Acordo Ortográfico: saber dá trabalho

A discussão sobre o acordo ortográfico (AO90), muitas vezes, desvia-se para terrenos do gosto, da resistência ou da adesão à novidade, quando não inclui acusações infundadas de xenofobia ou declarações cegas de amor à lusofonia. Na verdade, estamos diante de um problema demasiado sério para que nos fiquemos por paixões ou por vácuas declarações de circunstância. Perceber os erros do AO90 dá trabalho.

Já tive ocasião de remeter os leitores para um texto lúcido de Maria José Abranches. Vale a pena darmo-nos ao trabalho de ler estoutro da mesma autora. Dá trabalho, com certeza, como acontece com tudo o que é importante.

Fica, aqui, uma citação, para abrir o apetite: “Todos os aspectos nefastos, propriamente científicos e culturais, deste AOLP foram já abundante e rigorosamente tratados por quem de direito. Parece, contudo, que os decisores políticos, por qualquer razão obscura, se mantêm imunes a todos esses argumentos, a pretexto de não poderem ter “opinião”… Revelam assim uma tremenda insensibilidade face ao valor patrimonial e identitário da nossa língua nacional, que é também, convém lembrar, património europeu, ao mesmo título que qualquer uma das outras 22 línguas nacionais da União Europeia.”

Comments


  1. Eis a possível razão ‘obscura’: Neste início do século XXI, a CIÊNCIA FALA INGLÊS, e o inglês, tal como as línguas de CIÊNCIA ‘anteriores’ (francês e alemão, sobretudo), fala LATIM E GREGO. O crioulo brasileiro que nos querem impor é hoje a língua do Carnaval, da bunda e desbunda das favelas e novelas – a LÍNGUA DOS ESCRAVOS e da MÃO-DE-OBRA BARATA do terceiro mundo… Os NOSSOS POLÍTICOS definiram com a maior clareza os seus objectivos… E NÓS??? NÃO SEREMOS CAPAZES DE O VER???


  2. Razão obscura? Não é, Foi Sarney, o presidente brasileiro e maçon que iniciou o processo “Em 1986, sem alcançar um consenso, o governo de José Sarney promove um encontro com todos os países lusófonos no Rio de Janeiro. Depois de anos de trabalhos, em 1990 o novo Acordo Ortográfico…”. Qual a obscuridade? Basta ver quem em Portugal promoveu e promove o acordo.
    Há é gente que finge não perceber, porque não quer ter maçadas.
    Espera-se que, no fim, as regras da Democracia Representativa e o Estado de Direito retomem a sua vig~encia plena e tenha fim esta triste tentativa de genocídio cultural.

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