Plataforma Democrática do Povo – PDP

PDP

Ouvi falar deles pela primeira vez na Manifestação do dia 2 de Março no Porto. Gostei do que ouvi. Cansada da alternância não democrática em que vivemos, buscava uma alternativa fidedigna em que acreditar e a PDP pareceu-me sê-lo.

Assinei o documento em que se solicita a legalização da PDP como partido político.

Trouxe o endereço do site e fui pesquisar. Confirmei o que me tinha parecido. Os princípios, o programa, toda a base ideológica da PDP são exactamente aquilo em que acredito.

Tornei-me membro do grupo na página do Facebook.

Há muito que alinho pela ideia de que a sociedade e a forma como se faz política só podem ser alteradas com democracia efectiva. E uma democracia efectiva tem que assentar na participação de todos e na responsabilização das decisões tomadas. É também isso que a PDP defende.

Não sou, ao contrário do que já me acusaram de ser, contra os partidos políticos ou contra os políticos. Nem pensar! Partidos e políticos são necessários e fazem falta, creio. Sou contra estes partidos e estes políticos. Salvo raras, muito raras excepções, toda a forma de fazer política no nosso país está ferida de morte, aguardando a machadada final, que o nosso povo, como sempre tímido e pouco crente na sua força invencível, se recusa a dar. De momento, nenhum dos partidos existentes me «fala ao coração». Todos fazem parte do mesmo sistema e todos vivem nele. Da esquerda à direita, ninguém arrisca nada, receando perder o conforto em que estão instalados. Não pode ser. Os tempos são duros. Exigem medidas e atitudes duras, mas justas. Políticas feitas também com o coração, embora haja compromissos inevitáveis e erros passados que necessitam de ser remediados ou resolvidos.

Temos um problema grave de má gestão do país. Gestão danosa. Má gestão feita propositadamente para prejudicar o país, prejudicando todos, e beneficiando apenas alguns «sortudos». Se isto acontecesse numa empresa privada, o que teria acontecido aos gestores ou trabalhadores que fizeram isso? Que me teria acontecido a mim se eu tivesse, quando trabalhei no sector privado, e foram vários anos, se tivesse usado o dinheiro da empresa, e até poderia tê-lo feito, para fazer malabarismos financeiros? Que me teria acontecido se eu, em nome da empresa, tivesse negociado «luvas» com fabricantes e fornecedores?

O Estado não é uma entidade abstracta que está lá longe e que pode ser vigarizado o tempo todo. O Estado sou eu, é a Dª Virinha da limpeza, é o Sr. Mendes merceeiro, é o Sr. Alexandre padeiro, é a Dª Isabel empresária,  é a Drª Agripina dentista. E nenhum de nós, nas nossas vidas privadas, admite ser vigarizado. E também, acredito, uma grande parte de nós não admite vigarizar outros. Então por que aceitamos isso dos nossos empregados políticos? Nós, todos nós, pagamos-lhes os salários e eles agem como se fossem os donos da empresa.

Aqui há tempos ouvi uma senhora que falava da mulher-a-dias que lhe limpava a casa havia vários anos. Dizia ela que sabia que a senhora lhe surripiava umas coisitas sem grande importância de lá de casa, mas que não a mandava embora, porque pelo menos sabia exactamente o que a empregada lhe roubava e, se arranjasse uma nova empregada, o roubo poderia ser maior e mais dissimulado. E ela precisava mesmo de alguém para lhe limpar a casa…

É necessário e urgente correr com estes empregados. Despedi-los com justa causa, sem direito a indemnizações. E encontrar novos funcionários. Pessoas competentes e honestas. Pessoas que nos digam claramente o que vai ter que ser feito, mas que tenham alguma coragem para afrontar certos poderes instalados. Pessoas que nos ouçam e nos valorizem porque somos todos parte interessada. Porque eu não quero que o meu patrão vá à falência. Se ele for à falência, eu vou para o desemprego. Eu não quero que os meus empregados se sintam desprezados, eles que sabem fazer o seu trabalho como ninguém. Não! Eu quero valorizá-los. Quero que produzam mais e melhor. Que trabalhem com afinco e qualidade. Se eles trabalharem mal, eu vou à falência.

Por tudo isto, eu acredito verdadeiramente que a PDP pode ser uma solução para o país.

E como acredito tanto e tão veementemente, eu, que nunca me interessei muito por política, eu, que nunca estive envolvida em nenhum partido (salvo uma fugaz e divertida incursão no Partido Humanista, de que me recordei recentemente), eu, que sempre quis distância de tudo isso, embora até já me tenham convidado directamente para canalizar as minhas energias para um certo activismo político, eu, faço neste momento parte dessa Plataforma que se pretende Partido.

