Votar à Esquerda

Só há um dia em que somos todos iguais – o dia das eleições. Seja o CR7, o Passos Coelho, o Belmiro de Azevdo ou o sr. Carvalho, que vive aqui na rua, todos iguais no momento do voto.

Esta marca da Democracia também nos transporta para um outro sentimento de justiça, na medida em que podemos penalizar o mau Presidente, o péssimo governo ou as políticas erradas ou, continuar a votar em quem governa bem.

Tal como o meu camarada de escrita, parece-me que a solução nas nossas terras ou no nosso país passa pela esquerda, enquanto espaço de resistência às políticas que nos têm desgraçado nos últimos dois anos. Mas, a Esquerda tem tido (sido) um problema – não consegue encontrar um espaço para o que têm em comum. PCP, Bloco e PS, tal como a CGTP, têm sido actores políticos que sublinham sempre as diferenças entre si, quando há tanto que os une.

No que diz respeito ao sistema nacional de saúde, o BE, o PC e o PS não tem mais coincidências do que divergências?

E quanto à segurança social? Ou nos apoios sociais?

E, de forma ainda mais clara – a Escola Pública?  É ou não parte comum do património das Esquerdas? Será que o PS, o BE e o PCP não conseguem encontrar pontos comuns em torno deste pilar da nossa Democracia?

Tem que ser possível e aqui em Gaia há práticas nesse sentido.

Comments

  1. Antonio Firmino says:

    “No que diz respeito ao sistema nacional de saúde, o BE, o PC e o PS não tem mais coincidências do que divergências?”

    PS: aumento das taxas moderadoras, PPP na saúde entregues ao Mello, assinatura do memorando de entendimento que resultou nos maiores cortes da história no sector

    E quanto à segurança social? Ou nos apoios sociais?

    PS: Redução do subsídio de desemprego, redução das indemnizações por despedimento, cortes nas pensões (PEC’s 1,2 e 3). Assinatura do memorando.

    Achas que o Vitor Rodrigues vai mudar isto em gaia é de uma ingenuidade confrangedora.

    • Luis says:

      O PS em tempos de eleições gosta de se fazer passar por um partido de esquerda. Chega ao poder e aplica políticas de direita. Começo a achar que a palavra ingenuidade não é a melhor a aplicar nesta situação.


      • Luís, não queria ver a coisa por aí. Há políticas de direita na prática governativa do PS? Sim, vejo isso como parte da verdade. Mas, reconhece ou não práticas de esquerda? A matriz da governação ao nível da Escola Pública – com todos os erros cometidos – foi ou não de esquerda? A escola a tempo inteiro, a parque escolar, as novas oportunidades…
        Não me parece que seja só uma questão de parecer… E está longe de ser uma questão de eleições.
        JP

        • Luis says:

          Concordo em parte, mas aplicar algumas politicas que visam a igualdada social, ou justiça social, não chega. Não pode continuar a haver negociatas com grupos económicos que visam unicamente o lucro, em sectores como a saúde ou a educação. A parque escolar não me parece um bom exemplo.

    • João Paulo says:

      Meu caro António, obrigado por ter comentado. Repare que eu não disse que o PC, o BE e o PS estão de acordo em tudo. Perguntei se não havia espaço para coincidência de opiniões-. parece-me que há, apesar das divergências, ou não? os exemplos que refere são importantes, mas na política macro todos dizem a mesma coisa. Ou não? Repito, ver a floresta em vez de estar sempre a olhar para a folha pode ser a solução da esquerda.
      JP


      • João Paulo, não sei bem o que é a política macro, mas, em macroeconomia, não vejo o PS como um todo a fazer uma crítica articulada e sistemática aos pressupostos neoliberais das políticas de austeridade.

        E podia perfeitamente fazê-lo. Esses pressupostos já estavam errados no tempo de Thatcher e Reagan; instalaram-se, como ovos de cuco, nos ninhos de Blair e Schröder; mas o erro, ou melhor, a fraude neoliberal desmoronou-se a 15 de Setembro de 2008 com a falência do Lehman Brothers.

        Um partido dito de esquerda que não tenha estudado a história dos últimos cinco anos nem aprendido com ela não pode considerar-se de esquerda.

  2. Knome says:

    A convergência do diz mal disto e daquilo, bem como dá cá mais €€, é unânime em toda a esquerda e socialistas em geral (PSD e CDS incluídos), o problema mesmo é não haver dinheiro para manter a pedinchice generalizada.


  3. O problema da esquerda é um problema clássico de marketing. Têm de longe o melhor produto, a marca é que não é grande coisa.


  4. Nightwish, é isso mesmo. Só fala em “pedinchice”, “subsidio-dependência”, “insustentabilidade do Estado Social” e tretas quejandas quem não sabe distinguir entre milhões e milhares de milhões. Se não houvesse inumeracia não havia Direita.

    Salários decentes, empregos decentes, pensões decentes, educação decente, saúde decente, isso são meras questões de milhões e estão perfeitamente ao nosso alcance.

    O que Portugal não pode de facto pagar, porque não há milhares de milhões que cheguem para tanto, é a corrupção que nos corrói e a oligarquia rentista hereditária que nos parasita desde há 150 anos. É aí que estão os milhares de milhões.

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  1. […] (e nem mesmo se os milhões que se abstiveram nas últimas eleições votassem em branco), mas em alternativas ao marasmo corrupto e liberalíssimo de quem pensa a política como uma escada de ascender ao poder […]

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