      • chata says:

        e então se começasses já a deixar de ser comentadora neste blog? podia ajudar à paz mundial, sua egoísta…

  11. Tito Lívio Santos Mota says:

    o que diz Saramago é que as religiões são o fermento da maioria das guerras, quando não são a sua causa.

    Por isso tem razão.

  12. alguémquefalou says:

    há sempre algo a dizer sobre a religião. o mundo seria bem mais pacífico se todos fôssemos ateus, se todos fôssemos ricos, se todos fôssemos como nós queremos que os outros sejam. o mundo seria bem mais pacífico se não houvesse homens para fazer guerras.


  13. Não posso evitar a tentação de escrever aqui o primeiro parágrafo dum livrinho de Stig Dagerman. Traduzo sobre uma tradução castelhana, espero não desacertar muito:

    “Estou desprovido de fé e não posso, pois, ser ditoso, já que um homem ditoso nunca chegará a temer que a sua vida seja um errar sem sentido rumo a uma morte certa. Não me foi dada em herança nem um deus nem um ponto firme na terra desde o qual chamar a atenção de deus; nem herdei tampouco o furor dissimulado do céptico, nem as astúcias do racionalista, nem o ardente candor do ateu. Por isso não me atrevo a atirar a primeira pedra nem a quem crê em coisas que eu duvido nem a quem idolatra a dúvida como se esta não estivesse rodeada de trevas. Esta pedra alcançaría-me a mim mesmo já que de uma coisa estou convencido: a necessidade de consolo que tem o ser humano é insaciàvel.”


  14. Os ateus não acreditam na existência de deuses.
    Pelo contrário os não ateus acreditam na existência de deuses, de um só, de alguns, de muitos, de deuses assim ou de deuses assado.
    Não podem os ateus estar certos e errados ao mesmo tempo.
    Ou os ateus estão certos, ou estão errados.
    Na primeira hipótese, pronto, está resolvido, não há deuses, fim da conversa.
    Na segunda hipótese os ateus estão errados, donde, os não ateus estarão certos?
    Calma, quais dos não ateus, os que crêem num deus, (em qual deus?) os que crêem em alguns ou muitos deuses (quais deuses?).
    A fazer fé nos nossos familiares, amigos ou vizinhos, deus existe, é só um e é aquele que lhes disseram que era quando eram miúdos (mais ou menos pela mesma altura que lhes falaram do pai natal e das fadas…)
    Mas porque havemos de acreditar mais nos nossos familiares, amigos ou vizinhos, do que nos imensos familiares, amigos ou vizinhos de imensas pessoas que não conhecemos mas sabemos que existem e, apesar de, tal como os nossos familiares, amigos ou vizinhos, não serem ateus, acreditarem num outro deus ou deuses?
    Confuso?
    Bem, mais vale ser ateu, afinal basta usar a razão e pensar uns instantes em vez de acreditar nas histórias que contavam (e parece que ainda contam) às criancinhas.

    • MAGRIÇO says:

      Só na Índia, há religiões para todos os gostos: islamismo, sikhismo, budismo, jainismo, hinduísmo, só para citar alguns. Valem exactamente o mesmo que outras ditas verdadeiras. Concordo com a Alexandra de que a necessidade de conforto espiritual do ser humano é insaciável. Mas está aqui precisamente a explicação das crenças religiosas: a necessidade de crer no sobrenatural quando não se compreende muito bem aquilo que nos rodeia, aliado ao facto de, para muitos espíritos, ser mais cómodo ter quem decida por nós. Daí o “se deus quiser”, tão familiar.


  15. Também estou de acordo com a necessidade humana de conforto espiritual, mas continuo a questionar o que é que essa necessidade tem a ver com religião! A religião é uma coisa inventada, é uma criação do homem, ao passo que a sua necessidade espiritual é intrínseca. Arrisco mesmo a dizer que se não se tivesse inventado a religião, o rumo espiritual do homem seria totalmente diferente do actual e direccionado para outro tipo de conceitos. Talvez nem sequer existisse o conceito de deus…


    • Até que enfim concordamos em algo ainda que utilizando diferentes conceitos.

    • MAGRIÇO says:

      Quer-me parecer, Isabel, que essa necessidade nasceu quando apareceu os primeiros vendedores de religião. Antes, possivelmente, procurava-se conforto e refúgio espiritual noutros símbolos, porventura até mais práticos, como o sol, as vacas ou as serpentes, que eram, aliás, também uma primitiva forma de religião. A religião, tal como hoje a conhecemos, foi impingida como séria e inquestionável, aproveitando a crendice, o medo e a atracção pelo místico tão característicos da Humanidade. E, para muitos espíritos, tornou-se uma necessidade indispensável.


