A tempestade, perdão, a bonança perfeita do Salgado

img_818x455$2017_09_15_22_13_10_668135Depois do Marcelo a PR, do Costa a PM, Rio a líder da oposição é, claramente, a vitória do, efectivamente, DDT.

 

Porto e Gaia, muito mais que um Rio… a separar

De lugares comuns está a blogosfera cheia e poderia aqui recorrer ao chavão de que o rio une, não separa e tal… Mas, a unanimidade instalada em torno de Rui Moreira não permite a similitude total entre as duas realidades políticas das margens, esquerda e direita, da foz do Douro.

Do lado direito, Rui Moreira acaba de receber o apoio do PS e estarão a caminho outro tipo de apoios. Sinto-me tentado a partilhar da opinião do Ricardo no Manifesto74. Não tanto porque sinta como obrigatória a apresentação de uma candidatura do PS a todas as autarquias, mas porque é do debate que nasce a Luz. O Porto vive uma encruzilhada civilizacional – com a crescente presença do Turismo em todas as dimensões da cidades, importa equacionar os caminhos a seguir, nomeadamente no que aos residentes diz respeito. Nunca, em Democracia, o silenciamento que o unanismo provoca pode ser uma opção. E, só por isso, seria mais interessante o aparecimento de ideias e projectos com olhares diferentes para a cidade, que, de uma maneira ou de outra, tem um papel central no futuro do nosso país. Percebo, de qualquer moda a coerência de Manuel Pizarro que abraçando de corpo e alma a cidade durante quatro anos preferiu seguir este caminho, claramente, coerente – admito, até, que no seu lugar tomaria exactamente a mesma opção. Mas e permita-me, caro leitor, que leve o texto para o território das emoções: gostaria de ver mais opções para o Porto. [Read more…]

O Rio foi pelo marcelo abaixo

Afinal parece que eu tinha mesmo razão. O ex-candidato Rui Rio está fora.

Eu, tu e o Tejo

Eu,Tu e o Tejo

O Rio Tinto

Mudar de ano pode, no caso em apreço, ter sido apenas uma mudança entre uma terça e uma quarta. Será, para muitos outros, uma alteração entre um ciclo de objectivos e uma nova carga de trabalhos para mais 365 dias. Mas, não deixa de ser também, apenas e só mais um momento em que os rios continuam a correr para o mar.

Neste caso concreto, a variável rio torna-se o receptor da incompetência de uma empresa, de uma sociedade ou sei lá de quem mais. A culpa pode até ser do Pai Natal ou do Pinto da Costa (eu, pessoalmente, aposto nesta última):

A notícia do Porto Canal não precisa de legendas.

Quem vive na zona do Meiral, em Rio Tinto (Gondomar) já se habituou há muitos anos aos maus cheiros que invadem todos os recantos de cada uma das casas daquela zona. Uns dias melhores, outros piores, mas sempre presentes para nunca livrar a memória de cada um da existência daquele monstro. Era o custo que alguns tinham que suportar para o bem de todos. É esse o preço da vida em comunidade. Para além dos camiões a circular permanentemente pelas ruas onde antes se jogava à bola havia os cheiros, sempre os cheiros.

Acontece que o preço que a ETAR custa a cada um de nós não se justifica. E por uma razão simples: não funciona. E não funciona porque a Empresa que tem a sua propriedade é incompetente para o fazer.

Não sei se a solução passa pelo Pai Natal ou pelo Pinto da Costa – mas o novo Presidente da Câmara Municipal de Gondomar, Marco Martins, tem que resolver esta situação e com urgência!

Margem de incerta maneira

Foto: Carla Olas

Não vou dizer onde fica, não. Mas sempre posso contar que tem uma varanda para o rio, e uma esplanada que cresceu à volta da imagem de um Cristo que o povo traz apaparicado, sem que nunca lhe faltem as velas acesas e os ramos de cravinas.

É um desses sítios em que é necessário entrar sóbrio e sair um pouco ébrio. Não demasiado, que aqui não há passeio e há que caminhar sem ziguezagueios pela marginal. Ébrio o suficiente para segurar-se à mesa e ver erguer-se, como se pelas ondas, as paredes cobertas por lanternas, arpões, lemes, sextantes, bóias, sinetas, cordames, remos, reproduções de barcos, gravuras antigas, o emblema do FCP.

