Dúvida   governamental

Um governo que pretendia governar com outra constituição será constitucional, ou foi sempre um governo provisório?

A explicação da dívida e de porque não a vamos pagar

A prova de uma evidência, passe a expressão: nunca pagaremos a dívida, e também por isso deve ser denunciada e renegociada, também porque esta política económica não a faz descer. Este gráfico foi publicado por Francisco Louçã, e fica aqui juntamente com a sua explicação: previsao divida publica fmi

No último “Tabu”, na SicN, usei este gráfico, que aqui fica para ser estudado por quem quiser. A vermelho está a previsão da evolução da dívida pública portuguesa, segundo a folha Excel que o FMI utiliza (e que foi descoberta e revelada pela Iniciativa para a Auditoria Cidadã), e a azul o efeito nos cálculos do FMI se introduzirmos as previsões do Banco de Portugal para 2013 e 2014 (e uma versão optimista de evolução posterior em estagnação se a mesma política se mantiver). [Read more…]

Timing errado

Até nisso somos uns tristes. Uma semana atrás e seria uma inspiração quase divina – sexta feira santa o Tribunal Constitucional matava o Governo, no sábado acontecia a visita ao sepulcro e no Domingo de Páscoa o Passos falava ao país.

Cavaco reitera. Mas não entende.

O Presidente da República reitera o entendimento de que o Governo dispõe de condições para cumprir o mandato

O que vai Passos dizer a Cavaco

– E agora a Angela vai-me dar com a palmatória e ainda acabo de castigo no canto da sala…

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Recomendações para presidentes que não querem ser vistos

Passos Coelho está a caminho de Belém e quer esclarecimentos.

 

Sonhando com botas cardadas

O Tribunal Constitucional levantou as lebres fascistóides.  Pode ser que sejam caçadas, pela sua própria geração.

Nêsperas

Enredados no embrulho dos dias, tendemos a esquecer-nos que existem coisas verdadeiramente importantes que nos parecem menores.

Mas não, nem menores, nem dispensáveis, bem pelo contrário. A nespereira que tenho no quintal está vergada sob o peso delicioso das nêsperas. Eu vou-as comendo com parcimónia, apenas porque não consigo resistir-lhes. É que gosto mesmo, mesmo, quando começam a enrugar ligeiramente e a enegrecer suavemente por fora. Então sim, é estender a mão, descascá-las e comê-las imediatamente, ali mesmo, debaixo da árvore.

Menores? Neste caso as menores são as melhores, mais doces e com os perfumes mais concentrados. Sabem que mais? Que se lixe a Troika, diria Pessoa, se tivesse conhecido a nespereira do meu quintal, e acrescentaria:

Come nêsperas, pequena;
Come nêsperas!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão nêsperas.

E eu, que não o deixaria sozinho a acabar-me as nêsperas do quintal, responderia com a boca cheia, cuspindo caroços:

-No tempo delas, Fernando, no tempo delas!

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E que tal mudarem de povo?

A extrema-direita que nos governa, eleita com uma campanha que em poucas semanas virou um chorrilho de mentiras, chora agora a maldita Constituição. Compreende-se: na Assembleia Constituinte eleita com a maior participação eleitoral de sempre o então PPD ainda tinha gente que acreditava na social-democracia, e mesmo o CDS que votou contra ainda continha um ou outro democrata-cristão.

Assaltados esses partidos pelos herdeiros da União Nacional, e agora disfarçado de um liberalismo que tenta esconder como no séc. XIX teriam sido absolutistas, a Constituição, e a democracia, são aborrecidos entraves à restauração plena do regime anterior: destruição do estado social, dos direitos conquistados por quem trabalha, regresso aos bairros de lata e aos baixos salários inversamente proporcionais aos enormes lucros.

Como já uma vez por aqui escrevi, só têm uma coisa a fazer: saírem da sua zona de conforto, deixarem-se de pieguices, e partirem para a conquista de dois terços dos deputados. Não dá? olha que chatice, emigrem.

Mala

Desta vez é no prato

Governo vai promover o polvo.

A Montanha Pariu um Ratton

Um nefelibata Ratton. É uma vitória de Pirro. Um grupo hirto e obsolescente de jogadores de xadrez move as peças, fazer xeque ou não fazer xeque?, meses para excretar finalmente um xeque-mate, placidamente, em plena invasão, a cidade a arder, homens e mulheres trespassados, muros que se desmoronam. Há quem cante e celebre o Ratton que a montanha pariu, mas a derrota nacional decorre e virá, em todo o seu esplendor, lá mais para diante, não parecidos, mas iguais, os mesmos que gregos, cipriotas, pobre gente vitimada a quem nenhuma Constituição enche a boca e mata a fome.

E o burro sou eu?!

A política tornou-se a arte da mentira, generalização – ou sublimação – da arte de enganar. É por isso que, quando Teresa Leal Coelho diz que o PSD ficou perplexo com a deliberação (o acórdão) do Tribunal Constitucional, eu apenas verbalizo: “E o burro sou eu”?!