Brasil 2014 – Brasil vs Croácia

O novo Arena Corinthians, ou Itaqueirão, como quiserem, estádio de raiz construído para a inauguração deste campeonato do mundo e, em jeito de curiosidade para quem seja curioso destas coisas, para suprir a necessidade que um dos colossos do futebol mundial, o Corinthians, tinha de possuir finalmente um estádio próprio, recebeu o jogo que marca o início de mais um Mundial entre Brasil e Croácia. Apesar de não estar cheio, o Itaqueirão foi ao rubro quando o onze brasileiro escalado por Felipão cantou fervorosamente o hino brasileiro, entoado a letra do hino que vai para além do som previsto para o momento.

Esperava-se uma selecção brasileira cheia de fome. Scolari não alterou o onze-tipo idealizado para a sua selecção, devidamente testado nos 4 anos de amigáveis jogados pela Canarinha e na Taça das Confederações. A única alteração de vulto registada foi o posicionamento de Oscar no flanco direito, quando se esperava Neymar numa ala (acabou por jogar como um vagabundo no ataque do Brasil), Hulk na outra e o jogador do Chelsea no centro do terreno. Nada que Scolari também já não tivesse testado por várias vezes. Contudo, a selecção orientada por Niko Kovac trocou as voltas ao guião inicial e, aproveitando as características dos seus jogadores, com Rakitic no miolo a pautar a velocidade de jogo dos Croatas e uma frente alargada (mas muito móvel e com trocas posicionais constantes) com Jelavic, Olic e Perisic, trocou os planos todos à selecção brasileira. Os croatas puseram definitivamente em sentido os brasileiros quando, desenrolando uma jogada deja vu dos croatas (o médio de transições a acelerar o jogo, colocar a bola no flanco e o extremo desse lado cruzar rasteiro para a desmarcação no miolo\primeiro poste do avançado ou do extremo contrário) Rakitic acelerou com a bola no pé, colocou em Olic e o veterano avançado deu rasteiro para a entrada de Jelavic na área. Difícil? Não. O ponta-de-lança do Hull City tentou o toque de primeira, acabou por falhar na bola e Marcelo, pressionado por um adversário “marcou” o primeiro golo do Mundial. Primeiro dissabor para o festivo povo brasileiro. Primeiro obstáculo para Scolari.

Dificuldades na construção – Durante toda a primeira parte, o escrete acusou dificuldades em construir jogo. Os Croatas marcaram e fecharam as linhas. Com uma defesa bem articulada não concederam espaços para os brasileiros jogar. Luis Gustavo e Paulinho não são propriamente aquele tipo de médios (de transição) que venham buscar a bola até aos centrais (até porque os centrais brasileiros conseguem sair bem a jogar e David Luiz é aquele central que gosta de sair a jogar até ao meio-campo), Oscar mais encostado à direita não poderia fazer esse tipo de tarefa e invariavelmente faltou alguém que pegasse na bola no miolo e pensasse o jogo do Brasil. O jogador do Wolfsburg fez o que lhe competia, colar-se aos centrais, dar mais estabilidade defensiva e permitir a subida dos laterais. Invariavelmente, a selecção brasileira tentou sair pelas alas e tal mecanismo de jogo não foi propriamente profícuo. Em algumas jogadas do primeiro tempo, os centrais limitaram-se a despejar bolas para as alas. A bom da verdade, o Brasil de Scolari estava a jogar à Scolari: mal e porcamente.

Rakitic e Modric não funciona? – Niko Kovac deu carta branca a Rakitic para ser o cérebro da equipa com Modric ao lado. O médio do Sevilha pautou bem o jogo croata, mas ofuscou Modric que se limitou a ser durante os 90″ um médio de apoio do médio do Sevilla. Talvez seja melhor Stimac avançar o médio do Real Madrid no terreno e dar-lhe funções mais criativas, um pouco à semelhança das funções que o médio desempenhava nos tempos de Londres…

Acentuou-se o cerco à baliza de Stipe Pletikosa – Desde logo se denotou uma fantástica exibição de Oscar. Com os seus habituais processos simples, o médio do Chelsea tentou desiquilibrar pelo flanco direito assim como combinar com Hulk. Pletikosa fez um punhado de boas defesas. Até que a bola saltou linhas e veio parar aos pés de Neymar. O craque do Barcelona adocicou o lance e rematou cruzado. A bola ia frouxa e Pletikosa bem se esticou mas ia à gaveta. Ao intervalo, o resultado justificava-se.

Contentes com o empate – Nos primeiros 20 minutos da segunda-parte, nenhuma das selecções jogou para perder.

Até que… o árbitro Japonês Yuichi Nishikori tratou de inventar o penalty à casa. Lance entre Fred e o central do Southampton (colega de sector de José Fonte) Dejan Lovren com o avançado do Fluminense a cavar uma falta inexistente. Ponto. Neymar não desperdiçou num lance em que Pletikosa adivinhou o lado para o qual ia a bola e quase defendeu. Minutos depois, o Japonês, péssimo no capítulo disciplinar (permitiu um acumular de faltas aos laterais da Croácia Srna e Vrsaljko sem agir no capítulo disciplinar) anulou um lance muito discutível ao ataque croata por carga de Olic sobre Júlio César. Duvido que este Japonês volte a apitar neste mundial.

Dois cortes providenciais – David Luiz a Perisic dentro da área, descaído para o lado direito e depois a Brozovic na recarga a um remate de Perisic que Júlio César tremeu que nem varas verdes. O guarda-redes brasileiro foi eficaz mas não mostrou muita segurança. Prova disso foi o lance em que quase permitiu a Olic cabecear para o fundo das redes brasileiras, lance que o árbitro Nishikori anulou quanto a mim mal visto que me pareceu que Olic limitou-se a tentar cabecear a bola, não fazendo carga sobre o guarda-redes.

oscar

Mais desafogados e com os Croatas a arriscar tudo por tudo, Oscar sai coroado rei da noite de São Paulo – Mourinho adora este São Paulino (jogou no São Paulo e no Internacional de Porto Alegre antes de rumar a Inglaterra; melhor jogador do mundial de sub-20 no qual marcou 3 golos a Portugal naquela final mítica do torneio de 2011 na Colômbia) porque Oscar não tem a palavra “inventar” no seu léxico e no seu jogo. Mesmo a jogar na ala direita, o 11 do Brasil tentou sempre puxar a equipa para a frente, ora através das suas arrancadas pelo flanco, dos seus dribles simples, dos cruzamentos que tentou bombear para a área sempre que pode. Teve o seu momento de glória quando, embalado em zona central, preferindo uma decisão que não é típica de um jogador brasileiro (adornar o lance) foi pragmático e prático, ao seu estilo, selando a vitória brasileira na difícil partida disputada contra os disciplinados croatas.

Comments

  1. Luis Caldas says:

    joão o treinador da Croácia é o Niko Kovac. Boa análise, parece que o amarelo ao neymar devia ter 1 tom mais avermelhado…

  2. Carlos Lopes says:

    O Stimac nao é o seleccionador da croácia… Foi em tempos.

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