Vítor Cunha rumo à Lua

rumoaluaConfesso que tenho um preocupante fascínio pela tendência do portuguesinho para se sentar a uma mesa de um café e discorrer, com mais ou menos álcool no bucho, sobre qualquer assunto, especialmente se não o dominar. Os blogues, na maior parte dos casos, não são mais do que tascas em que o mais ébrio tem a possibilidade e reclama o direito de falar sobre tudo aquilo que não entende. É, aliás, frequente, o bêbedo gritar “Eu sei muito bem o que estou a dizer e sou capaz de conduzir até casa ferpeitamente!”

Vítor Cunha talvez não beba, mas raramente está sóbrio e se há substância que o excita é o discurso da esquerda, especialmente se comunista. Se o comunista for sindicalista e se se chamar Mário Nogueira, Vítor Cunha – e a honestíssima trupe blasfemo-observadora, de uma maneira geral – fica num estado semelhante ao de Maradona depois de fungar aquilo que não era rapé. Se a religião é o ópio do povo, Mário Nogueira é a cocaína de Vítor Cunha: basta uma linha e a realidade é outra coisa.

Sob o efeito do seu estupefaciente preferido, Vítor apoiou-se ao balcão da tasca e arriscou umas alegorias com que julga explicar a questão da prova dos professores contratados. Apesar do meu fascínio pela miséria humana, é sempre com um misto de prudência e de compaixão que me afasto de quem não está em condições de perceber. De qualquer modo, a ignorância atrevida é uma outra forma de bebedeira.

Na realidade, o simples facto de ser professor torna-me, em qualquer taberna mal-afamada, incompetente para dar opiniões sobre a minha área de actividade. Ainda por cima, sou de esquerda, o que quer dizer, na fala entaramelada de Vítor Cunha, que estou, neste preciso momento, a dar injecções atrás da orelha de velhinhos, ao mesmo tempo que defendo os meus interesses pessoais e corporativos e comunistas e soviéticos e norte-coreanos.

Entretanto, Nuno, esse crato, continua a destruir a Escola Pública (uma outra expressão que deixa os olhos de Vítor Cunha injectados de sangue). Não lhe faltam apoios nem abstenções, ou seja, apoios.

Comments


  1. Gostei bastante do texto, muito bem argumentado, aliás, ótimo blog.

    Conheça o meu https://cultbutpsycho.wordpress.com também. :*

  2. Pinto says:

    Quem não é professor só diz merda nestas questões. As únicas pessoas que percebem disto são os professores.

    • António Fernando Nabais says:

      Depois de ler o texto do Vítor Cunha, até fiquei com a impressão de que os professores são os únicos que não percebem nada disto, mas o Pinto conseguiu trazer-me à razão. Obrigado.


  3. Excelente texto!
    Excelente argumentação e fundamentação!
    E…sr. Pinto: francamente!!!
    “Santa” paciência! Mas que comentário mais infeliz!

  4. maria câmara says:

    Eis um texto com um inteligente, eficaz e humorístico sarcasmo!

  5. Vitó says:

    Mas quem é o Vitó?


  6. Quando os Vitores Cunhas têm um “argumento” e almejam um sketch à Monty Python alive (mostly)

  7. José Peralta says:

    Eu digo daqui ao idiota fascistóide vitinho ( tenho-lhe o mesmo asco que ele tem à Esquerda em geral !) que o “conjunto de licenciados em astrofísica e pilotos da força aérea”, na próxima “viagem” que façam, o deixem a gravitar na Estratosfera…

    E também já disse aqui no Aventar e noutros lugares, por mais de uma vez e sempre que me “apetecer” que, em Democracia, o vitinho cunha, na sarjeta infecta onde vomita os volvos, pode ser coronel da censura fascistóide, “profissão” para que está altamente “habilitado” e, por isso, não precisa de fazer provas de avaliação !

    É diplomado “cum laude” em idiotia rasca e canalha…

  8. José Peralta says:

    António Fernando Nabais

    Quanto à “honestíssima” trupe blasfemo-observadora, que “lá” fica a fungar aquilo que não é rapé, e fornecido à fartazana pelo “calhau”, claro que aplaude, olhos vidrados e em alvo…

    Haja algum que tenha o desplante (permita-me este plebeísmo…) de cagar fora do penico (leia-se “blasfémias” !), é liminarmente afastado pelo “doutorado em idiotia”, e inexorávelmente privado do “produto fungador” !


  9. Já deixei de ler o Vitor Cunha há muito tempo. Cansei-me dele. É moralmente uma criaturazinha de baixa estatura, cabeça grande, inútil, olho preto, pequeno, de rato. Acha que tem graça e por vezes tem alguma. Graça nos trocadilhos, nas insinuações, nos truques. Porém, onde ele se perde é nas ideias, na espinha dorsal, no carácter. Lá, na casa dele, é vê-lo esbaforido, feérico de si mesmo, sempre de lápis azul na mão, a corrigir, a rebater, a insinuar, a criticar, a censurar (em nome do direito de propriedade…). Enfim, uma criaturazinha a quem atribuí o premio especial e dedicado (em nome do direito de escolha) de ignorar completamente, não ler, não comentar, não sentir que existe.


  10. Se não gosta da criatura não o divulguem nem lhe dêem importância, e se lha querem dar resolvam o problema à chapada agora vir para aqui queixarem-se de que ele é mau muito mau não leva a lugar nenhum e só lhe aumenta o ego. Caguem nele.

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  3. […] à espera que os pândegos insurgentes, blasfemos e observadores venham explicar que este atropelo ético resulta do imenso poder dos professores ou […]

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