Há um ministro da Educação a menos

A entrevista que Nuno Crato deu ao Sol mostra-nos um funcionário das Finanças e não um ministro da Educação. O primeiro desconhece ou finge desconhecer a realidade portuguesa, o que lhe é útil para justificar medidas financeiras e ignorar problemas educativos. O segundo deveria ser um homem preocupado em resolver as insuficiências da Educação em Portugal, mas o seu contrato, pelos vistos, não contempla essa tarefa.

No excerto da entrevista que já anda a circular, Nuno Crato simula responder à pergunta do jornalista.

 

Repararam? À revisão curricular e ao aumento do número de alunos por turma Nuno Crato nada diz e o jornalista não insiste, o que é normal, porque é sempre perigoso incomodar funcionários das Finanças. Nuno Crato, fugindo à pergunta, inventa uma “diminuição brutal” do número de alunos. Quando? Nos “últimos anos”, expressão muito pouco rigorosa. O Paulo Guinote e o Paulo Prudêncio, com a ajuda da Pordata, fazem umas contas tão simples que que até um desgraçado de Letras como eu entende.

Como bom funcionário das Finanças, Nuno Crato termina a resposta, piscando o olho ao contribuinte, não escondendo que é esse o seu público-alvo.

Em conclusão: mesmo que fosse verdade que tinha havido uma diminuição brutal do número de alunos, o despedimento de professores deve-se às medidas puramente economicistas de Nuno Crato, o homem que podia ter sido ministro da Educação.

Comments

  1. Miguel says:

    A sério, parem um pouco de olhar para o vosso umbigo.

    • Cláudia says:

      E podemos olhar para o umbigo dos alunos?
      DL nº 50 de 2011: carga horária semanal para as disciplinas de Física, Química, Biologia, etc do 12.º ano: 7 tempos semanais (3,5 x 90 min)
      DL nº 139 de 2012: carga horária semanal para as mesmas disciplinas do 12.º ano: 4 tempos.
      De notar que os programas não sofreram qualquer alteração. A mesma matéria (prevista para 7 tempos semanais) será agora leccionada em 4 tempos. Assim é fácil diminuir o nº de professores!

  2. A sério, olhou para o seu e não gostou do que viu?

    • Miguel says:

      O seu umbigo é mais bonito que o dos trolhas que vão para o desemprego ao pontapé? Vocês são mais do que eles?

      • António Fernando Nabais says:

        Os umbigos são todos iguais e o drama do desemprego ou da precariedade é indiferente a classes sociais ou profissões. Dito isto, tente ler com mais atenção e fugir a preconceitos: o assunto do texto não é o drama do desemprego dos professores, mas sim a actuação de Nuno Crato, que é prejudicial à Educação, em Portugal. Prejudicial à Educação, percebeu? Nuno Crato, ao despedir professores artificialmente, está a prejudicar o seu filho, o seu irmão, o seu sobrinho ou qualquer concidadão seu que esteja em idade escolar. Acorde!

        • Miguel says:

          Eu sei bem a importância que os bons professores têm, não se confunda isso. Mas se estamos a falar da qualidade de educação, não é a contratar + 40000 ou mesmo 100000 professores que se vai resolver o problema.

          • António Fernando Nabais says:

            Esse raciocínio é simplista.

          • Miguel says:

            Sim é. Uma educação de qualidade nao é um assunto simples.

            O meu ponto é que nao é simplesmente a contratar professores que se atinge isso.

          • António Fernando Nabais says:

            Pois, mas não é possível existir ensino de qualidade sem professores suficientes. Não há professores suficientes, ao contrário do que diz Nuno Crato.

  3. maria celeste ramos says:

    Mas que crime estar a nível europeu quanto à condição do professor – até porque quanto à sa´de havia tanto orgulho de se estar até à frente da UE quanto à diminuição drástica de mortalidade natal – mas agora é “pecado” – e assim as nomas de hoje confirmadas do desprezo pelos regormados do Estado que além de terem o IRS aumentado, ficam em definitico sem os dois subídios de férias e Natal -. houve até um contabilista que disse que se está a incorrer não apenas em injustica já decretada pela Tribunal Constitucional para todos mas mais para a FP a ponto de ser matéria não apenas incontitucional mas mesmo de cariz criminal – Louçã diz insensatez e maldade governamental -e que é golpe de estado económico dos mangas de alpaca – é preciso que a voz de Louçã não se cale – também o constituciolalista Jorge Miranda diz que desconfia de inconstituciolalidade – por dia emigram 10 portuguses até ao Luxemburgo que tem por sua vez Portugal no Luxemburgo com cada vez mais produtos alimentares portugueses e mesmo um jornal e radio com programa em português – diz alguém que é sensação de estar em casa e regalias sociais – 20% dos habitantes são portugueses – mas vão só os mais novos e se já somos o país mais velho da europa, fica a 3ª (depois de 62 anos) e 4ª idades (depois de 83 anos) a povoar este rectângulo violado pela mair malvadez de todos os tempos do país – o que será assim dos hospitais e comercio em geram se os velhos já nem querem comprar nada ou cada vez menos e quem trata deles – Santana Lopes e a sua Misericórdia ?’ Mas haverá sanidade mental no primeiro ministro e mesmo no PR ?? Pois quem se queixa de falta de crianças e de novos nascimentos não me digam que as velhotas terão de ser inseminadas para ter bebés – FOGO em Montalto na serra da Aveleira – frentes de fogo com kilómetros e o efeito de “chaminé” leva tudo a eito encosta acima – uma corrida contra o tempo por causa da proximidade da noite – já esteve controlado mas voltou – aldeia de Aveleira em perigo – Arganil continua a arder – imagens não editadas – os moradores ajudaram a RTP a chegar ao local
    As 7 praias das melhores das melhores de Portugal – gala às 21-10 20 H em Tróia – com Carlos Malato e Catarina Furtado – há mais de 622 mil votos para definir os 7 ganhadores que fecharam ontem as urnas – e gigantesca escultura de areia – belo no meio do fogo devorador do ministro e da mata a enegrecar – Eusébio de 70 anos estampou-se de carro – Ronaldo e Postiga salvaram a honra da selecção – Show must go on

