My imperialism is better than yours!

G7

O G7 irá reunir-se hoje e, na ordem do dia, estará o reforço e a aplicação de novas sanções contra a Rússia, no âmbito da suposta ocupação da Ucrânia. É sempre um excelente indicador ver líderes de estados com fortes tendências imperialistas a combater o imperialismo não consumado mas em vias de o ser. Principalmente quando se impõe a defesa de um estado controlado por um governo de extrema-direita não sufragado por qualquer cidadão ucraniano. Dai a presença de Herman Van Rompuy na reunião, haja alguém que represente os líderes poderosos eleitos por cerca de zero pessoas.

Só para dar um exemplo entre dezenas de outros possíveis, será que ilustres defensores ocasionais dos direitos humanos como Japão, a Itália, o Canadá, a Alemanha ou a França teriam apoiado a Rússia caso esta tivesse sugerido algum tipo de sanção contra os EUA e a Inglaterra quando estes iniciaram o processo de violação da soberania do Iraque em 2003, hoje um estado ainda mais falhado e bem mais caótico do que no tempo do ditador que em tempos era aliado? Claro que não. Porque seja na Rússia, na Coreia, no Iraque ou na Venezuela, tais questões nunca têm rigorosamente nada a ver com direitos humanos. O G7 (leia-se: os EUA), tal como o Conselho de Segurança da ONU (leia-se: os EUA + 2 vassalos VS China e Rússia) ou o comando da NATO (Leia-se: os EUA) estão-se perfeitamente nas tintas para os direitos humanos. Apenas quando estes coexistem com importantes reservas de petróleo ou com incómodos causados nos quintais da elite. Claro que, sempre que tal se afigurar necessário, é ainda possível recorrer à criação imaginária de armas de destruição maciça.

Mas as sanções não se ficam pela Federação Russa enquanto estado. O G7 (leia-se: os EUA) vai também decidir sobre sanções a aplicar a alguns oligarcas que ainda recentemente eram recebidos nos seus países sem grandes entraves, apesar de já há muito andarem por ai a “oligarcar”. O que não deixa de ser no mínimo irónico tendo em conta as relações de proximidade e amizade existentes entre o G7 (leia-se: os EUA) e oligarcas de outros cantos do globo como a Arábia Saudita ou Israel. E tudo isto um dia antes de um dos participantes do certame receber no Eliseu o oligarca angolano e ícone do nepotismo mundial José Eduardo dos Santos. Quem achar que existe aqui alguma contradição só pode ser um conspirador paranóico da esquerda radical.

O que me deixa perplexo não são as movimentações dos diferentes estados em função dos seus interesses específicos, sejam eles os EUA, a Rússia ou Burundi. A Rússia, tendo oportunidade, tentaria fazer o mesmo e encostaria, sem hesitar, os EUA à parede enquanto aumentava a sua zona de influência em torno do eterno inimigo. O que me deixa perplexo é a facilidade com que a opinião pública engole que estados terroristas como os EUA ou a Inglaterra denunciem e combatam o terrorismo dos outros ao mesmo tempo que praticam o seu como se de uma cruzada do bem contra o mal se tratasse. A Rússia não tem lições de imperialismo para ensinar aos EUA e restantes cães de caça de Washington: tem é muitas para aprender.

Comments

  1. Jorge says:

    O estado em que a Ucrânia se encontra nada tem a haver com o estado que se entrava o Iraque a quando da invasão. A Ucrânia é um pais livre na verdadeira ascensão da palavra. E o que a Russia quer é simplesmente aumentar a sua areia de influencia por via da anexação de um estado soberano. Como os nazis fizeram na Eslováquia. As eleições na Ucrânia estão marcadas. Agora na Rússia é outra historia. Toda a gente sabe que faz mal as pessoas ficarem agarradas ao poder durante muitos anos. Pode acontecer coisas destas. A renovação é necessária é unica maneira de uma civilização avançar.

    • pois não. mas em ambos os casos, a soberania de um estado foi violada unilateralmente. e se agora se estudam sanções contra a Rússia, porque não se fez o mesmo com os EUA nessa altura? Porque os EUA controlam as instituições internacionais e estas são coniventes com o tipo de imperialismo que praticam.

