Défice comercial e défice das condições de vida

O Banco de Portugal já tinha revisto em baixa, para – 1,9%, a evolução do PIB para 2013, no ‘Boletim Económico’ de 15 de Janeiro:

banco de portugal_boletim económico_15_01_2013

Segundo dados do INE, publicados aqui e também divulgados pela comunicação social,  no último trimestre de 2012 e em relação ao período homólogo de 2011, as exportações subiram 1% e as importações registaram uma redução de 3%.

De resto, e tomando como base a comparação de períodos anuais (2012 v 2011), sabe-se que as exportações subiram, de facto, 5,8%, contra uma quebra das importações de 5,4% – calcula-se que tivemos um défice comercial de 10.668 milhões na transacção de bens com o exterior.

O detalhe da informação acima transmitida serve, apenas, para demonstrar que, também no domínio das trocas com o exterior, está a tornar-se elevada a probabilidade de incumprimento das metas orçamentais para 2013.

Com efeito, com a desaceleração económica na ‘Zona Euro’ e sobrevalorização do euro face a outras moedas, os objectivos do governo, por muito bem-intencionados que sejam, estão a complicar-se bastante, no domínio das contas públicas do País do ano em curso.

O engrossar diário do desemprego e a quebra do investimento (Formação Bruta de Capital Fixo, – 14,4% em 2012) contribuem para acelerar a queda das importações; mas, igualmente grave, aprofundam a recessão económica e o défice das condições de vida de um número crescente, e já dramático, de milhares de famílias portuguesas.

Da mesma forma que falhou em 2012 em várias frentes, incluindo o défice sobre o PIB que estava programado para 4,5%, depois passou para 5%, e mesmo este último é provisório ou mera propaganda. O Eurostat em Abril próximo é que deliberará se aceita a engenharia financeira de 800 milhões da receita da ANA, a qual, por ser de natureza extraordinária, tende a ser recusada para as contas do défice.

Com todos estes exemplos, clarinhos como a água das fontes, o governo de Gaspar – o Coelho é secundário – ainda teima em levar por diante e de uma penada, com os companheiros da ‘troika’, o golpe de austeridade de 4 mil milhões de euros.

A maioria da população verá agravado o conjunto de duras dificuldades com que se confronta. Safam-se alguns, sempre os mesmos. O Cadilhe, por exemplo, que em dois meses de BPN se abotoou com mais de 10 milhões de euros – para fazer o quê? Nada!

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