Série Maridos (II)

FRUTOS SECOS

Era um homem pequenino, nervoso, revoltado com as circunstâncias da vida que haviam feito com que, ainda tão novo, andasse pelos dias sem ser marido de ninguém. Naquele jantar, foi ele que tratou de tudo.

– Ai as mulheres de hoje em dia não prestam mesmo para nada!

dizia nostálgico de tempos que não podia ter conhecido, mas cheio de ensinamentos antigos. Foi ele que cozinhou o jantar, ele que o preparou e se manteve de olho no forno, ele que afastou as mulheres da cozinha.

– Ai dá Deus nozes a quem não tem dentes!

Ele, uma maravilha de uma noz, ainda rijinha e estaladiça, bebia cervejas pelos dias por não ter uma mulher para comandar,

– Anda, sai lá daí que tu não percebes nada disto!

para castigar,

– Ai havias de ser minha mulher e ias ver o que te acontecia!

para censurar,

– E ainda dizem que os homens não são bons cozinheiros!

Enfim, um desperdício.

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