      O Iraque, ainda que governado por um tirano, também era um país livre que foi invadido (de forma bem mais violenta e destrutiva, diga-se de passagem) por forma a que os EUA pudessem aumentar o seu raio de influência no Médio Oriente ao mesmo tempo que se apoderavam do petróleo do país e abriam um novo mercado para as empresas amigas. Mas da mesma forma que o Iraque era governado por um tirano, a Ucrânia é hoje governada por, entre outros, gente da extrema-direita que não foi eleita por ninguém e que já mostrou o tipo de métodos que está disposta a usar.

      Quanto a pessoas agarradas ao poder muito tempo, poderíamos dizer o mesmo da Goldman Sachs ou de amigos tão distintos do Ocidente como Al-Assad ou Saddam o eram até há pouco tempo atrás. Cada um come a propaganda que quer.

  2. JgMenos says:

    O que deixa perplexo o autor é uma crónica de esquerda, para quem o Iraque de Hussein é uma referência de soberania dos povos e de estabilidade estatal feridas pelo imperialismo ocidental.
    Fekizmente a Coreia do Norte tem a bomba atómica, de outro modo poderiam assistir a uma nova vitória desse imperialismo sobre a liberdade dos povos!!!

    • O que me deixa perplexo, para além do que já referi em cima, é existirem fanáticos que catalogam os outros sem uma merda de um argumento decente. tipo canalha da escola primária. é muita ignorância e estupidez em 6 linhas de resposta JgMenos, onde adquiriu esse saber?

  3. jorge says:

    Mas porque ter medo dos impérios? Quando o império permite a liberdade do povo e a prosperidade, ou seja, existe comer para todos e oportunidade para tds crescerem até um preto pode chegar ao poder no mundo ocidental. Um dia o planeta será só um.

    • O império nunca permite a prosperidade e muito menos a liberdade. uma sociedade sem uma balança que equilibre o poder descamba sempre para totalitarismos Jorge. E se se refere, sem ironia, aos EUA, relembro-lhe que na maior economia do mundo, que gasta milhares de milhões anuais com o sector militar existem cerca de 50 milhões de pobres…

      • Ferdinand says:

        O padrão de vida americano tem vindo a diminuir há décadas, e a desigualdade tem vindo a aumentar…
        Como alguém disse +- assim “Sonho americano? Tem mesmo que estar a sonhar para acreditar nele”

        Para o Jorge e outros é assim:

        Quando a banca não era consecutivamente salva pelos contribuintes, era o capitalismo no seu melhor, agora que as sociedades são obrigadas a “salvar” a banca falida uma, e outra vez, e promete continuar até parece que “capitalismo” é uma palavra maldita!

        Outra, quando os USA e os restantes estados fantoche ainda tinham credibilidade q.b. para andar a invadir outros países, de preferência com uma população com uma tez mais pigmentada e que tenham recursos naturais apetecíveis, em nome da democracia e liberdade os USA não eram um império era a vontade de Deus. Agora que a credibilidade dos USA tem vindo a ser destruída por causa do comportamento criminoso continuado das suas elites já são um império, mas um império melhor que os outros impérios!

        Enfim…

        • nem mais Ferdinand. E por terem esta atitude imperialista acabam por não ter qualquer tipo de credibilidade para julgar as acções imperialistas dos russos. Eu no lugar deles ria-me da indignação hipócrita de Washington.

          a “mão invisível” já provou ser um barrete. o sonho americano outro…

        • jorge says:

          Concorda com anexação da Crimeia por parte da Rússia?
          Pergunto-lhe como reagiria se tivesse um quintal e de um dia para o outro viessem uns “ocupas” impedirem o uso desse terreno? Dizer que o poder atual na Ucrania é de extrema direita parece um bocado exagerado, estão simplesmente a defender o seu “quintal”.

          Depois tenham atenção a forma o Putin trata os próprios contestarias políticos na próprio Rússia, para se tirarem conclusões do que pode vir dai. A hemorragia deve ser estancada na Raiz.

