O Rio Tinto

Mudar de ano pode, no caso em apreço, ter sido apenas uma mudança entre uma terça e uma quarta. Será, para muitos outros, uma alteração entre um ciclo de objectivos e uma nova carga de trabalhos para mais 365 dias. Mas, não deixa de ser também, apenas e só mais um momento em que os rios continuam a correr para o mar.

Neste caso concreto, a variável rio torna-se o receptor da incompetência de uma empresa, de uma sociedade ou sei lá de quem mais. A culpa pode até ser do Pai Natal ou do Pinto da Costa (eu, pessoalmente, aposto nesta última):

A notícia do Porto Canal não precisa de legendas.

Quem vive na zona do Meiral, em Rio Tinto (Gondomar) já se habituou há muitos anos aos maus cheiros que invadem todos os recantos de cada uma das casas daquela zona. Uns dias melhores, outros piores, mas sempre presentes para nunca livrar a memória de cada um da existência daquele monstro. Era o custo que alguns tinham que suportar para o bem de todos. É esse o preço da vida em comunidade. Para além dos camiões a circular permanentemente pelas ruas onde antes se jogava à bola havia os cheiros, sempre os cheiros.

Acontece que o preço que a ETAR custa a cada um de nós não se justifica. E por uma razão simples: não funciona. E não funciona porque a Empresa que tem a sua propriedade é incompetente para o fazer.

Não sei se a solução passa pelo Pai Natal ou pelo Pinto da Costa – mas o novo Presidente da Câmara Municipal de Gondomar, Marco Martins, tem que resolver esta situação e com urgência!

Comments

  1. Mário Reis says:

    Caro João Paulo,
    Fossem os cheiros o principal problema da ETAR. O rio Tinto, rotulado em 2012 como a pior massa de água de todo o território a norte da serra da estrela, é violentamente agredido há décadas. Isso tem que acabar. Só acabará se as pessoas se mobilizarem e denunciarem sem tréguas esta vergonha. Parabéns pela postagem.
    Na verdade, entre desactivar a ETAR em finais de 2009, avançar por uma ligação à ETAR do Freixo ou de construção de uma nova, decisores politicos e administrativos, enterraram a cabeça na lama… e desperdiçaram dinheiros essenciais para uma solução actual e eficaz.
    A empresa Aguas de Gondomar / CM Gondomar avançou com um remendo que ninguém, ninguém(!) garante como solução. Mas o que de pior podia acontecer em democracia, é o péssimo exemplo que este processo representa: a opacidade, o autismo dos poderes, a incompetência técnica e recusa da AdG de abordagens que podiam resolver/minimizar o problema.
    Contra a opinião dos residentes no Meiral e opinião fundamentada do Movimento em Defesa do Rio Tinto avançou-se com uma remodelação que vai castigar o rio Tinto mesmo que a ETAR “funcione no seu melhor”, com a deposição de lamas, com a rejeição para o diminuto curso do rio de águas contaminadas (o sistema não faz a desinfecção de água) impedindo o seu usufruto e colocando em risco a saúde pública.
    Sim, incompetência de uma empresa que tem uma função pública, mas que rege a sua gestão apenas para os lucros, sem responder perante os poderes públicos que parecem aninhados e reféns da AdG. O que está por detrás desta passividade?
    O Movimento denunciou o escândalo do esgoto directo no rio a 28 de Dezembro, mas há vários dias que a ligação directa era mais que evidente e danosa.
    Sim, a iniciativa de resolver este grave problema pertence ao presidente Marco Martins.


  2. JÁ CHEGA.Façam alguma coisa por favor

  3. Fernando Pinto says:

    Ultima Hora:
    APA abre processo de contra-ordenação à empresa Águas de Gondomar.
    http://moveriotinto.blogspot.pt/

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