4’33”

No silêncio da noite, ocorre-me escrever sobre ele.

Já fez, seguramente, um minuto de silêncio.

Os adeptos de futebol já estão habituados a fazê-lo… Os deputados também. Os cidadãos, mais raramente.

Agora imagine comprar bilhete para ouvir uma orquestra famosa ou um solista de renome e ter no programa uma obra chamada 4’33”. Quatro minutos e trinta e três segundos de silêncio. Ouviu bem: de silêncio!

Só alguém genial como o compositor americano John Cage para se lembrar duma coisa destas! Uma obra em 3 andamentos em que os únicos sons são os do próprio ambiente e os produzidos pelas pessoas que assistem ao concerto. Claro que pode respirar (como diria Sérgio Godinho)! E sim, entre os andamentos, sentir-se-à mais à-vontade para tossir e fazer outros ruídos!

Se a obra nos deixa boquiabertos em pleno século XXI, imagine a reação dos primeiros ouvintes há precisamente sessenta anos.

O silêncio não é fácil: experimente esta obra.

A Música também é silêncio!!

Comments

  1. António Fernando Nabais says:

    Já assisti a esta peça. Gosto especialmente daquela parte aos 3’35” 🙂

  2. maria celeste ramos says:

    Não sei de que falam e tenho pena-mcor (ou não percebi)

  3. Achei interessantíssimo!
    Fez-me lembrar uma experiência pessoal que, surpreendentemente (para mim), se transformou num sucesso.
    Sou professora do 3º Ciclo/Secundário.
    Quando os tempos lectivos passaram de 50 para 90 minutos, debati-me com o problema de os miúdos ficarem quase insuportáveis ao fim de uma hora de aula, provavelmente como os demais colegas de profissão, sobretudo de disciplinas que nem sempre agradam aos petizes (Língua Portuguesa, neste caso). Lembrei-me, então, de começar a fazer uma pequena pausa de um minuto ou dois para que todos ouvíssemos o silêncio e memorizássemos os sons mais/menos agradáveis que persistiam em redor. Findo o silêncio, cada um partilhava o que tinha ouvido/sentido, primeiro oralmente, mais tarde, e de vez em quando, escrevendo um pequeno parágrafo. Resultaram coisas giríssimas! De início, houve muitas risadas, algumas resistências, claro, mas depois eram os próprios alunos que perguntavam: “Então hoje não ouvimos o silêncio?” Ficavam calminhos e o resto da aula parecia um recomeço.
    Ainda hoje encontro ex-alunos que me falam disso. Também ainda hoje recorro a essa estratégia, de vez em quando, como terapia e com as turmas mais jovens, apesar de estarmos todos mais habituados aos 90 minutos.

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