O peixe assa à porta, os pimentos começam a queimar-se, o sal dos robalos há-de cair aos pés do Cristo, da cozinha saem os primeiros mexilhões, vêm num embalo de salsa e cebolinha, um consolo para eles depois de uma vida de embates do mar. [Read more…]

O algodão não engana #5

Não renunciarás à tua liberdade de expressão e de opinião

Encontrei esta citação num blogue que costumo seguir (com quem ultimamente  tenho trocado publicamente opiniões sobre jornalismo). Esta citação serve e bem para o que a seguir vou escrever. O facto de apoiar e pertencer à direcção de campanha de Luís Filipe Menezes/Porto Forte não me deve limitar a liberdade de expressão e de opinião. Para que nenhum leitor venha ao engano e de molde a que esta recusa de renúncia possa ser justa, não escondo ser parte. É uma questão de respeito para com os leitores.

Ontem, fruto de uma notícia (????) do Público e publicada pela jornalista do costume, Margarida Gomes, foi lançada lama sobre LFM. Não vou aqui escrever sobre a versão dos factos apresentada pelo candidato e a opinião dos seus concorrentes, basta clicar no link e ler.

Prefiro deixar aqui uma fotografia que, como dizia o outro, vale mais do que mil palavras. A fotografia da senhora que levou a toda esta polémica e que, além de estar junto a Rui Rio e a Fernando Charrua, trabalhou (não sei se ainda trabalha) com a vereadora Matilde Alves, conhecida apoiante de Rui Moreira. A senhora em causa, Margarida Ribeiro, é uma das duas (???) que supostamente não foi recebida e que falou com o Público.

fotografia

São coincidências. De certeza. E este post está ao nível da notícia da Margarida Gomes. Com duas diferenças: isto é um blogue e não um jornal e uma segunda, bem importante e que nos distingue: eu avisei ao que vinha e que sou parte. Ao contrário da Margarida Gomes…

E não lhe posso chegar

tenho barcos, remo

Douro

Pelo Rio Tinto, marchar, marchar

Caminhada pelo Rio Tinto, 25 de março

Não sou novo, nem velho, antes pelo contrário.

A caminho da escola lembro-me de ver o rio de todas as cores – até havia apostas sobre a cor do dia, que ia variando em função das descargas da fábrica. Vi, ali na casa do vizinho, uma mó de um moínho que em tempos esteve ali junto à Ponte, onde hoje temos um restaurante muito frequentado, mas com uma péssima relação preço / qualidade. Ouvi falar dos peixes que por lá existiram.

Andei de bicicleta e caí ao rio. Joguei à bola e ela também caiu ao rio. Fiz, fizemos, jangadas com madeira e garrafões de plástico – era a inspiração do Tom Sawyer.

Vivi sempre a 100 metros do Rio. Até que a modernidade trouxe uma ETAR: estação de tratamento de águas residuais. E tudo piorou. Além da qualidade da água não ter melhorado, ainda trouxe maus cheiros para toda a vizinhança.

Anos mais tarde apareceu o pior Autarca da nossa Democracia – esse mesmo, o Major. O Rio passou a ser um esgoto dentro de tubos que existem envergonhados por baixo de ruas e caminhos.

Por isso, não sei se o Rio Tinto é um Rio. Mas quero MUITO que volte a ser. A nossa história exige um Rio. Ou então mude-se o nome de Rio Tinto para Tubo Tinto, ou Esgoto Tinto…

A Beleza

adão cruz

A mais bonita de todas a mais bonita da festa a mais bela do mundo.

Uma estrela que caiu lá de cima e rolou por ali abaixo percorrendo as ruas da cidade a luzir e a cantar de uma forma quase imaterial quase sonhada quase santificada.

Há muito que a beleza me não enchia de tanta poesia há muito que os olhos se não molhavam desta forma há muito que eu não sabia dizer coisas assim com tanta verdade.

Os rios correm para o mar mas tu és um rio que nasce no mar e avanças sobre mim afogando-me nas tuas ondas.

Parecendo às vezes um lago tranquilo de um qualquer paraíso entras em mim como um tornado revolves tudo até ao fim de mim mesmo e quando a tua força acalma restituis-me sob a forma de um verso ou de um beijo a minha própria identidade nua e crua. [Read more…]

Hoje dá na net: Mondego

Daniel Pinheiro produziu este documentário como trabalho final do seu “Masters´s Degree in Wildlife Documentary Production from the University of Salford“. Do Mondeguinho à Foz, em 15 minutos expande-nos a visão do rio que me atravessa os dias. Fiquei a conhecer uns vizinhos bem simpáticos. Excelente.

