Que Natal?


Ontem cansei-me de prazer, do meio da tarde até ao começo da noite, caminhando pelas ruas do meu Porto. De comboio até São Bento, depois subindo a 31 de Janeiro, com uma cena de ‘civismo’ a empatar o percurso do eléctrico, Santa Catarina, Aliados, Mousinho, Ribeira, e, para findar, travessia da Luíz I para o lado de lá, Gaia, que, na verdade é o meu lado de cá, onde um autocarro veio mesmo a jeito. Éramos seis. Filhas, esposa, irmã mais nova, sobrinho. Especámos a olhar para as montras das lojas mais tradicionais no Bolhão, os queijos, os Barca Velha, os frutos secos, os enchidos, um olhar à Charles Dickens. Não me foi pago o subsídio de desemprego, não há Natal.

Comments

  1. João Riqueto says:

    “No fundo, sinto que a minha vida é sempre governada por uma fé, que já não tenho. A fé tem isto em particular: mesmo quando desaparece, continua a agir.”
    .
    Ernest Renan (1823-1892)

  2. Pois says:

    De que se lamuria? Deixe o seu inamovível governo investido de uma missão histórica, de que o senhor é paladino, fazer o que tem a fazer – esteja calado, não separe os lábios nem para um suspiro, quanto mais para um queixume. Se não há subsídio de desemprego, deve sentir-se orgulhoso, pois está a ajudar o país nesta guerra. É um herói, meu caro, não esteja com merdas. Explique isso à sua família com a verve que caracteriza a sua escrita pelas bandas do Aventar.
    Bom Natal.

    • zeca marreca says:

      É isso. Não seja lamechas, emigre, saia da sua zona de conforto como bem recomenda PPC o mesmo que corta em 6% o Subs. desemprego… é para incentivar os mandriões a arranjar emprego, cambada de sudsidio-dependentes…
      Ou então… então tire a cassete… e seja consequente com as lamurias deste texto…

    • palavrossavrvs says:

      Obrigado pelo comentário.


  3. Caro Palavrossavrvs, no meio dos coitados que são os pobres de espírito, no meio dos cegos que se deixam encandear com a luz ilusória de uma sociedade consumista podre e decadente, no meio dos que têm tantas firmes certezas como castelos de cartas prontos a desmoronar, há sempre quem, de olhos e coração abertos, independentemente das dificuldades que possa ter, consiga ver e amar a vida em todos os seus aspectos apenas por aquilo que ela é, e não por aquilo que ela possa dar.

    Não imagina até que ponto o compreendo!

    Tenha um Natal Feliz, Simples e tão Natural quanto a própria Vida!

    • zeca marreca says:

      Porra!
      O home falou de queijos, enchidos, vinho e uvas passas…
      “Consumismo podre”?
      Pois eu vou agora, vivendo acima das minhas possibilidades, abrir uma garrafa de cabeça de burro e comer uns queijos… pagos pelas contribuições dos portugueses, claro está!

      Cumprimentos à ti Jonet!!!

      • Maquiavel says:

        Queijos e enchidos? Imagino o horror contido nas reacções isabelinas, que na ânsia de procurar aliados até se esqueceu que os queijos são feitos de leite de vacas exploradas, e os enchidos são feitos de porcos esventrados!
        Salvem-se os velhozes, que as abóboras inda não são animais! Mas sem banha, claro!

    • palavrossavrvs says:

      Beijos, Isabel. Subscrevo totalmente o seu comentário.

      Um Santo Natal!


    • “Tenha um Natal Feliz, Simples e tão Natural quanto a própria Vida!”, escreve a Isabel.

      Isabel, estar desempregado e sem subsídio de desemprego é o que associa a uma Vida Natural?

      Como cantava a fadista: “Que estranha forma de vida!”

    • Amadeu says:

      Meu balãozinho balofo cheio de nada. Tão complexadazinha ela saiu. Não admira levares a vida que levas, minha triste Isabel.


    • Comentário chato, palavrossaurius!

      Desejarem-lhe um Natal Simples e Natural como a Vida, sabendo-se que o amigo está actualmente no desemprego e sem subsídio…..

      ?
      !


  4. Pois eu reforço o que foi dito em alguns comentários – não às lamúrias e pieguices. O subsídio de desemprego é um daqueles direitos adquiridos que deve acabar ou ser ainda mais penalizado. É um desafio e abre uma janela de oportunidades ao indivíduo e sua família. Talvez os ascendentes ainda trabalhem e possam ajudar. Talvez sejam também uns malandros que vivem às custas de alguma pensão de reforma que geram ciúme inter–geracional na nossa sociedade, como vamos ouvindo os que estão no poder a dizer.Os “sacanas” como afirmou o frade Fernando Ventura ontem na sic not.

    Também estou desempregado. Hoje o Natal vai ser um dos melhores dos últimos tempos porque sei que estes serão os últimos sacanas que vamos aturar.

    Um Natal cheio de optimismo e força para o palavrossaurius e toda a sua família. Tão bom como o desejo para os meus e para mim e para todos os não-sacanas.

    Espero que os nossos filhos e filhas consigam ultrapassar o que nos divide, apanhem os cacos e continuem a estar atentos e a não se resignarem.

    Se nós nos deixámos separar, que eles se deixem unir.

    Boas Festas!

    http://sicnoticias.sapo.pt/programas/edicaodanoite/2012/12/23/frade-fernando-ventura-jornal-de-domingo-sic-noticias-com-ana-lourenco

  5. jessica aparecida says:

    obigado deus paz amor jesus feliz natal uma dia festa bom paz amo voces deus gosta! feliz natal….

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