Se Há Diálogo, Não Há Ruptura

E pronto. Telefonema daqui, post dacolá, euroapertão dacoli e o discurso político de Seguro arredonda-se. De dia para dia, vai completando o círculo quadrado do consenso necessário com a Quadroyka [FMI, BCE, CE, Governo Passos]. Quanto mais convergência verificarmos no arco desavindo da governação, melhor respirará Portugal, por mais apertado que se veja no colete de varas das contas públicas e das exigências inflexíveis dos credores.

Expressões ainda recentes, rescendentes de insanidade, como «ruptura», «eleições antecipadas», «parar de escavar», «acabar com a austeridade» já estão a dar lugar a outras como «abertura ao diálogo», «consenso social e político mínimo»; «sentido de responsabilidade do PS», «respeito pelos compromissos internacionais assumidos», «austeridade inteligente».

O radicalismo partidocrático socialista mais recente vai acalmando, portanto. Era uma escada descendente para um tipo de loucura abaixo-de-grega, Vertigem pelo Vazio, coisa a que só quem não passa fome poderia apelar. Estratégias suicidárias no concerto do Euro, poses descolonizadoras à tolo, só mesmo prebendistas e diletantes como os soares, os marinhos e pinto, os raivoso-pachecos, mas também partidos que não se chegam à frente a fim de aspirarem à Governação, como os Berloques Residuais e Inconciliáveis de Esquerda, PCP e BE. Acalmam e recuam todos os que colocam a mão atrás dos arbustos da agitação, do Golpe de Estado Piroso, e morra Sansão e quantos aqui estão. Como um exorcismo que corre bem, pois a vítima pára de uivar.

Porquê? Por causa do dinheiro! Não haver dinheiro é tramado. Ameaçar e bater o pé aos que têm o dinheiro é um jogo temerário e perigoso. Não poder ser impresso à discrição, como Soares levianamente cogita babando no DN, é horrível. Não poder ser extorquido ao BCE à vontadinha, um verdadeiro problema.

E, no fim de contas, é essa elementaridade e só ela a impor juízo às elites de merda que dominam a opinião no País, em obediência à manufactura política do País, ao serviço da finança do País.

Comments

  1. AACM says:

    Sem tirar nem por. Os meus parabens.

  2. nightwishpt says:

    “O radicalismo partidocrático socialista mais recente vai acalmando, portanto.”
    Portanto o racional e não radical é tirar todo o poder aos cidadãos do país e aceitar transformar o país num país em vias de subdesenvolvimento controlado por empresas estrangeiras e por uma banca aristocrática.

    Mas tá tudo doido?

    • palavrossavrvs says:

      Homem, evidentemente que devemos lutar contra isso, com revolta e unidade. Mas já percebeste que, rebocados pelas pessoas, não serão os partidos da mesma partidocracia a romper com aquilo mesmo que assinaram, pois não?!

      Ler bem, eis o que sugiro, Night.

  3. Amadeu says:

    A seguir a Sócrates, na galeria dos monstros Homo socialistus, o recém chegado … Seguro.
    Com Seguro, até os saurópodes ficam erectus.

    http://youtu.be/2e7U3hu4A0I

    • palavrossavrvs says:

      Amadeu, apetecia-me dizer-te para ires mudar a fralda, não fosse notar que gostas de mim. Tudo isto, este zelo, esta fidelidade, só pode ser amor por mim.

      Obrigado.


  4. “Ameaçar e bater o pé aos que têm o dinheiro é um jogo temerário e perigoso”

    Não me parece que é temerário nem perigoso porque o dinheiro simplesmente não está cá. Emigrou.

    • palavrossavrvs says:

      «Temerário» significa um tipo de coragem desproporcional para fraco relativamente aos perigos a enfrentar: exactamente, o dinheiro não está cá. Está a fluir todo para a Banca alemã.

  5. Paulo Sarnada says:

    Joaquim,
    Parabéns pela reflexão. Cheguei també a essa conclusão.
    A minha decisão civica é protestar também contra este regime. Estou fora do jogo eleitoral de 4 em 4 anos. A minha paciência-fé- beenficio da dúvida, com esta gente dos partidos ESGOTOU.
    Agora é só decidir se voto nulo ou em branco.


  6. “…todos os que colocam a mão atrás dos arbustos…”

    Uma referência ao PR?


  7. “O radicalismo partidocrático socialista mais recente vai acalmando…”

    Qual radicalismo?

    • palavrossavrvs says:

      Aquele que apelava a eleições antecipadas, isto é, inventar um porto no meio do oceano proceloso da crise.


      • Ah, bom. Estou a ver melhor o que entende por radicalismo.

        A crise política, institucional , económica e social que vivemos pode continuar; o dar novamente aos cidadãos o poder de votar é radicalismo.

