Referendo na Grécia

Tsipras vai submeter as propostas dos credores a consulta popular. Chama-se democracia e não costuma agradar ao regime. Que o diga Papandreou.

Comments

  1. Hélder P. says:

    A democracia regressa à pátria que foi o seu berço, a Grécia. E dá uma grande dor de cabeça aos burocratas de folha de cálculo em riste.
    Uma jogada arriscada, mas uma passo de grande humildade democrática de Tsipras e do seu governo.

  2. Isabel Atalaia says:

    Deixo aqui uma tradução feita às três pancadas do discurso do Tsipras
    Compatriotas
    Durante seis meses o governo grego tem travado uma batalha em condições de asfixia económica sem precedentes para implementar o mandato que nos foi dado em 25 de Janeiro.
    Com esse mandato a negociação com os nossos parceiras era no sentido de acabar com a austeridade e permitir que a prosperidade e a justiça social voltassem ao nosso país.
    Foi um mandato para um acordo sustentável que respeitasse quer a democracia quer as regras europeias comuns e que levasse à saída definitiva da crise.
    Ao longo deste período de negociações, fomos convidados a executar os acordos concluídos pelos governos anteriores através dos memorandos, embora estes tenham sido, categoricamente, condenados pelo povo grego nas recentes eleições.
    No entanto, nem por um momento pensamos em nos render isso seria trair a vossa confiança.
    Após cinco meses de duras negociações, os nossos parceiros, infelizmente, emitiram no Eurogrupo de anteontem um ultimato para a democracia grega e ao povo grego.
    Um ultimato que é contrário aos princípios e valores fundamentais da Europa, os valores do nosso projecto comum europeu.
    Exigiram ao governo grego para aceitar uma proposta que representa um novo fardo insustentável para povo grego e prejudica a recuperação da economia e da sociedade grega, uma proposta que não só perpetua o estado de incerteza, mas acentua ainda mais as desigualdades sociais.
    A proposta das instituições inclui: medidas conducentes a uma maior desregulamentação do mercado de trabalho, cortes nas pensões, reduções adicionais nos salários do sector público e um aumento do IVA sobre os alimentos, restauração e turismo, enquanto elimina alguns benefícios fiscais das ilhas gregas.
    Estas propostas violam directamente os direitos sociais fundamentais europeus: Estas mostram que no que diz respeito ao trabalho, à igualdade e à dignidade, o objectivo de alguns dos parceiros e instituições não é um acordo viável e benéfico para todas as partes, mas a humilhação todo o povo grego.
    Estas propostas destacaram, principalmente, a insistência do FMI na austeridade severa e punitiva e tornaram mais oportuna do que nunca a necessidade de as principais potências europeias aproveitarem a oportunidade de tomarem as iniciativas que vão finalmente permitir o fim definitivo da crise da dívida soberana grega, um crise que afecta outros países europeus e ameaça o futuro da integração europeia.
    Compatriotas
    Pesa, agora, sobre os nossos ombros a responsabilidade histórica para com as lutas e os sacrifícios do povo grego para a consolidação da democracia e da soberania nacional. A nossa responsabilidade pelo futuro do nosso país.
    E, essa responsabilidade obriga-nos a responder a um ultimato sobre a base da vontade soberana do povo grego.
    Pouco tempo atrás na reunião do Conselho de Ministros sugeri a organização de um referendo, para que o povo grego decida de forma soberana.
    A sugestão foi aceita por unanimidade.
    Amanhã o Parlamento será urgentemente convocada para ratificar a proposta do Conselho de Ministros de um referendo a realizar no próximo domingo 5 de Julho sobre a aceitação ou a rejeição das propostas das instituições.
    Já informei desta minha decisão o presidente francês e a chanceler alemã , o presidente do BCE, e amanhã uma carta vai pedir, formalmente, aos líderes e às instituições da UE para prolongar por alguns dias o programa actual para que o povo grego possa decidir, livre de qualquer pressão e chantagem, como é exigido pela Constituição do nosso país e pela tradição democrática da Europa.
    Compatriotas
    À chantagem do ultimato que nos pede para aceitar uma severa e degradante austeridade sem fim e sem qualquer perspectiva de uma recuperação social e económica, peço-vos para responderem de forma soberana e orgulhosa, honrando a história do povo grego.
    Ao autoritarismo e à dura austeridade, responderemos com democracia, com calma e de forma decisiva.
    A Grécia, o berço da democracia, irá enviar uma resposta democrática retumbante à Europa e ao mundo.
    Estou pessoalmente empenhado em respeitar o resultado de vossa escolha democrática, qualquer que seja.
    Estou absolutamente confiante de que vossa escolha vai honrar a história do nosso país e enviar uma mensagem de dignidade ao mundo.
    Nestes momentos críticos, todos nós temos que lembrar que a Europa é a casa comum dos povos. Na Europa não há proprietários e convidados.
    A Grécia é e continuará a ser uma parte integrante da Europa e a Europa é uma parte integrante da Grécia. Mas sem democracia, a Europa será uma Europa sem identidade e sem rumo.
    Convido-vos a demonstrarem a unidade e a calma nacional, a fim de tomar as decisões certas.
    Por nós, pelas gerações futuras, pela história do povo grego.
    Pela soberania e a dignidade de nosso povo.


  3. O curso de formatação do Bolsanamão e derivados, está bem expresso na caixa de comentários do link.

    Acho que os troikanos não devem gostar do referendo nem da data de 5/7. Se chegar a haver referendo alguns não vão ter conhecimento do resultado, morrem antes com o medo. Sete dias é pouco tempo, para a canalha convencer os gregos a votarem contra e em troca receberem a felicidade a 6

    • Nightwish says:

      A caixa de comentários está cheia de colaboracionistas que gostam que lhes enfiem dildos no rabo sem vaselina pelos donos, e invés de se dedicarem ao sadomasoquismo, fazem com que os outros tenham que passar pelo mesmo.
      Ora bem, têm a UE e o governo que merecem.

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  1. […] chegados concordo em absoluto com a convocação de referendo na Grécia. Ainda que não subscreva o J.J.C. na verdade o jogo já cansa, caro Jorge, ninguém […]

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