O plano para matar a Nessie

A imprensa inglesa noticia hoje que o Museu de História Natural, em Londres, concebeu um plano monstruoso para capturar e assassinar o impropriamente chamado “Monstro” do Lago Ness, essa esquiva e pacífica criatura chamada Nessie, e que o caro aventador Francisco Miguel Valada em tempos me elucidou que é tido, pelos locais, como sendo uma menina.

O perverso director do Museu à data (estávamos nos primeiros anos da década de 1930) contratou “caçadores de cabeças” que teriam como missão rumar à Escócia, assassinar a Nessie e enviar a sua carcaça para que fosse exibida em Londres. Caso não conseguissem cumprir a missão com êxito absoluto, deveriam pelo menos enviar uma barbatana, um maxilar, um dente, qualquer troféu arrancado ao corpo da pobre criatura.

Quando o Museu Real Escocês soube da história, apressou-se a accionar os mecanismos diplomáticos ao seu alcance. Pensarão, porventura, os leitores que esses meios se destinavam a travar o massacre da criatura que era já então um símbolo da Escócia? Qual quê! O director do Museu apenas quis garantir que fossem atribuídos aos escoceses os direitos de exibição do cadáver da Nessie. Ó pérfida Álbion.

Perante isto, e passado o choque inicial que a notícia me produziu (já por aqui declarei o meu amor à bichinha) creio que é chegado o momento de exigir que se redija e aprove uma declaração universal dos direitos das criaturas mitológicas. Os tempos vão bárbaros, e não se põe em causa que a prioridade deve estar na salvação dos comprovadamente vivos, mas também não vejo motivos para admitir que meia dúzia de caçadores de cabeças possa destruir a variada fauna mitológica do planeta.

Apressemo-nos a defender os direitos do que nunca foram vistos, dos que não são mais do que rumor, história contada em noites de tempestade, testemunho inverosímil de um vagabundo exausto e alucinado, ou não fosse essa uma maneira de salvar o que há em nós de mais humano.

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Comments

  1. Américo Montez says:

    Apoiado !!

  2. portela says:

    Passos Coelho tem o plano certo. Se ele dá cabo de nós, mais facilmente dá cabo do monstro.
    .

    • portela says:

      São duas as categorias de caçadores.
      .
      A- os que compreendem e não conhecem.
      B- os que não compreendem e conhecem.
      .
      Os sem categoria, não compreendem nem conhecem. Por isso estão feitos; se fugirem o bicho pega, se ficarem o bicho come. É a este grupo que pertence o exterminador de Massamá

  3. Os EUA devem competir com o Canadá pelo direito a expor o Bigfoot, a Grécia tem muito por onde escolher e Portugal poderia apresentar um governo competente…

  4. j. manuel cordeiro says:

    Concordo e comecemos já com o caçador de gorduras do estado, essa figura mítica que quase apareceu em 2011. Há quem jure que o avistou duas semanas antes de uma eleição, num tempo de antena.

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