Não será um partido de alternativa, que isso soa a tauromaquia e eu sou contra as touradas. Será um partido de competência, um partido de justa participação activa dos eleitores, um partido onde todas as vozes contam. Estou cansada de falar para o tecto. Quero ser ouvida. Tenho a certeza de que muitos de vós, meus caros Aventaleitores, sentis o mesmo.

Vai ser fácil? Não tenho ilusões. Será difícil, extremamente difícil. Está a ser difícil. As pessoas desconfiam quando ouvem falar de partidos.  Acham que são mais uns quantos à procura de tacho. Com toda a razão. Perante tudo o que tem acontecido, realmente só se pode pensar assim. Não é o caso, garanto-vos. Há muitos cuidados para que não se caia nos erros do passado.  Há um grande empenho em, mais do que agitar as águas, fazer a sua total renovação. Fazer uma limpeza geral. E começar de novo, aproveitando o que de bom já existe e produzindo uma democracia verdadeiramente democrata, activa e participativa. Só assim se entende a verdadeira democracia.

Com tanta incompetência e tanta falta de visão e de paixão na política que se faz hoje, tornei-me partido-céptica, embora saiba que necessitamos de (bons) partidos. Preferia que nos mantivéssemos como uma Plataforma (reparem que uso a primeira pessoal do plural). Um grupo. Mas para fazer a mudança, temos que estar dentro do «sistema», o que quer que isso seja para cada um de nós. A mudança faz-se a partir do interior. Tem que ser bem pensada e estruturada e sempre do núcleo para o exterior. Para isso, para termos a oportunidade de fazer uma mudança para as pessoas e com as pessoas, a PDP está a fazer recolha de assinaturas para a sua legalização como partido político. Quem concordar com os seus Princípios e com os seus Estatutos, pode assinar o respectivo formulário aqui. Se estiverem realmente interessados em fazer parte activa da mudança, podem organizar uma recolha de assinaturas numa determinada área geográfica ou tornar-se dinamizadores PDP.

Que a Força e a Coragem sejam connosco. Portugal precisa de todos nós. Portugal é todos nós.

Comments

  1. Rui Manuel Lopes da Cruz says:

    Conversa da treta. Branquear as atitudes dos únicos partidos que tiveram poder de decisão neste país. (PSD CDS e PS). Os partidos não são todos iguais, assim como os politicos. Agora que não permitem colocar os partidos que não são iguais na decisão, isso já é outra coisa. Pois esses partidos existem (PCP,BLOCo e VERDES). Não me venham com esta conversa para embalar incautos.


    • Os partidos existem, não respondem, infelizmente, ao que os portugueses desejam (bem ou mal). Os portugueses não querem um regime comunista, por exemplo, isso é claro nas diversas eleições desde o 25 de Abril.

      Os portugueses desejam, na minha opinião, um regime tipo social democrata. A questão seguinte é se de facto há dinheiro para um regime desses. Eu penso que sim, se eliminarmos o nepotismo, a corrupção e as rendas que os estado paga aos grupos económicos, ao mesmo tempo que se elimina o desperdício do estado, então talvez isso seja possível.

      Penso por isso, que há espaço para termos outros partidos.

      Notar: não pertenço a nenhum partido ou movimento.


    • PCP e Bloco de esquerda? Por acaso no seu regime interno e externo são diferente dos outros? Peço desculpa mas li os estatutos de todos eles e não vi diferenças de monta. São na aplicação da democracia iguais. Aliás não foi o PCP que disse que não concordava com a eleição de cidadãos independentes? É isto democrático? Acham por acaso estes senhores que a inteligência se encontra exclusivamente dentro dos partidos? Treta será continuarmos como estamos a querer algo diferente mas queremos assim mesmo tomar o mesmo remédio.


  2. Gostaria de assinar uma qualquer petição, (ou chame se o que se quiser) que tivesse inscrito um programa ou um conjunto de principios MINIMOS que contivesse um projeto de entendimento entre os partidos de esquerda (PS; PCP, BE). Seria uma forma da sociedade civil “obrigar” a esquerda a uma plataforma para trabalhar tal entendimento. Essa força de pressão penso que pelo menos haveria de distinguir quem e quem não quer contribuir para uma solução DENTRO do quadro já existente.

    Estas novidades, como a que refere, estão, no meu entender, destinadas aos ostracismo. Exemplo? A quantidade de vezes que se fala da impossibilidade do Meneses e do Seabra se candidatarem, porque o Movimento Revolução Branca se mexeu. No entanto nas noticias da “bandidagem jornaleira” raramente o MRB é referido.
    Depois, estes movimentos e quejandos começam a surgir como cogumelos, o que me parece péssimo sinal.
    Com esta comunicação social vendida aos “donos” interpretada por baldaias, ze fernandes, judites, crespos, cecilias, cristinas, ines (s lopes) etc., etc, não iremos a lugar nenhum.
    Sei que tudo o que digo pode parecer uma utopia mas sempre simpatizei com elas porque acredito que podem mover o mundo.