      • Isso mesmo, caro Magriço! O percurso seria totalmente diferente. Uma das vias que ponho como provável seria a via do universo. Isto é, a grandiosidade, o mistério, a omnipresença que a religião atribui a um deus, poderiam ser atribuídas ao universo! Só que, se assim fosse, haveria um “terreno” palpável para sondar, para explorar, ao passo que na religião o deus é tido como insondável.
        De qualquer forma não há qualquer dúvida quanto ao facto de as religiões terem sido, e continuarem a ser, a principal fonte de obscurantismo, o principal entrave ao pensamento livre.

  16. Luigi says:

    Isabel G.:

    Como diria Wittgenstein:

    “Acerca daquilo que não temos conhecimento devemos permanecer em silêncio”

    Enfim, fale do que sabe….


    • Caro Luigi, aconselhando-o a ter um pouco de humildade, menos sobranceria e mais elegância ao discutir opiniões (sim, porque a sua posição não passa disso mesmo: uma mera opinião e portanto com o mesmo valor de qualquer outra), deixo-lhe este trecho:

      “Das coisas existentes, algumas são encargos nossos; outras não. São encargos nossos o juízo, o impulso, o desejo, a repulsa – em suma: tudo quanto seja acção nossa. Não são encargos nossos o corpo, as posses, a reputação, os cargos públicos – em suma: tudo quanto não seja acção nossa. Por natureza, as coisas que são encargos nossos são livres, desobstruídas, sem entraves. As que não são encargos nossos são débeis, escravas, obstruídas, de outrem.
      Lembra-te então que, se pensares livres as coisas escravas por natureza e tuas as de outrem, pôr-se-te-ão entraves, afligir-te-ás, inquietar-te-ás, censurarás tanto os deuses como os homens. Mas se pensares teu unicamente o que é teu, e o que é de outrem, como o é, de outrem, ninguém jamais te constrangerá, ninguém te porá obstáculos, não censurarás ninguém, nem acusarás quem quer que seja, de modo algum agirás constrangido, ninguém te causará dano, não terás inimigos, pois não serás persuadido em relação a nada nocivo.”

      Enchiridion – Epictetus

      Já agora, antes de criticar os outros do alto da burra, lembre-se, por exemplo, da “Revolutionibus Orbium Coelestium” de Copérnico, da defesa por parte de Galileu do sistema heliocêntrico, e da reacção dos eruditos e da igreja a esse respeito, e reflicta um pouco…

    • titomota says:

      é por isso mesmo que os religiosos deveriam imediatamente parar de tentar impor-nos as suas crendices insidiosamente ou à força.

      A primeira causa de guerras sempre foi a religião.

      • Vitor says:

        “Os religiosos é que têm a mania de que säo täo importantes que pensam que o tal deus que adoram não tem mais que fazer no Universo que lhes atender as preces”

        Eu não disse que tinhas manias. Fiz uma dedução lógica. Se tu te consideras uma máquina de carne entre biliões, num universo com biliões de galáxias, cada uma com biliões de estrelas, cada uma uma com vários planetas e, ainda assim, te achas uma grande coisa…Tudo bem. Cada um se vê a si mesmo como muito bem lhe apetece.

        Como Deus não depende de ti para existir, também não depende de ti para atender ou não às preces que lhe são feitas. E também não te vai dar satisfações, para ficares a saber se ele atende ou não às preces que lhe são feitas.

        A ti ele não deve atender, quase de certeza. Não porque sejas mais ou menos importante do que os outros, mas porque não lhe deves fazer preces, em principio.

        • Maquiavel says:

          Ah, entäo o deus é assim a modos que a taluda da lotaria, só se ganha se comprar o bilhete. E na maior parte dos casos näo se ganha nada. Fiquei esclarecido…

          E também fiquei esclarecido de que V. Exa. näo consegue achindrar que eu apenas me acho um humilde (sabe o que é?) punhado de poeira estelar (carne, mas também umas gordurinhas, e ossos que também convém) e mais: mesmo que acreditasse nessa sua “Taluda Universalis”, näo a iria importunar constantemente com as minha míseras necessidades.

          AH! E da próxima vez responda ao comentário no sítio certo. Dá jeito!

  17. Luigi says:

    Cara Isabel G:

    Não se tratou de falta de humildade, tratou-se simplesmente de crítica à falta de lógica nas suas asserções. Contradiz-se constantemente no que escreve.