        Em desacordo.


      • Tem toda a razão.Neste momento nada se beneficia com eleições antecipadas, pelo contrário. Quanto a mim essa realidade tem de ser encarada doa a quem doer!


  8. Vou acabar com as citações do seu texto porque não o entendo, mesmo.

    • palavrossavrvs says:

      O que é que o Luís não entende? Falo do radicalismo renegocionista do Memorandum of Undertanding Portugal visto de fora, o que é muito mais grave e perturbador que o que possamos perceber ou antecipar cá dentro.


      • Você está cheio de medos de radicalismos, de jogos perigosos e temerários e do Portugal visto de fora.

        Os medos são importantes na vida, mas ficar paralisado por esses medos é que me parece perigoso.

        Leia alguma da imprensa internacional. Não me parece que estejamos assim tão mal vistos. Se por “fora” se refere à troyka, é uma análise um bocado restrita. Para além disso, se se quer cobrar dívidas, o melhor é cautela.

        • palavrossavrvs says:

          Concordo. Mas, ainda assim, não é a opinião externa extra-Troyka favorável a Portugal que nos financia. Temos razão. A Troyka é uma máquina de destruição massiva e cega, mas é dela [e não da Rússia ou do Brasil] que tem vindo o nosso resgate e foi com ela que entabulámos compromissos.


          • Mas se houver uma conjugação de esforços dos países em dificuldade, juntamente com o apoio e suporte de tantas outras vozes por esta europa fora, creio que algo pode ser feito contra as máquinas de destruição massiva e cega, como lhes chama.

            O actual governo nunca tentou esta comunhão de esforços e reprovou qualquer movimentação e estratégia nesse sentido. A justificação é que éramos bons alunos e cumpridores.

            Pelos vistos, esta coisa do sermos bons alunos e cumpridores não está a surtir qualquer efeito. É só prestar atenção ao que diz o ministro das finanças alemão e mais o nosso compatriota Durão Barroso que se prepara para mais um mandato.

  9. adelinoferreira says:

    Palavrossavrvs, não consegues ser o general
    da guerra que(dizes tu) que é a bloga.Gastas
    muita tinta a dizer mal de tudo e todos,não
    consideras nas tuas opiniões o tempo e o
    espaço.És um revoltado,que como todos per
    dem o equilibrio.Acho que percebo o que és
    politicamente e por isso apenas te digo ilimina
    a raiva e serás mais feliz (sem guerra).

  10. palavrossavrvs says:

    Luís, por que motivo não há quem lidere um movimento de renegociação global dos processos de ajustamento quer dos Países intervencionados quer dos pré-intervencionados?

    Está tudo à espera de quê e de quem? A França, com Hollande, era suposta liderar esse movimento que temperaria com crescimento e emprego a austeridade alemã. Onde está a liderança da França?

    A Banca alemã deve ser muito persuasiva.

    A Espanha olha para Portugal com admiração e até inveja, dado o extremismo do caminho austeritário seguido cá, agora que nos preparamos para ir ainda mais longe que o ir além da Troyka inicial. Onde está a liderança da Espanha?

    A Banca alemã deve ser muito persuasiva.

    Pode o Chipre liderar? Não. Demasiado insignificante. Pode a Grécia? Não. Demasiado descredibilizada. Quem pode, pois, liderar uma Federação de Países Falidos e Pré-Falidos?

    O Luís acha que é Portugal. Ora, o perfume do prestígio para uma tal liderança seria não apenas o cumprimento escrupuloso de bom aluno, mas finalmente bons resultados que se esvaem por entre os dedos, pois a receita é devastadora por princípio e enquanto método.

    Precisamos de bons resultados no nosso ajustamento e na nossa economia. Vivemos um dilema: mais obediência fatal e silenciosa, tipo Gheto de Varsóvia, para termos alguma força negocial ou uma ruptura de Regime com a Gestapo com efeitos perversos do tipo Reichskristallnacht?

    • nightwishpt says:

      Não, o que a gente acha é que podem ser esses todos juntos, tem é que alguém bater com o pé no chão.

  11. José António says:

    Discordo desta colagem radicalismo/consulta popular. A democracia é a melhor saída para legitimar uma nova solução governativa, porque estes que lá estão, logo nas semanas seguintes às eleições, atraiçoaram o voto de todos aqueles que os levaram ao poder. Os palhaços que lá estão viciaram a democracia, serviram-se dela para, e o palhaço presidente olha para o lado e analisa o sorriso das vacas.
    Ainda se ao menos víssemos uma estratégia de ataque aos problemas que se pudesse dizer razoável, já nem digo exemplar, mas não, é sempre a dar porrada no pobre e a andar com paninhos quentes com a banca, os vigaristas e a salvaguardar o deles. Portanto eleições antecipadas deviam acontecer já.

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