          • Claro que não. Não sou a favor de qualquer acto de invasão ou anexação, seja por ditadores russos ou americanos.

            O governo não-eleito da Ucrânia inclui membros do partido neo-nazi Svoboda. É lamentável que os ucranianos se livrem de um ditador para levarem de seguida com outro. Defender o quintal não tem nada a ver com as intenções de alguns radicais que se apoderaram do poder na Ucrânia.

            Quando refere que “A hemorragia deve ser estancada na Raiz”, sugere um ataque militar à Rússia?

  4. portela says:

    Quem é livre para fazer o que lhe apetece é escravo de si mesmo.
    .
    Exemplos não faltam.

  5. Jorge says:

    Até agora ainda ninguém viu intenção nenhuma da parte dos “nazis” ucranianos. As eleições estão marcada.

    Acho que as medidas que estão a ser tomadas contra a Rússia são suficientes, mas caso existe anexação de mais uma parte do território ucraniano alguma coisa mais deve ser feita. Assusta-me a ideia de um guerra, mas a verdade é que se o Putin permanece no poder mais 5 anos é inevitável. Ele já esta com o Virus e nada de bom pode vir dali. Reze-mos para alguém na Russia fazer alguma coisa.

    • mas já vimos alguns deputados do Svoboda a entrar na sede da TV ucraniana NTU, a espancar o seu director e a expulsá-lo de lá. se isto para si não serve de indicador para o que ai pode vir, então fico com a sensação que é conivente com tais práticas.

      de resto, se em algum momento entende que a solução passa por um confronto com a Rússia, só lhe posso dizer que não deve ter a mínima noção do que tal acarretaria. acha que é essa solução que deve ser equacionada da próxima vez que os EUA invadirem e anexarem outro país no Médio Oriente ou na América Latina?

  6. Jorge says:

    Não quero nenhuma guerra. O que acho é que ninguém deve permanecer mt tempo no poder, que não se pode permitir a um estado anexe outro, por ser mais “forte”. Senão mais cedo ou mais tarde vai acabar em guerra. O que a Russia fez é Grave mt grave e se voltar a repetir-se deve ter uma resposta a altura. E não é a Russia é o Putin.

    Deixe o Médio oriente em paz daqui a 5 anos estará bastante melhor do que esta. Vai agradecer aos EUA?

    • agradecer aos EUA? O Iraque está pior agora do que no tempo do Saddam, o Afeganistão nem se fala. Agradecer o quê? Você vê melhorias em países onde a violência disparou para níveis sem precedentes?

      Se acha que o que a Russia fez merece resposta, então penso que legitima qualquer ataque aos EUA pelo que fizeram no Médio Oriente e na América Central e Latina certo?

  7. Jorge says:

    Se não fosse os EUA a Europa hoje era uma colónia da Rússia, Estaríamos com o mesmo nível de desenvolvimento da Ucrania e vizinhos. Deixem de ser do contra. O EUA tem mts defeitos, como todos nós, mas as qualidades superem em mt os defeitos.

    • As qualidades superam os defeitos? Tão engraçado que é o Jorge. Bem, contra lacaios declarados de (alguns) regimes opressores não há argumentos. O título deste post fica-lhe muito bem (a si e ao post).

Trackbacks

  1. […] Perante tudo isto, é fácil perceber a dualidade de critérios quando chega a hora das sanções. São embargos à moda do Ocidente. Um Ocidente que aponta o dedo moralista ao opressor russo mas que não se inibe de violar a soberania de outros estados mesmo que isso implique inventar armas de destruição maciça onde elas não existem. O mesmo Ocidente que treinou a Al-Qaeda, que patrocinou golpes de Estado contra governantes democraticamente eleitos, do Chile de Allende ao Irão de Mossadegh e que trata por tu o totalitarismo saudita, o tal que também corta umas cabeças mas por motivos muito mais legítimos com a prática de bruxaria ou a heresia de rezar a um amigo imaginário diferente do deles. São imperialismos. Qual deles o melhor? […]

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