Habemus imperatorem

Erguendo o braço estendido, qual César belenense, Cavaco decretou quais as prendas que o seu sucessor deveria possuir para merecer a honra de lhe herdar a cadeira. Assim mesmo, como faziam os imperadores romanos que. espertos, adoptavam filhos que lhes parecessem dignos da imperial dignitas. Claro que os meus amigos mais cáusticos não deixarão de gozar o facto de Aníbal, um provinciano que mal sai da sua toca de luxo em Belém, salientar, entre as qualidades desejáveis ao seu sucessor, a de uma grande competência a nível das relações internacionais. Dados os nomes que se apresentam, todos percebemos quem Cavaco está a indigitar, como acontece em certos concursos em que o perfil é feito à medida de um candidato. Mas não adianta, pois o desejado pelo presidencial adoptante é, como bem sabemos, popularmente detestado. Uma coisa nos deixa relativamente descansados: para pior, não vai ser. Digo eu.

Comments


  1. O senhor Presidente continua imparável na arte de não conseguir dar uma para a caixa. São uma atrás das outras.
    Tinha prometido que não escreveria mais sobre ele, apelando a quem nele votou que o aturasse, pois mingua-me a paciência. Contudo, não me posso conter perante a última declaração da criatura, aquela que, para mim, é pérola das pérolas do senhor Silva.
    Vir dar conselhos e fazer recomendações ao futuro Presidente extravasa tudo o que são os limites do decoro intelectual. Então quem é este boliqueimense para vir recomendar perfis presidenciais?! Que legitimidade julga possuir para se atrever a tal? E espelhos em casa, não os tem? Não se enxerga?
    É fácil definir Cavaco não por aquilo que é, mas por aquilo que não é:

    – Não é o Presidente de todos os portugueses;
    – Não compreende a laicidade do Estado, ao dizer que nossa senhora de Fátima deu uma mãozinha numa das avaliações da troika;
    – Não consegue ter uma opinião sobre nada de forma sustentada;
    – Não consegue enfrentar o povo profundo, fugindo das contestações ou desfalecendo perante elas;
    – Não consegue disfarçar a sua tendência partidária no exercício do cargo que ocupa (são tantos os exemplos que me dispenso de os referir aqui);
    – Não respeita os aposentados do nosso pais, quando vem dizer que não ganha para as despesas;
    – Não presta homenagem fúnebre a um português prémio Nobel da literatura, só por preconceitos ideológicos, não perdendo a oportunidade de entregar condecorações a outros artistas portugueses (que é das poucas coisas que sabe fazer).

    Este senhor passa a vida a dizer que um Presidente da República não se pronuncia sobre isto e sobre aquilo, ficando por se saber, afinal, sobre que matérias se deve pronunciar um chefe de estado.
    E por aqui me fico, pois já lhe estou a dar a importância que ele não tem.
    Reitero: que o ature quem nele votou.


  2. ele nao foi eleito por ninguem, já estava escrito!


  3. Essa do provinciano saiu-le mal, não?

  4. Fernanda says:

    Cavaco refere-se à sua experiência internacional e bem. De Boliqueime a Albufeira é um pulo.

    Distancia entre Boliqueime – Albufeira: 12,5 km (7.5 mi)
    Mova temp: 20 mins
    Velocidade média (de carro): 36km (22.4mi) /h

  5. Simão says:

    “provinciano” ?!?!?

    Interessante….a Esquerda tão “igualitária” e tão “benemérita”, sempre a correr em favor dos “desvalidos” não se consegue conter.
    Quem não tenha nascido e/ou frequente os ambientes “chic” da “””””intelectualidade””””” e dos “grupinhos de influência” (cujos sobrenomes são bem conhecidos…mas tudo, claro, sempre um nome do tal de Povo que, no fundo desprezam) dos grandes centros urbanos é….”provinciano” (sempre com aquele ar entre o desdém completo e o paternalismo mais serôdio….).
    Se a hipocrisia pagasse imposto estaríamos em Superavit.
    É isto e a recorrente utilização (sempre com o mesmo ar sobranceiro, passe o eufemismo) do termo “Massamá” em relação ao actual PM.
    Enfim: um NOJO!

  6. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Pois a minha leitura é bem diferente.
    Ao menos uma vez digamos que o sr. silva disse o que lhe ia na alma e foi humilde.
    De facto, ao “requerer” um “descendente” com a recomendação de ser bom nalguma coisa, está a reconhecer a sua fraqueza … Desta vez desculpem, mas estamos perante um acto de contrição que não deveria ser condenado antes, aplaudido: é a primeira coisa certa que o ouço dizer, depois do discurso das vaquinhas, quando falou para o seu “povo”.
    Por outro lado, o facto de mandar “papaias” no sentido de influenciar o voto, também é um “déjà vu”. Vi disto no Estado Novo do qual este senhor era um admirador profundo.
    Portanto, tudo certo…


  7. Quanto aos que me censuram a utilização do termo “provinciano”, uso-o aqui como adjectivo e não como substantivo. O antónimo será “cosmopolita”. Julgava não ser necessário explicar. Nada tem a ver com o substantivo “provinciano”, que designa o habitante da província. Mas qualquer bom dicionário vos ajudará.

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