    • nightwishpt says:

      O PS é de esquerda? Não me lembro de alguma vez ter defendido os trabalhadores.


      • Quanto a mim um dos principais problemas dos partidos actuais é que todos eles se afastaram das suas ideologias. Não vemos verdadeiros socialistas no PS, assim como o PSD tem nas suas direcções muito pouco de social democracia. O CDS então… nem é bom falar. E o pior disto tudo é que nenhum tem a coragem de assumir esse desvio. Nem socialistas, nem sociais democratas e muito menos cristãos podem aplicar medidas na sociedade como aqueles que têm vindo sendo aplicadas, porque estas não se coadunam com as ideologias que defendem.

  3. Carlos de Sá says:

    “ausência de uma ideologia [..]” – eis o meu problema perante a PDP. É que o próprio programa da PDP encerra uma ideologia, que parece beber no lema da revolução Francesa. Mas, depois, a confusão instala-se, porque a névoa que envolve questões civilizacionais não referendáveis não deixa perceber onde está a PDP: não é indiferente ser ou não ser a favor da penalização do aborto, ser ou não ser contra o uso de animais em espectáculos degradantes, ser ou não ser pela exclusividade do Estado na propriedade de sectores estratégicos, ser ou não ser pela completa separação do Estado de qualquer confissão religiosa; e por aí fora.
    Eu quero crer que sou de Esquerda; de uma Esquerda que nunca esteve no Poder, salvo quando representada por outrem em raríssimos episódios – na ideia, que não na execução, do Rendimento Mínimo Garantido, por exemplo; como na ideia, que não na execução, do programa Magalhães. É isso que me impede, já, de me associar à constituição do partido político que a plataforma quer ser, embora não concorde que as coisas só se mudam por dentro.


    • Carlos Sá. Penso que não há uma ausência de ideologia. O que há é um conceito que mais importante que as ideologias é a luta pelo bem estar, pela justiça e pelo respeito de todos. Por acaso alguma das ideologias venham elas de esquerda ou de direita é totalmente má ou totalmente boa? A ideologia de PDO baseia se naquilo que chamamos de Humano-democracia. Porque o fundamental é tirarmos o melhor partido da humanidade e acrescentar-lhe a democracia que é afinal nada mais que a vontade do povo.

      • Carlos de Sá says:

        Como disse, há questões civilizacionais que não são referendáveis: se se tivesse plebiscitado a pena de morte, jamais teríamos abandonado essa barbárie. Por isso é que quem se apresenta a eleições deve ter convicções muito fortes acerca das principais questões ideológicas.
        Pois foi justamente por terem mandado a ideologia às urtigas que os partidos do arco do Poder se deixaram infiltrar por tudo o que é corrupto, carreirista e outros adjectivos menos publicáveis. Quando se navega sem rumo, que o mesmo é dizer quando se governa sem orientação ideológica, o naufrágio é mais do que certo – infelizmente quem se afunda é o país, os ratos que se põem ao leme sempre arranjam um bote.


        • Concordo consigo. Mas tem isso a ver com a ideologia ou com convicções?? Não podem pessoas com diferentes ideologias convergir em algumas convicções? Mas vai concordar que há matérias que devem de ser referendadas, certo? Não terão os cidadãos o direito de escolher o caminho por onde querem seguir? Claro que isto também é passível de erros, mas será ior do que aquilo que nos dão hoje?


  4. LUIS COELHO says:

    REPETINDO-ME EU DIGO QUE OU FAZEMOS COMO FIZERAM OS ISLANDESES OU CONTINUAREMOS A AFUNDARMO-NOS, AS QUADRILHAS POLITICAS EXISTENTES TÊM QUE SER DESMANTELADAS. E LEVADOS AO GOVERNO UNS QUANTOS HOMENS BONS, QUE EU ACREDITO QUE AINDA EXISTAM NESTE PAÍS DE CORRUPTOS, FORA DAS QUADRILHAS POLITICAS.

  5. Sarisa says:

    Realmente, dizem que os partidos são todos iguais… Votam sempre nos mesmos, como é que sabem? Cá para mim as pessoas que votam sempre na mesma porcaria, mesmo já lá tendo estado (várias vezes) sem fazer nada de jeito é que são todas iguais! A formatação do cérebro deve ser a mesma para todos esses.

  6. horaciomatos21 says:

    Não me tendo filiado em qualquer partido até aos 37 anos de idade entendo que a filiação num qualquer partido político não é nem deve ser apresentada aos jovens como a associação a um qualquer clube de futebol. É perfeitamente normal que uma pessoa deixe de se identificar e saia de um qualquer partido se esse partido a dada altura abandonar completamente a sua pública linha de orientações e valores.

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