Draghi, estrela do Carnaval em Madrid

Draghi em sinal aberto: discurso integral em Madrid

Terra de Carnaval é o Brasil. Terra quente para ‘xuxu’. Onde o Dorival, mascarado de marinheiro, canta, samba e toca o pandeiro, olhando o traseiro da cabrocha que, na frente, se abana e rebola ao som da banda que passa.

Portugal tem um Carnaval de chuva e frio. Do encharcado corso, ficaram as jovens engripadas, atacadas de febre e tosse, pela chuvada e enregelamento que lhes congelou o dorso.

Em Espanha, o Carnaval ainda é mais incipiente. Comemora-se mais no Sul – Cádis, Múrcia e Valência – e nas Ilhas Canárias. Todavia, Madrid este ano fez questão de contratar uma vedeta de renome, Mário Draghi, presidente do BCE e ex-Goldman Sachs. De resto, ao serviço desta sinistra instituição financeira, ficou inscrito no ‘curriculum’ de Draghi como se deturparam as contas na Grécia. O feito deixa orgulhoso qualquer financeiro especialista em trapalhadas; não sendo excepção o italiano, nascido em Roma. Se fosse natural de Palermo, ninguém ficaria apalermado.

A jornada carnavalesca de Draghi em Madrid foi descrita com detalhe pelo El País.  Destacamos a seguinte passagem do discurso após visita ao Congresso:

Eu vim para escutar e também reconhecer todos os esforços que estão a ser realizados em Espanha. Estamos plenamente conscientes de que a população está passando mal, como aqueles que perderam seus empregos,

ao que acrescentou:

Fez-se muito, na banca e em matéria laboral onde a reforma melhorou claramente a flexibilidade…

O homem, afinal, apenas disse verdades. Hipocritamente, mas disse. De facto “a população espanhola está passando mal”, “fez-se muita pela Banca” (100.000 mil milhões, até aqui) e garantiu o desemprego a cerca de 6.000.000 de espanhóis (agora com flexibilidade total para viver na miséria, em filas para comer qualquer coisa por caridade e para, se necessário, irem até ao suicídio por falta de meios para pagar as casas).

É, de facto, este o mundo da pobreza, ou mesmo da miséria, em que os espanhóis, que não são gregos, estão mergulhados. É este igualmente o padrão de sociedade com que Gaspar e Coelho estão motivados para nos agravar o sufoco que já sentimos. É este o resultado de um poder ultraneoliberal que nunca perdeu as rédeas do mundo, não obstante ser responsável, por falta de regulação, da maior crise do sistema financeiro internacional, semelhante ou pior que a dos anos 30 do século passado. Os meios para a dissimular, nomeadamente, os tecnologias de informação e comunicação estão a anos luz de distância do que havia há 80 anos.

Em respeito pela ética democrática, Draghi fez questão, tal como a Galvão, de não haver colheita de som e imagens do que disse na Conferência de Madrid – o método, ao que parece, está na moda. No entanto, tramou-se. O partido ICV da Catalunha gravou a intervenção e divulgou-a em vídeos no ‘youtube’. No topo deste ‘post’, exibimos o vídeo integral, mas podem aceder aos parciais no ‘site’ do youtube.

Comments


  1. a nova estrela do carnaval é o Bento XVI

    LOL

  2. maria celeste ramos says:

    Fantástica esta juventude que trata o Papa tu cá tu lá
    A degradação socio-cultural tem muitas vias de se manifestar
    Prefere Putin os os skinHead ?? como heróis da sua juventude e formação cívica e espiritual ?’


    • o Papa é apenas o chefe dum estado corrupto e duma crença religiosa.
      Esse estado e essa crença não se coíbem de tratar tu cá, tu lá tudo e todos.
      Não se coibiu de percorrer ruas, qual bando de arruaceiros skin-head gritando palavras de ordem de ódio a homossexuais.

      Quer impor, inclusive pela força, leis que apenas dizem respeito ao seu próprio ponto de vista.

      SIM ! tenho o direito de tratar papas como trataria qualquer fanático arruaceiro que desrespeita a opinião alheia.

      Passe bem !


  3. Paulo,

    A emissão de moeda (fiduciária), o crédito como base de crescimento económico, e a importância do “multiplicador monetário” são teorias partilhadas pelo keynesianismo e pelo monetarismo. A partir daí segue-se a impressão de papel a partir do nada a que chamam “dinheiro”, para promover o consumo mas que, basicamente, apenas serve para criar bolhas e inflacionar a bolsa. Depois as bolhas especulativas rebentam e todos ficam mais pobres exceto os banqueiros. Nada disto é liberalismo económico.

    Pelo contrário, segundo a teoria (económica) liberal, o crescimento económico deve assentar exclusivamente na produção e só pode ser financiado por capital acumulado através da poupança. Só assim a economia pode crescer de forma sustentada, saudável, sólida, sem bolhas especulativas.

    Para os keynesianos e para os monetaristas, os Bancos não podem ir aa falência. Para os liberais, os Bancos não só podem ir aa falência como devem ir aa falência.

    Draghi é estimado entre os keynesianos, entre os socialistas. Pelo contrário, os economistas liberais apontam Draghi no BCE e Bernanke no Fed e as politicas de impressão de papel que ambos advogam para “salvar” a economia, e sobretudo para salvar os Bancos, como a razão fundamental do prolongar da crise tanto na zona euro como nos EUA.


  4. Se o BCE não desempenha o papel de credor de ‘último recurso’, utilizando mecanismos de financiamento dos Estados através da banca, com altos lucros e sem riscos para esta, comparar Draghi a Bernanke não tem sentido. Seguem caminhos diferentes. Bernanke, por conversão, aproxima-se de um ‘new-keynesinian’.
    A discussão, contudo, é muito mais complexa para ser mantida por este meio.
    Grato pelo comentário.

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