A Europa
Deixo agora de parte o ‘sistema financeiro internacional’, a desregulação da banca, os paraísos fiscais, o funcionamento bolsista e todas as estruturas e agentes promotores da profunda crise que se derramou pelo chamado mundo ocidental (Europa e EUA).
O Eurostat acaba de divulgar números do desemprego na UE28 e, especificamente, na Zona Euro; esta, sabe-se, é parte da primeira, distinguindo-se pelo uso de moeda única, euro, pelos Estados-Membros que a integram – caso de Portugal.
Uma súmula de dados transmite com clareza a ideia do desastre socioeconómico europeu, o qual nem mesmo o sucesso alemão consegue esbater. Atente-se nesses dados, reportados a Novembro de 2013:
- Estimativas de desemprego na UE28: 26.553 milhões de cidadãos, dos quais a maior parte (19.241 milhões, i.e., 72,4%) pertence à Zona Euro.
- Comparado com Novembro de 2012, o desemprego aumentou de 278.000 cidadãos na UE28 e 452.000 na Zona Euro.
- Quanto ao desemprego jovem (indivíduos dos 15 aos 24 anos), em Novembro de 2013, existiam 5.661 milhões de desempregados na UE28, sendo 3.575 milhões da Zona Euro.
- Comparativamente, com Novembro de 2012, registou-se um decréscimo de 46.000 jovens desempregados na UE28, ao passo que a Zona Euro teve um acréscimo de 2.000.
Estas quatro notas constituem insofismável prova da decadência europeia. Os efeitos da globalização, a falta de medidas punitivas da OIT e da OMC contra concorrentes beneficiários de ‘dumping social’ e a crise financeira empurraram a Europa para acentuado declínio. Apenas a Alemanha, por enquanto, se livra do pesado martírio.
Ninguém, com seriedade e independência, consegue prever quando e como milhões de Europeus se libertarão da crise, de uma pobreza que intumesce minuto a minuto e da miséria congregadora de moribundos e mortos, à mingua de tudo.
Portugal
Em simultâneo, o Eurostat anunciou para Portugal uma melhoria de -0,1% na taxa de desemprego – os 15,6% em Outubro foram reduzidos para 15,5% Novembro de 2013. Significa menos 6.000 desempregados.
Claro que, à primeira vista, esta descida é positiva. Todavia, para ser consciente e correcto na interpretação dos números, é inevitável fazer-se um estudo conjugado de ‘desemprego e emigração’.
Tenha-se em conta o que disse o Secretário de Estado das Comunidades, José Cesário:
- Em 25 de Janeiro de 2013, praticamente há um ano, e desmentindo os números publicados pelo INE, José Cesário considerou que nos últimos anos (tomemos 2011 e 2012 por referência) tinham saído do País 100.000 a 120.000 portugueses por ano.
- Já em fins de Dezembro de 2013, o mesmo governante mantinha que, no ano findo há pouco, havia abandonado o País um número idêntico de portugueses, entre 100.000 a 120.000.
Sejam 300.000 os emigrantes de 2011/2013. Se uma alta percentagem destes, como já constatei junto de centros do IEFP, deixaram de ser desempregados, os actuais 824.000 que o Eurostat regista seriam, de facto, ampliados. Se 250.000 se tivessem mantido em Portugal, a nossa taxa de desemprego seria de 20,2%.
Quando vejo Belém, São Bento e três dezenas de senhores bem instalados no mundo dos negócios a ‘festejar a Diáspora portuguesa’, sinto o ímpeto de questionar: “Quem lhes passou procuração em nome da imensa e crescente Diáspora?” Depois imagino a resposta de ofendidos: “Foi o nosso voluntarismo a que chamam falta de pudor, veja lá.”






O ocidente está em clara decadência em quase tudo, contudo, à medida que os panorama socioeconómico se degrada e se torna indisfarçável há sectores que crescem, como é o sector da vigilância e da (in)segurança.
A decadência económica do ocidente começou há décadas, mas foi em 2007/08 que a coisa carregou no acelerador, a charada dos resgates aos países (que na verdade são os resgates da banca privada falida) tem vindo a arrasar o que ainda restava da economia real.
No caso dos estados sem soberania, como é o caso de Portugal, a coisa é ainda pior. É bom recordar que as elites portuguesas abdicaram da soberania quando aderiram ao €uro, sem moeda própria Portugal não tem as ferramentas que podiam estar a ser usadas para amenizar os efeitos desta grave crise. Os aldrabões do costume vão dizer que só se perdeu soberania quando a troika cá entrou, MENTIRA DESCARADA!!
Portugal não vai voltar a ser um estado soberano quando a troika sair daqui (o fim do capitulo “Troika” é uma encenação, a troika veio para ficar), vai continuar a ser um estado vassalo da aristocracia financeira degenerada bem mais do que os estados que conservam moeda própria.
