Constituição da República Portuguesa (lembretes)

Princípios fundamentais

Artigo 1º
(República Portuguesa)

Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.


Artigo 2º
(Estado de direito democrático)

A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.


Artigo 3º
(Soberania e legalidade)

1. A soberania, una e indivisível, reside no povo, que a exerce segundo as formas previstas na Constituição.

2. O Estado subordina-se à Constituição e funda-se na legalidade democrática.

3. A validade das leis e dos demais actos do Estado, das regiões autónomas, do poder local e de quaisquer outras entidades públicas depende da sua conformidade com a Constituição.

(…)

Artigo 9.º
(Tarefas fundamentais do Estado)

São tarefas fundamentais do Estado:

a) Garantir a independência nacional e criar as condições políticas, económicas, sociais e culturais que a promovam;
b) Garantir os direitos e liberdades fundamentais e o respeito pelos princípios do Estado de direito democrático;
c) Defender a democracia política, assegurar e incentivar a participação democrática dos cidadãos na resolução dos problemas nacionais;
d) Promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses, bem como a efectivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, mediante a transformação e modernização das estruturas económicas e sociais;
e) Proteger e valorizar o património cultural do povo português, defender a natureza e o ambiente, preservar os recursos naturais e assegurar um correcto ordenamento do território;
f) Assegurar o ensino e a valorização permanente, defender o uso e promover a difusão internacional da língua portuguesa;
g) Promover o desenvolvimento harmonioso de todo o território nacional, tendo em conta, designadamente, o carácter ultraperiférico dos arquipélagos dos Açores e da Madeira;
h) Promover a igualdade entre homens e mulheres.

(…)

Artigo 13º
(Princípio da igualdade)

1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

(…)

Artigo 19º
(Suspensão do exercício de direitos)

1. Os órgãos de soberania não podem, conjunta ou separadamente, suspender o exercício dos direitos, liberdades e garantias, salvo em caso de estado de sítio ou de estado de emergência, declarados na forma prevista na Constituição.

2. O estado de sítio ou o estado de emergência só podem ser declarados, no todo ou em parte do território nacional, nos casos de agressão efectiva ou iminente por forças estrangeiras, de grave ameaça ou perturbação da ordem constitucional democrática ou de calamidade pública.

3. O estado de emergência é declarado quando os pressupostos referidos no número anterior se revistam de menor gravidade e apenas pode determinar a suspensão de alguns dos direitos, liberdades e garantias susceptíveis de serem suspensos.

4. A opção pelo estado de sítio ou pelo estado de emergência, bem como as respectivas declaração e execução, devem respeitar o princípio da proporcionalidade e limitar-se, nomeadamente quanto às suas extensão e duração e aos meios utilizados, ao estritamente necessário ao pronto restabelecimento da normalidade constitucional.

5. A declaração do estado de sítio ou do estado de emergência é adequadamente fundamentada e contém a especificação dos direitos, liberdades e garantias cujo exercício fica suspenso, não podendo o estado declarado ter duração superior a quinze dias, ou à duração fixada por lei quando em consequência de declaração de guerra, sem prejuízo de eventuais renovações, com salvaguarda dos mesmos limites.

6. A declaração do estado de sítio ou do estado de emergência em nenhum caso pode afectar os direitos à vida, à integridade pessoal, à identidade pessoal, à capacidade civil e à cidadania, a não retroactividade da lei criminal, o direito de defesa dos arguidos e a liberdade de consciência e de religião.

7. A declaração do estado de sítio ou do estado de emergência só pode alterar a normalidade constitucional nos termos previstos na Constituição e na lei, não podendo nomeadamente afectar a aplicação das regras constitucionais relativas à competência e ao funcionamento dos órgãos de soberania e de governo próprio das regiões autónomas ou os direitos e imunidades dos respectivos titulares.

8. A declaração do estado de sítio ou do estado de emergência confere às autoridades competência para tomarem as providências necessárias e adequadas ao pronto restabelecimento da normalidade constitucional.

(…)

Artigo 21º
(Direito de resistência)

Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.


Artigo 22º
(Responsabilidade das entidades públicas)

O Estado e as demais entidades públicas são civilmente responsáveis, em forma solidária com os titulares dos seus órgãos, funcionários ou agentes, por acções ou omissões praticadas no exercício das suas funções e por causa desse exercício, de que resulte violação dos direitos, liberdades e garantias ou prejuízo para outrem. (…)

CONT.

 

Comments

  1. Observador says:

    Bom trabalho para lembar quem está esquecido, para lembrar quem não sabe ou faz que não sabe e ainda para lembrar aqueles que que querem fazer de conta que só eles é que sabem o que lhes interessa. Parabens.

  2. vitor cambra says:

    Parabéns.

  3. Carlos Fonseca says:

    ‘Post’ oportuno e útil. Lembrar é preciso,Os decisores políticos ora se esquecem, ora desrespeitam os deveres da governação decorrentes da CRP e, consequentemente, os direitos de cidadania.
    O golpe de autoria do Teixeira Pinto, monárquico mas constitucionalista republicano, não resultou, não impedindo que, de volta e meia, as investidas inconstitucionais do governo sejam despudoradamente tentadas e, diga-se, por vezes conseguidas – CES, por exemplo.

  4. xico says:

    Tem graça que logo os dois primeiros artigos da constituição são uma contradição de si mesmos….

  5. SERÁ QUE A CONSTITUIÇÃO NOS DEFENDE ? SERÁ QUE A CONSTITUIÇÃO É SEMPRE CUMPRIDA , COM ISENÇÃO ,
    SOBRETUDO PELOS PROCURADORES E JUÍZES ?
    TENHO MUITAS DÚVIDAS , PORQUE MUITAS VEZES OS MA-
    GISTRADOS PASSAM POR CIMA DELA CONSTITUIÇÃO E OU-
    TRAS LEIS , UTILIZANDO A SUA INTERPRETAÇÃO PEESOAL ,
    QUE PODERÁ DAR MILHENTAS INTERPRETAÇÕES A MESMA
    LEI E DA PRÓPRIA CONSTITUIÇÃO .
    E COMO ALGUÉM OBSERVOU OS DOIS PRIMEIROS ARTIGOS
    DA CONSTITUIÇÃO PARECEM SER CONTRADITÓRIOS .
    AS LEIS DEVEM SER BEM OBJECTIVAS , SEM MARGENS PARA
    RODEIOS , PORQUE ASSIM NÃO SÃO SÉRIAS .

    • simplesmente, os juiz do tc também são funcionarios publicos e também perdiam um mês de salário. o resto são tretas.

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