Resistência e colaboracionistas

bomba euro

É evidente que assistimos a uma guerra económica que também nos atinge – se bem que nos atingiria menos, não fosse a ruinosa gestão do país conduzida pelos sucessivos governos, mas isso é  tema de outros artigos. Esta guerra trava-se com bombas financeiras, capazes de aniquilar um país com mais eficácia do que as bombas reais que a segunda guerra mundial lançou sobre as populações. Explodem agora mas foram sendo carregadas e armadilhadas ao longo das últimas décadas de construção de mercado europeu. Grupos como o eixo franco-alemão, agora claramente mais alemão do que francês, despejaram dinheiro a rodos noutras economias, tapando os olhos à corrupção e à real utilidade da forma como esse dinheiro estava a ser gasto, a troco de fecho de sectores da economia e da criação de um mercado interno, esse mesmo que tem permitido à Alemanha ser o colosso económico que hoje é.

Ironicamente, tal como na anterior guerra mundial, a Alemanha está no centro do conflito e a ela, novamente, se juntam colaboracionistas como é o caso dos reincidentes Portugal e Espanha. Em breve veremos se essas bombas rebentam com a Grécia e com outras ténues resistências que aqui e ali se manifestam. Até lá, fica a brilhante jogada de Tsipras ao defender que os seus interlocutores não são grupos cuja única legitimidade é o capital mas sim governos e instituições democraticamente eleitas. É o quebrar do ciclo de ausência de legitimidade das decisões na Europa, trazendo de volta o controlo à política e aos cidadãos.

Comments

  1. Tsipras está a tentar devolver a dignidade e a esperança.
    Não só aos gregos mas a todos os pobres da Europa, as vítimas desta verdadeira 3ª Guerra Mundial, que se está a travar não em campos de batalha mas em bolsas, mercados, governos e desgovernos. Os ricos estão a ganhar, os países pobres estão a levar uma tareia.
    Tsipras está a mostrar que é possível bater o pé aos abutres. Vamos ver se consegue levar a sua avante. Ele precisa do apoio de todos os europeus carentes de esperança no futuro.

    Só uma questão: enquanto gregos e espanhóis vêem a sua esquerda a reforçar-se, a esquerda portuguesa auto-devora-se. São tão imbecis que nem precisam que a direita os esmague, destroem-se a si mesmos. Porquê?

  2. José António says:

    O Tsipras quer é fazer um brilharete com o nosso dinheiro. Veremos quanto tempo se aguenta.

  3. Em portugal há apenas uma mini- esquerda.
    Os partidos que se aliam ao PSD e ao CDS na violação dos direitos humanos e dos animais, são de esquerda?

Trackbacks

  1. […] Resistência e colaboracionistas, num país onde o empobrecimento planeado foi o programa de um governo. […]

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