E vem por aí mais delírios eurocratas, o próximo passo chama-se “união bancária”, isto nada tem a ver com controlar o “casino” ou em criar uma economia que a população em geral tire proveito, tem a ver com a consolidação do poder, tem a ver com a atribuição de poder a tecnocratas com o objectivo a nos poder controlar melhor. O próximo passo, imagino, será oficializar o super estado europeu, e os povos não serão tidos nem achados mais uma vez no processo “mais Europa”, nada para a luxuria pelo poder dos €uro-fachistas.
A minha aposta, se a trajectória não for radicalmente mudada e as coisas continuarem a degenerar, é que isto vai acabar muito mal, há já demasiadas parecenças com o que se passou no passado, a história já se está a repetir…
Concordo em absoluto com a lúcida e objectiva análise que faz. E devo questionar: por que razão ainda há tanta gente, mesmo prejudicada pela ‘salvação bancária’, capaz de aguentar, aguentar, com impressionante passividade?
A trajectória, de facto, está a repetir-se com o mesmo traçado geométrico. E um dia, na Europa, com sempre foi habitual na História, o conflito eclodirá. Com Marine Le Pen e Vichy dos tempos actuais ou de qualquer outra forma e actores.
Que seja breve na chegada e rápido no desenvolvimento. A vida tem de reganhar sentido e sólido humanismo.
O idolatra de Mao, criminoso de guerra, fujão, e doente mental continua a querer-nos convencer do seu delírio!
Durão Barroso: 2014 “vai ser mesmo melhor que os anos anteriores”
http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO311988.html
Talvez para ele será melhor…
Durão passa férias em iate de milionário
http://www.tsf.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=820806
talvez em 2014 a aristocracia que ele serve lhe pague uma viagem espacial pelos excelentes serviços prestados!
Esse bandalho, que uma vez me impediu a entrada na Faculdade de Direito de Lisboa, também verá a hora de partir de Bruxelas. Outros títeres virão.
Fonseca, veja quem está a pisar os calcanhares ao Ocidente, são os BRICS. “Não lhes dês o peixe ensina-o a pescar”!
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Lembra-se, na euforia da globalização, das famosas e estratégicas deslocações, dos grandes grupos económicos e industriais americanos e europeus, para a Ásia e o sucesso dos tigres asiáticos? Agora eles sabem pescar, não precisam do Ocidente para coisa nenhuma. Já o contrário não é verdade.
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Acresce que a Ásia tem uma cultura milenar, e por onde anda a nossa? Anda pelas ruas da amargura, como é público e notório. É também pela vertente civilizacional que o Ocidente falha.
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Mas pode ser uma oportunidade, para nós portugueses, até pode acontecer que o padre António Vieira, o Fernando Pessoa ou o Professor Agostinho da Silva venham a ter razão, antes do tempo. Eu preferia um casamento Ibérico e a Corte em Lisboa.
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Portela, os ‘BRICS’ fazem pela vida deles, coisa que não sucede na Europa. Sobretudo, Brasil, Rússia, mais a África do Sul que não é ‘bric’, têm recursos naturais avultados e diversificados.
O que está errado, no processo da globalização, é que este não sirva para criar um mundo mais igualitário e harmonioso, mas, ao invés, para aumentar a capacidade de multiplicar fortunas multimilionárias. Bangladesh, Vietnam, Paquistão e o ‘Bric’ India, à custa de salários miseráveis (32 a 35 € / mês) e penosas condições de trabalho (10/12 por dia), são a fonte de reforço exponencial de enriquecimento de empresários da Zara, Primark, Wall-Mart, Hugo Boss, Armani, C&A e mais uma série deles que detém, de facto, as maiores fortunas do mundo. Já nem falo nos financeiros de Wall Street, da City de Londres, das Bolsas de matérias-primas de Chicago, Amesterdão e Londres.
Em síntese: uma deslocalização em massa da indústria para fora da Europa, o desemprego europeu em expansão e a paralisia e conivência de organizações como OIT, a OMC e da própria ONU sobre estas transformações que produzem uma chocante desigualdade de rendimentos, pobreza e miséria, a nível mundial.
A Europa, com a Alemanha ao comando, alinha contra os interesses dos povos que a integram.
Fonseca, na minha opinião, quem tem o poder de decidir, como vão ser os nossos dias, trata no seu interesse o mudo, como uma mercadoria.
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Nós carregamos os sacos e por isso, ficamos gratos.
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Fala-se no Norte e no Sul, no centro e na periferia europeias, que estão aí bem visíveis. E não há mais nada? Há uma pirâmide – não é o Esquema Ponzi embora tenha os mesmo efeito – mas uma construção muito mais sofisticada, com infraestrutura e uma superestrutura. Quem é que está em cima quem é que está em baixo? É segredo, é um tabu sado-cavaquista.
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