Moreira e o Independento-Facadismo

Creio já ter superado completamente as dores naturais da minha derrota com a derrota do Dr. Menezes, em Setembro. Mas constato que Rui Moreira, uma vez eleito, se apressou a meter a independência na gaveta e a passar a imagem de um inesperado e inaudito desconforto em ter de ir à luta apenas com a prometida armadura do seu prestígio e da sua imaculabilidade.

Se ganhou a eleição, ganhou-a por causa da sua virgindade partidária.

Mas não. Mal pôde, cilindrou a agenda e prioridades da distrital do PS, a qual, num primeiro momento, obstaculizou um entendimento para a governação da Câmara do Porto e, num segundo, que é agora-ontem, implicitamente capitulou em toda a linha ao desiderato coligacionista absorvente e à armadilha que Moreira, o aflito, preparou para sua própria salvação: lançar uma OPA à segunda força mais votada, um partido. Sequestrá-lo para a órbita da independência ou, o mais certo, dar uma facada independente à própria independência.

Os dados estão, pois, lançados. O que é que resulta para o Porto desse acordo? Qual o animal programático hybrido resultante para o Governo da Cidade? Com que é que ficamos em matéria de liderança fática e efectiva? Rui Moreira, excepcional pensador da portuensealidade mas um zero político, abdica de si mesmo para se sentir sustentado e respaldado pelo político socialista Manuel Pizarro do Partido Socialista. Ponto.

Se foi possível a Rui Moreira desbaratar o capital de independência com um acordo pós-eleitoral que atribui pelouros a vereadores eleitos pelo PS, um partido!, garantindo um exercício de mandato com maioria absoluta, estamos conversados quanto ao futuro da independência no Porto. Era uma manobra de diversão e agora não passa de um canto do cisne. E estamos também conversados quanto à lealdade dos que futuramente concorram enquanto independentes, no plano local ou nacional, quando Passos deixar de ser parvo e admitir essa reforma, conforme deve. Uma vez eleitos sob a aura e vestalidade da independência, atiram-se à menor oportunidade nos braços do Partido mais à mão, facada em quem vota, digo eu.

Em suma, e parafraseando o próprio Rui Moreira, «Se os eleitores de Rui Moreira não entenderem o que se passou ontem com o acordo Moreira/Pizarro, então não entenderam nada.» Corre à boca pequena que o trajecto gestor de Rui Moreira é muito mau. Mas podemos ficar descansados. Não será ele a executar. Ele está lá para pensar. Só pensar. E falar. Só falar.

Executar, isso é mais partidos.

O Presidente Executivo da Câmara Municipal do Porto será Pizarro, pelo que lhe endereço os meus parabéns. Os partidos, a política, são pródigos em cambalhotas e em facadas. Pelos vistos, os independentes também.

Comments


  1. Muito bem!


  2. Desconheço o resultado que irá alcançar Rui Moreira quando for altura de balanço de mandato. Mas antecipo desde já que a autarquia portuense ficará seguramente menos endividada do que ficaria com as políticas do inenarrável dr. Menezes. Meu caro Joaquim, não poderemos defender uma receita para o país e seu contrário para uma cidade. Onde fica a coerência? Caso Rui Moreira venha a ceder aos socialistas será justo criticá-lo. Para já procurou apenas não ficar refém da pior tralha partidária, a Distrital do PSD…

    • joshua says:

      Só espero, António, que tenhas razão. O melhor para o Porto pode não ser o a conta-gotas para o Porto de Rui Rio. Uma cidade com o potencial da minha tinha de ter dado passos mais rápidos e mais decididos ao contrário do apagamento actual sem liderança.


  3. Chama-se a isto uma análise “RANÇOSA ” ou então …… és lampião ????


  4. Moreira fez a sua escolha.Tinha que escolher,não obteve maioria absoluta.E não quis a lista que ficou em 3ºlugar,como parceira.É a vida.Não é você que diz sempre que nós portugueses temos de engolir sapos? Então este é o exemplo disso 🙂
    PS: Então e Menezes,só por ter perdido as eleições é que não vai assumir o cargo de vereador? Saiu-me cá um maricas,,

    • joshua says:

      Muitos, pelo contrário, pensam que Moreira tinha plena capacidade para respeitar a sua independência sem se sujar com os partidos, com nenhum partido.


      • Vamos ser realistas: Sem maioria absoluta,é dificil governar.Na camara do porto,e em qualquer outro lugar do mundo..Talvez Moreira pudesse ter sido mais contido no seu discurso contra os partidos.Mas não há milagres;sem maior absoluta,ou arranja-se um parceiro,ou então o Porto teria eleições intercalares daqui uns tempos breves…
        Se Menezes tivesse ganho a situação,estar-se-ia perante a mesma situação.Ou Menezes não era também “um candidato da sociedade civil”? Então falar em partidos nesse caso é treta


  5. ganho o sufrágo*


  6. Que pena o Manezes não tenha ganho o Porto. Eram mais fascistas que se criariam. Agora estes com os consensos, só mesmo para chatear o cavaco que anda numa de consensualizar o inconstitucional para fintar a troika, de acordo com o Marcelo. No problem que aqui o Jo Sua atira-se ao Piza não Hut com areia do Mor para vincar que só gosta do estado de Manezes.


  7. Antonio Fonseca candidato independente, por Rui Moreira, vencedor na união de Freguesias do chamado centro histórico, já esta a dar que falar, com o PS no meio, pois a tomada de posse foi adiada, é que ainda nao há entendimento com o PS sobre a coligação, ainda não tiveram tempo, ira ser para quando? Será que se vão entender em tempo útil ou vão esperar pelo fim do mandato para tomar posse?

    • joshua says:

      O preço deste acordo, a existir, poderá ser a transformação de Pizarro noutro independente, o que, na prática, já acontece quando afirma, e bem, que os interesses do Porto têm de estar acima dos interesses do PS. Este é um tipo de frase que cai sempre muito mal num partido como… o PS.

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