Carnaval em Portugal

Mais um ano, mais um Carnaval que na maior parte do país, é estrangeiro, sendo que neste ano, e por causa da crise e das crises, a contenção de despesas tenha obrigado a que sejam muito menos os artistas do outro lado do Atlântico convidados a ‘abrilhantar’ as festas.

Continuam no entanto por aí uns senhores, e uma parte significativa da população, a fazer corsos, à moda do Brasil, com as miúdas nuínhas e tudo, a desfilar debaixo de chuva e cheias de frio, e a tentar dançar samba, despidas com as roupas do Carnaval do Rio.

Até quando?

Por muito bonito que seja, por muito alegre que seja, não é nosso, não é da nossa tradição, não está bem.

Felizmente ainda há por aí umas terras onde se faz o dito à nossa moda, com as nossas tradições a imporem a sua valia. São todavia uma pequena gota no charco da nossa vida.

Mais um ano, mais um Carnaval importado apesar de cada um lhe chamar ‘à moda da sua terra’.

Tenho saudades dos outros tempos. [Read more…]

Brasil – um imenso Portugal

Rio de Janeiro ainda com o cheiro dos portugueses

E passo a responder: oxalá que esse “cheiro dos portugueses” lá permaneça por muito tempo, pois trata-se de raízes, de um património cultural de valor inestimável que fazem parte indivisível daquela grande nação que hoje é o Brasil. E o Brasil ganha com este “cheiro”!

Ainda neste contexto, vai uma mensagem especial aos meus amigos gaúchos, sob forma da seguinte citação:

“… É de justiça que se reconheça que foi vital para o sucesso das armas portuguesas…a atuação do Marquês de Alegrete*…o Brasil ficou-lhe devendo, […] mais que a qualquer outro general, o arredondamento de domínio ao sul do seu território”.“A Saga no Prata”, pág. 335 – Juvêncio Saldanha Lemos –  Letra & Vida, Porto Alegre 2009. Recomendo a leitura desta excelente obra que sendo de grande conteúdo mantém de forma exemplar o equilíbrio entre um grande livro e um livro grande.

Abraço

Rolf Dahmer

Alegrete/ concelho de Portalegre / Portugal

Fado Tropical

Chico Buarque de Holanda

Oh, musa do meu fado
Oh, minha mãe gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril
Mas não sê tão ingrata
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal [Read more…]

Foz Do Rio Douro

Carnaval – o meu sonho brasileiro

O Rodrigo publicou excelente texto pedagógico da história do Carnaval de Torres Vedras. Mera coincidência: na última noite – vá lá saber-se por que razão – sonhei com o Rio de Janeiro e o Carnaval Carioca.

De calção, “t-shirt”, ténis e com um “Swatch” de plástico, baratinho, vi-me a sair de um hotel, na Avenida Atlântida, encaminhando-me para a direita. De súbito, dou comigo no Bar Garota de Ipanema, antigo Bar Veloso, onde algures nos anos 60, Vinicius e Jobim compuseram a mais internacional das canções da MPB, precisamente chamada ‘Garota de Ipanema’ – a musa inspiradora foi Helô Pinheiro, hoje assim conhecida, mas, ao tempo, era a jovem cidadã Heloísa Eneida Menezes Paes Pinto, descendente de uma família portuguesa, Gonçalves de Menezes.

Com uma ‘caipirinha’ no bucho, a imaginação sonhadora deambulou para o ‘Carnaval Brasileiro’, versão carioca, considerada a mais autêntica e refulgente de todas. Dados históricos revelaram-me que o início Carnaval do Rio remonta a 1846, quando ali emergiu pela primeira vez a figura do ‘Zé Pereira’ e do Entrudo, festa popular portuguesa, então desembarcada na capital de Guanabara.  

Até passar algum tempo, entre os dois carnavais – português e brasileiro – as semelhanças tinham algum sentido. Mas no final do Século XIX, a folia brasileira, em termos de conteúdos e formatos, havia de se destacar dos costumes lusos, nomeadamente das características ainda hoje prevalecentes em Torres Vedras.

 Independentemente da pobreza sofrida em ambos os azimutes, os prazeres carnavalescos no Rio – e em outras cidades do Brasil – servem para gozar a euforia de viver, com hinos populares à alegria, como ilustra a letra do samba dos anos 40 de Francisco Alves: ‘Com pandeiro ou sem pandeiro / Ê, ê, ê, ê, eu brinco / Com dinheiro ou sem dinheiro / Ê, ê, ê, ê, eu brinco…

Em Torres Vedras, o argumento de fundo é, como acentua o Ricardo, a sátira política. É divertido sim senhor, mas não é a mesma coisa…