Dilma, Morsi e o Dr. Soares

A rua está a falar cada vez mais alto. Gritou na Turquia. Vociferou no Brasil. Berra agora no Egipto, rejeitando um presidente eleito, o islamista Mohamed Morsi, cujos passos políticos foram dados no sentido, não de uma reconciliação nacional, mas de um absolutismo islamizante, pé ante pé, medida ante medida. A rua é soberana no século XXI? Depende. Alguns, na Esquerda Impostora e Nihilista Portuguesa, convocam-na e ela não acontece. Nunca. A não ser que, num primeiro momento, se disfarce de movimento cívico Que se Lixe a Troyka para logo se expor e gerar desmobilização dado o facto de os portugueses odiarem ser manipulados do Sofrimento Real para o Nada Garantido, típico das Esquerdas Raivosas, do BE ao PS. A rua não se empertiga em Portugal. Não acontece em Portugal. Mário Soares, por exemplo, tomando a nuvem por Juno, considerou que os insultos organizados pelo Bloco de Esquerda e os arrufos promovidos pelo PCP, à chegada e à partida dos Ministros em eventos e encontros oficiais, chegariam e sobrariam para derrubar o Governo Passos. Não.

A rua, aqui, é minoritária e até é parva: não se derruba um Governo para instalar em seu lugar o Nada-de-Jeito, dando força à Funfas Catarina, ao Gasoletas Semedo-Morcego, ao Frankenstein Jerónimo. As pessoas vão, sim, trabalhar, pedir à porta dos hotéis e das igrejas, emigram em massa, consideram muito mais útil ir lutar com as armas que têm pela própria vida e por um emprego precário, espécie de raspadinha com prémio, do que servir de gado aos partidos do sistema. Ninguém nos leva ao colo. Nem amigos. Nem família. Nem Igreja. Temos de fazer pela vida. A rua em Portugal não funciona, caso os instigadores dela se proponham trocar o inferno da Austeridade pelo terror de Coisa Nenhuma e Talvez Pior que Nada. Mas no Brasil, por um pouco Dilma e o seu Governo cairiam, se a rua quisesse, excluindo a opinião do dr. Soares, para o qual esses largos milhões de brasileiros zangados talvez mereçam o epíteto de golpistas e a rua brazuca seja epigrafável de ilegítima. O dr. Soares é amigo de Dilma. O dr. Soares não abençoa a rua que execre Dilma.

E agora, no Egipto, é a praça de todas as primaveras árabes, Tahrir, que forceja a deposição de Mohamed Morsi. Não é anarquia. Estão é fartos de tirania. O que os jovens liberais e de Esquerda exigem, liderados pelo socialista Hamen Sabbahi e por Mohamed ElBaradei, é o fim de uma deriva subversiva, mesmo dos pressupostos da democracia, tentação em que caiu a Irmandade Muçulmana sob Morsi. Também os nazis ascenderam à tirania mediante eleições livres e injustas, que nunca mais foram livres nem justas porque não mais aconteceram. O exército, no Egipto, é, portanto, agora a última instância para as aspirações democráticas e laicas do Povo egípcio. Trata-se de um presidente que não resolveu nem a crise económica nem o desemprego, que está nos 13,2%, nem um défice fiscal que escalou para os 48% face ao período homólogo anterior, nem um endividamento externo já vai nos 80% do PIB. Mas há outras razões para um derrube iminente deste Presidente, legitimado em eleições mas logo iligitimado por tal desempenho económico e sobretudo pela deriva islamizante, actos e decisões que configuram alguns tiques de absolutismo religioso. A Irmandade Muçulmana perdeu prestígio. Se ganhou as eleições, há um ano, foi por um sentido de gratidão do eleitorado por longos anos de misericórdia e assistencialismo social, gratidão pouco lúcida, logo traída pela agenda islamizante e pela intolerância e castração de costumes com o que a juventude e os democratas não podem. A rua pode ser soberana no século XXI!

Em casos extremos, o Parlamento pode e deve ser, por vezes, uma avenida da Liberdade repleta [Teria sido belo derrubar o segundo Governo Sócrates Fajuto com quinhentos mil a pedi-lo uma semana inteira nas praças e acessos da Capital]. Portugal, Brasil, Egipto: a menos que o dr. Soares não passe de um tonto hipócrita, dir-se-ia que o Povo-Rua só é soberano em Portugal, neste momento, contra a Agenda Austeritária da Troyka e contra o Governo de Direita. Não o seria contra um Governo Socialista sob a Agenda Austeritária da Troyka. Não o seria, mesmo em massa, contra o Governo Petista de Dilma. Quanto ao Egipto? Soares não sabe/não responde.

Comments

  1. Bufarinheiro says:

    Insultas toda a esquerda, cá e seja onde for, para manteres o status quo da mafia que se apoderou do governo apadrinhada por um sr. a quem chamam palhaço.

  2. João Paz says:

    Continue a sua defesa a todo o custo dos CÃES RAIVOSOS que ocupam, por pouco mais tempo diga-se de passagem, o desgoverno de Migueis de Vasconcelos que se ocupa a destruir Portugal e as suas gentes que há-de ir parar perto. Só sai mesmo asneira, nem mosca entra.

    • palavrossavrvs says:

      Não quero sair do euro. Mas terei de emigrar e ganhar Libras.

      • C. Vidal says:

        Um cobarde e filho da puta que ainda aqui anda a caminho da estrumeira da casa da prima (da Coelha). É pena que vá emigrar e juntar-se a pessoas com elevada qualificação. Um dejecto humano que se vai juntar a pessoas desta terra com elevado nível. Mas tudo é distrinçável. O futuro será justiceiro. E é tão pulha este dejecto que usa a imagem que usa para se definir e “aparecer”.

  3. Amadeu says:

    Ó Palavroso. Tenho a certeza que em pequeno, o testículo esquerdo não te desceu.
    Há quem emigre e há quem grite na rua, tu preferes continuas a xular a tua família.
    Não te esqueças que teu rei Carlinhos bandido morreu na rua, nunca se sabe.

  4. nightwishpt says:

    Já não chega dizer disparates sobre um país, agora têm que ser vários.
    Vai falando que a Maria agradece, tem muitos bancos a quem pagar a subsistência.

  5. António loureiro says:

    Mas será que este homem não diz nada que se aproveite! é só tolices, tolices tolices.

  6. Dora says:

    Então, o Vitor Gaspar demitiu-se e tu falas de quê, a bem dizer?

    • palavrossavrvs says:

      Escrevo no Aventar em delicado e respeitoso part time. Tenho mais onde escreva sobre o Gaspar e sobre o sexo da Dora.

  7. nightwishpt says:

    Ui, agora vai ser dizer mal do Portas até se coligarem com ele outra vez…

  8. almaria says:

    Parece que água mole em pedra dura, tanto dá até que fura…
    Escafederam-se.
    Até que enfim.

  9. LUIS COELHO says:

    Bem, aproveitando a onda penso que está na hora de irmos para a rua, todos, exigir o fim do regime, e pôr na rua todos os que estão ligados ás actuais quadrilhas politicas e nomear uma nova AR com elementos não ligados aos actuais partidos (QUADRILHAS).
    Entretanto colocamos em belém o Eanes (por exemplo) que nomeia um governo de iniciativa presidencial constituído por homens bons, que eu ainda acredito que existam no lamaçal em que vivemos,


  10. Chupa tóino!

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