  4. Pois says:

    Ó Miguel, parece que, para si, defender a escola pública é uma coisa que não lhe diz respeito como português. Certamente pensa, seguindo a mesma linha de raciocínio, que o Serviço Nacional de Saúde é uma coisa que diz apenas diz respeito aos umbigos de médicos e enfermeiros. Doentes e alunos não devem ter relevância, senão como trampa do umbigo. É magnífico que considere que os professores não são mais do que pedreiros… O PM também considera todos por igual: pagam todos a mesma percentagem dos salários, quer tenham o ordenado mínimo ou aufiram milhares de euros. Temos ainda um milhão de analfabetos. Mas estamos a fazer avanços: por miraculoso paradoxo, alguns conseguem em caixas de comentários. Ah! sim, sou professor. Mas também sei linguagem de pedreiro. E é por isso que lhe chamo de filho da puta.

  5. Pois says:

    Só uma adenda, uma vez que a economia do discurso pode induzir a interpretações erróneas. Nada tenho contra os trabalhadores da construção civil. Lamento que sejam explorados e despedidos, tratados como lixo, quando isso acontece. Não só lamento como me revolto. E o meu voto não esquece as classes trabalhadoras. Mas há uma coisa que é preciso que alguns entendam. O desemprego docente não tem paralelo, em termos quantitativos, com o dos pedreiros! O que torna gravíssimo o problema dos professores é que ele se prende, para além do drama pessoal dos afectados pelo desemprego e sobrecarga de trabalho, com uma destruição estudada da escola pública. O que está em causa é um ataque ao Estado social em toda a linha. E é lamentável que tanta gente, tão porteguesmente, em vez de promover a solidariedade entre todos os que são afectados pelas medidas governamentais injustas e violentas, se vire para que julga que está um pouco melhor, ou só recentemente caído na desgraça, e se ponha a desancar. É este espírito mesquinho e sórdido dos portugueses, que o FDP do Miguel epitomiza, que é o responsável, em termos colectivos, pelo estado de coisas a que o país chegou.

    • Miguel says:

      Ao contrário do que você indica, eu defendo com vigor a escola público. Mas defendo ainda mais uma educação de qualidade para todos, livre de professores sem vocação. E você é o perfeito exemplo disso. Pela sua grafia e sua educação, você deve ser sem duvida um excelente professor.

  6. “quem não quer ser lobo não lhe veste a pele”
    Como é que os professores podem esperar acolhimento favorável das suas “reclamações” quando sincronizam a agenda reivindicativa da qualidade do ensino com a – legítima – protecção dos seus postos de trabalho e interesses profissionais? Ao cidadão comum (agora chamado contribuinte…), esta actuação causa alguma perplexidade…
    Seria muito mais benéfico que os professores separassem o máximo possível as suas reivindicações enquanto assalariados, daquilo que é a sua participação profissional como actores de relevo na educação. Porque – voltando de novo ao “cidadão -”, este apenas vê os professores “mexerem-se” quando alguém lhes vai ao bolso, os “despede”, ou toca na tranquilidade (veja-se o que aconteceu com a “avaliação”…).
    Por outro lado, seria igualmente importante que fundamentassem melhor o seu protesto, e repito o que disse aqui: http://aventar.eu/2012/09/07/portugal-tem-professores-a-mais/comment-page-1/#comment-74527

    • António Fernando Nabais says:

      Não é completamente possível separar as duas coisas. O problema é que a Educação, em Portugal, não é assunto que interesse à maioria. De resto, há muito tempo que se anda a avisar para estes problemas: infelizmente, as vozes informadas são pouco ouvidas.

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  1. […] em burocracia, em legislação mal concebida, em alterações constantes, criando um clima de agressão e de instabilidade permanente. Pelo meio, jotinhas, politiquinhos e economistas espalham mentiras como as de que os professores […]

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