    É engraçado porque eu sou um carneirinho que segue a manada e é você que para tudo recorre a textos de outros. E já agora se acha que a religião é a causa do obscurantismo das sociedades aconselho-a vivamente a ler Santo Agostinho, Tomás de Aquino e verá se a sua mente não se torne bem mais livre.

    Critica-me por eu critica-la e recorre a Copernico que foi precisamente criticado pelo seu espírito crítico

    Se acha que a religião é causa de sofrimento e de dor é não conhece pessoas salvas por acreditarem no Bem de um sistema religioso. Religião é procura do Bem, é exercer o Bem, é acreditar no Bem, é ter fé no Bem. O mal que resulte de um sistema religioso existe precisamente pelo fanatismo que resulta de profundidade do acreditar, mas ai não se trata de religião trata-se simplesmente de uma má interpretação do acreditar. Ser religioso procurar ser o Bem nesta amalgama “de ser.bem ser mal” que somos.

    .


  18. Ah, pronto! Finalmente! Já consegui perceber qual é o seu problema: O Luigi é religioso!

    Afinal, em vez de se assumir, logo de início, como pessoa religiosa preferiu atacar as que o não são! Falsa bravura, meu caro, falsa bravura!

    Assim sendo, nada mais tenho a dizer-lhe, primeiro porque passei décadas a estudar as religiões e pouco de válido aprendi com elas, e segundo porque o caro Luigi, como religioso que é, jamais compreenderá, e muito menos aceitará, outro ponto de vista que não seja religioso, cartesiano, tradicional e “lógico”. Todas as discussões com pessoas como o Luigi levam a becos sem saída! Ocupa demasiado espaço o meu pensamento, espraia-se por demasiadas vastidões, para que eu aceite contê-lo, comprimi-lo e cristaliza-lo num qualquer beco religioso!

  19. Vitor says:

    Há os supersticiosos e os que querem magia. Esses são ateus materialistas iludidos, mesmo que digam o contrário. Há os ateus convictos, que são aqueles que são capazes de se suicidar friamente, quando o sofrimento se torna insuportável. E há aqueles que não se suicidam nem na pior das condições. São os que sobreviveram em campos de concentração horríveis, por exemplo (em contraposição com os que se suicidavam nos cabos de alta tensão que impediam as pessoas de fugir). É nos actos, nas alturas de grande desamparo, que vemos quem somos. O resto é conversa. Enquanto tudo corre bem todos estão iludidos, ateus materialistas, religiosos, espiritualistas, teístas, etc.

  20. Konigvs says:

    Ser ateu não é a melhor coisa do mundo, mas se não existissem religiões, sempre era menos uma desculpa para as pessoas se mataram umas às outras em nome dos seus deuses.

    • Vitor says:

      O ateísmo não resolve o principal problema dos seres humanos, como as religiões não o resolvem. Não é a morte que é assustadora, é a própria vida. Amparar-nos uns aos outros pode ajudar a minimizar isso. A questão da vida depois da vida está a jusante, é um problema para depois, se houver depois. A melhor crença é aquela que leva realmente à fraternidade, à solidariedade, à tolerância e à liberdade de expressão do pensamento. O ateísmo pode levar ao suicídio, quando as forças psicológicas se esgotam. A religião, por vezes, leva a pensar que, para além da vida ser assustadora, a morte também o pode ser, aumentando ainda o desamparo das pessoas e proibindo o suicídio. Mas a nossa capacidade de opção é uma ilusão. Uns têm uma intuição que os leva a acreditar na vida depois da vida, outros não. Parece ser inato. Uns dizem que são químicos no cérebro, outros que é a fé. Ninguém pode provar cientificamente que a mente é apenas um produto do funcionamento de cérebro. Essa hipótese, por enquanto, é uma questão de crença, um palpite, tal como a da sobrevivência da mente à morte. O que se sabe é que o cérebro está envolvido no processo, mas não se é o único factor. O que faz os conflitos não é a diferença da crença das pessoas, mas a necessidade que elas têm de tentar forçar os outros a ter as mesmas crenças (tanto ateus como religiosos). E isso é uma prova que são crenças. Se fossem verdades cientificas, não haveria dúvidas, nem conflitos. Os religiosos supersticiosos, querem submeter-se a Deus, para obter vantagens na vida. Os ateus querem desafiá-lo, talvez, para ver se ele se lhes revela, nem que seja pela negativa. As perguntas são as mesmas, as hipóteses de resposta é que são diferentes. Somos todos humanos, a vida é uma merda. Isso já chega. E já que é assim deixemos, ao menos, que cada um acredite naquilo que lhe faz mais sentido acreditar, desde que deixe os outros fazer o mesmo. A maior parte dos conflitos religiosos-religiosos, ou ateus-religiosos, nada tem a haver com crenças, mas com interesses pessoais e com máfias. Os nazis ficaram com os bens dos judeus, os chineses impediram a liberdade de reunião e asseguraram o poder autocrático, e assim por diante. A intolerância pela crença alheia é que é o cancro, e não as crenças. Sou a favor da tolerância, da fraternidade e da solidariedade, antes de tudo o mais. Isso é que pode positivamente melhor a vida de muita gente, em vida. O depois, cada um um que o imagine como quiser.

