Bom dia, Mário Almeida, sem esquecer o Luis

mario almeida 10Como declaração de interesses, devo dizer que Mário Almeida é, para mim, o melhor treinador português, o mais habilitado em termos teóricos e, em termos de práxis, é aquele que apresenta dotes inconfundíveis de competência técnica, tática, de organização e gestão desportiva que fazem dele uma referência, como comummente brincamos ao apelidá-lo de Mourinho do hóquei. Vaidoso, com currículo internacional como atleta e treinador, a sua irreverência e frontalidade têm-lhe cobrado alguns dissabores com o poder instituído na modalidade.

Quando, porém, a modalidade se compromete com a competência, o nome de Mário Almeida surge como putativo candidato à estrutura máxima da equipa técnica nacional.

Pois bem, a partir desta semana, Mário Almeida deixou de ser putativo candidato para ser, de facto, o seleccionador nacional sénior, competindo-lhe, já em Agosto, orientar a selecção nacional que vai disputar, em Lausanne, o Championship III do Europeu sénior masculino.

Igualmente competente, motivos profissionais obrigaram a que Hugo Gonçalves tivesse resignado, e a federação virou-se para Mário Almeida, responsável pelo hóquei do Sport Club do Porto, ele que comandou a muito elogiada estrutura que organizou o Europeu feminino de clubes, em nome do Sport, e cuja competição decorreu, recentemente, no complexo desportivo do Parque da Cidade.

Nada reverente, interessado, em constante procura de novas vertentes técnicas e táticas, habitué dos grandes palcos e espectador contumaz das grandes competições internacionais, muitas vezes ao lado de Luís Ciancia, um dos seus gurus, o novo seleccionador conhece, por isso, a realidade mundial do hóquei, e, inerentemente, o hóquei nacional, por força do comando técnico da equipa do Sport, que ajudou a formar depois de receber de Jorge Almeida (seu e meu particular amigo) a fornada que este tinha preparado na formação portuense. E, este ano, os azuis só pararam nas meias-finais do play-off, não sem que antes tenham obrigado o CF Benfica a um terceiro jogo no apuramento para a final.

Se, entretanto, formos mais atrás, veremos que, imediatamente depois de deixar de jogar (no clube e na selecção, ainda que prematuramente), Mário Almeida aceitava em 1998 o convite de José Catarino, o obreiro da era da Académica de Espinho, para a equipa técnica nacional que em 1999 e 2000 conseguiu uma medalha de ouro e duas de prata nas competições que deixaram os sub-21 de campo na Divisão B, os seniores e os sub-21 indoor na Divisão A, o momento mais alto do hóquei português, resultados só agora igualados com o apuramento para a segunda fase da Liga Mundial, onde, por fim, cairia, e pela selecção masculina indoor de sub-21 que, em 2015, disputará a Divisão A, depois de em Janeiro deste ano ter vencido a prova de Bratislava.

Ao desejar-lhe as melhores venturas, sei que, também na Argentina, um dos maiores estrategas mundiais, de seu nome Luis Ciancia, que o hóquei português não soube aproveitar quando veio ajudar-nos, num dos maiores erros do hóquei português contemporâneo, dizia eu que, também na Argentina, esse mesmo Luis Ciancia tem o coração em festa.

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.