Dia Mundial do Professor

No Dia Mundial do Professor, é importante lembrar que o Ministério da Educação, que teve vários meses, para não dizer anos, para preparar um concurso de professores, conseguiu a proeza de falhar redondamente.

Em consequência disso, houve professores mal colocados. Nuno Crato pediu desculpa e prometeu que ninguém, incluindo professores, seria prejudicado.

Tendo em conta o que sabemos sobre o chefe do governo, seria surpreendente que uma promessa fosse mantida por algum dos seus subordinados. Assim, há centenas de professores que, ao fim de três semanas de aulas, serão obrigados a mudar de escola e/ou de terra, o que, para muitos, acontecerá pela segunda vez este ano lectivo. Para além disso, há milhares de alunos que serão afectados por mais uma mudança.

Hoje, é o Dia Mundial do Professor. Em Portugal, os professores estão a ser maltratados desde 2005.

Neste Dia Mundial do Professor, leia-se a história da professora Céu Bastos que, sendo de Bragança, foi colocada em Constância, para, pouco tempo depois, ser obrigada a ir para o Algarve. Mesmo que esta fosse a única vítima de um erro ministerial, haveria sempre demasiadas vítimas.

Nuno Crato, tal como as suas duas antecessoras, não merece perdão e desejo-lhe um resto de vida muito feliz longe da Educação. No entanto, cada vez mais dou por mim a perguntar-me se uma classe tão agredida e tão passiva terá menos culpas que ministros destes?

Comments


  1. Reblogged this on O Retiro do Sossego.

  2. coelhopereira says:

    Hoje é o Dia Mundial, se nos restringirmos aqui ao luso rincão, do Ex-Professor. Basta entrar numa qualquer escola deste país para o constatar: gente velha e envelhecida, cansada e psicologicamente destroçada, ou seja, numa expressão, gente a definhar numa apagada e vil tristeza . Ninguém me tira da cabeça que tudo isto é o fruto de uma política deliberada, executada, à vez, pelo Grande Centrão dos Interesses Económicos: há que tudo destroçar para que, um belo dia, haja uma qualquer ministerial luminária que chegue a uma brilhante constatação – “Olha, isto está tudo de pantanas e nada funciona!” – e seguir-se-á, a mata-cavalos, a respectiva “correctora” e “optimizadora” privatização do sector educativo.
    Se o professorado não tem disto culpas no cartório? Tem. Durante anos, houve uma esmagadora maioria do corpo docente que disse “ámen” a toda e qualquer sandice que fosse proveniente da 5 de Outubro. À acção crítica e intransigentemente desafiadora das burrices ministeriais preferiram a fé cega na crença de que, com carneirismo, voluntarismo acéfalo e muita dedicação aos seus “meninos”, aquilo que torto nascia algum dia seria endireitado. Não foi endireitado. Não será endireitado. O que restará será um mar de cinzas onde débeis espectros se perguntarão, uma e outra vez, se não deveriam ter agido na altura em que a acção se impunha. Mas, como sabemos, de dúvidas retroactivas está o Inferno cheio. E o Inferno já aí está, para professores e alunos, ao vivo e a cores.

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.