  21. Maquiavel says:

    Ai tanta conversa de chacha.
    Ser ateu é que é bom, sim, e eu sou disso prova. Respeito a Humanidade e o Ambiente, näo preciso de temer a um deus para fazer as coisas como devem ser feitas. Quem disso precisar, esteja à vontade, desde que näo me chateie.
    Agora näo admito é que digam “ai que o ateísmo também é uma religiäo” só porque näo achindram que se pode viver feliz e ser pessoa de bem sem acreditar em divindades ou histórias da carochinha para adultos. Se näo achindram, problema deles.
    Como disse o outro “se deus existisse, porque me fez ateu?”…

    • Vitor says:

      Para mim é indiferente o que as pessoas dizem. Se se dizem ateus, se se dizem religiosos, se se dizem espiritualistas. Acho que isso é do foro intimo de cada um. O que eu não gosto de ver é a intolerância, a tentativa de impedir os outros de manifestarem os seus pensamentos, sejam eles quais forem. Quando uma pessoa se altera emocionalmente por os outros pensarem diferente é porque é intolerante e fanático. Os fanáticos podem tornar-se agressivos. Há fanáticos ateus e fanáticos religiosos. Esses fanáticos é que são potencialmente perigosos, porque não admitem que ninguém pense diferente deles. É um pretexto para descarregar a bílis.

  22. Vitor says:

    “se deus existisse, porque me fez ateu?”

    Eu acredito que Deus existe. É uma crença, não necessito de a justificar a ninguém, nem sinto necessidade de que as outras pessoas acreditem no que eu acredito. Mas já que colocaste a questão, respondo, de acordo com as minhas modestas possibilidades. Deus deixa-te ser ateu, porque as leis que ele concebeu, que são as leis da natureza, te fizeram uma pessoa e não uma máquina. A lógica da tua questão não parece ter implícito que te consideras uma máquina insignificante, no universo, como alegas, pois dás-te muita importância. Consideras-te tão importante que achas que Deus não pode existir sem te dar satisfações.

    • Maquiavel says:

      E pronto, o religioso que estava täo bem a apelar à toleräncia e deixa-andar mostrou logo a sua verdadeira face.
      Os religiosos é que têm a mania de que säo täo importantes que pensam que o tal deus que adoram näo tem mais que fazer no Universo que lhes atender as preces. 😀
      Estava à espera de algo tipo “Deus deixa-te ser ateu para na tua curiosidade O descobrires por ti próprio”, algo assim muito a dar para o metafísico. Mas näo.

      A minha pergunta, se näo achindrou, é retórica!


  23. Subscrevo totalmente. A fé ou a sua ausência não são um problema nunca. O problema é o que se faz, o que se obriga em seu nome. Em nome da fé ou da sua ausência embora em boa verdade existam mais exemplos do primeiro caso … E digo isto com a tranquilidade de me considerar católico praticante na consciência de que isso não me faz nem melhor nem pior que qualquer outro ser humano seja ele ateu ou muçulmano ou hindu ou … Não está no que somos ou naquilo que nos achamos o problema … Está no que fazemos …

    • Vitor says:

      Concordo Fernando. As nossas acções, sobretudo quando os nossos interesses mais caros estão ameaçados, não nos deixam mentir. Se alguém é fraterno, solidário, tolerante, é uma alegria para quem com ele convive, faz do mundo um lugar melhor, diga-se ateu ou religioso. Para mim esses é que são os valentes. São esses que eu admiro e que são os meus heróis.

    • Maria do Céu Mota says:

      Olá Fernando!É preciso ter coragem para se dizer católico praticante! Eu também sou, como acho que dei a entender. Não sou nem melhor nem pior. Tento ser melhor isso sim e penso que deixar Deus e procurá-Lo na minha vida não me faz mal nenhum. Preciso dele. Tento fazer melhor e esse é um sentido para a vida.

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.