O Luto e o Alívio

Mais uma boa crónica de Miguel Esteves Cardoso! Só ele para se lembrar de escrever sobre «coisas» como o alívio.

O alívio é um prazer. Concordo. E é pouco elogiado. Concordo também!

Alívio parece nome de gente! – digo eu.

MEC escreveu ontem: “O alívio é o livramento do medo que acabou por não acontecer, do encargo da ansiedade, da angústia do trabalho depois de feito. (…) O alívio é a liberdade. É o tal grande peso que, num instante mas duradouramente, se alevanta do nosso peito e nos deixa respirar oxigénio puro como se fosse pela primeira (…)”.

Fui ao dicionário ver «alívio» e «aliviar». De «alívio», temos acto ou efeito de aliviar, diminuição de peso, de cor, etc.; descarga. De «aliviar», temos, para além do conhecido «aliviar a tripa», «dar à luz» e «aliviar o luto», que eu não conhecia, e que significa, esta última expressão, começar a usar um vestuário que não é totalmente de luto.

Só há um porém nisto tudo… MEC esqueceu-se de referir o alívio que teremos quando passar esta ansiedade, esta angústia, o desemprego, o luto das farmácias, etc., etc., que o povo português já carrega há muito tempo? Não, não foi esquecimento.
Ele sabe, embora não o diga para não tirar a graça à crónica, que esse prazer os portugueses não terão, infelizmente. Não terão o alívio da crise.
E ainda… o «dar à luz» (do «aliviar»), remete-me para o Natal. Será um alívio termos ainda as batatas cozidas com um «cheirinho» a bacalhau e uma fatia de bolo rei na ceia…
O povo português anda vestido de luto há mais tempo que o desejável. É o luto nacional…
Mas ele luta!
O segundo nome do português é Luto! Luto a vida toda!
O que uma palavra nos faz «reinar»!

Comments

  1. maria celeste d'oliveira ramos says:

    O que uma palavra nos faz andar
    o que uma palavra nos pode fazer emperrar

    PS-João Sarmento em Serralves
    Vasco Pinhol um português na Noruega – trocou Portugal pela noruega com quem “casou” – faz fotografia subaquática


  2. Ando a lutar pela vida no Canadá. Espero que um dia, e a curto prazo, porque a vida são dois dias, possa lutar pela vida em Portugal.
    As crónicas do MEC são fantásticas.

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.