Mariana Mortágua sobre o golpe na STCP

Mortágua

Retirado do artigo “O país que não queremos ser“, na edição de hoje do Jornal de Notícias:

(…) E este é o momento de perguntar: será incompetência o problema deste país? A resposta é não. A estratégia é pensada: habituar a população a conviver com um pior serviço, mais caro, que possa ser fornecido por um operador privado. O objetivo é mesmo transformar um serviço público, que para ter qualidade precisa necessariamente de investimento público, num negócio atrativo para um operador privado.

E assim, apesar da contestação, o Governo abriu um concurso para entregar a STCP a privados. Um processo apressado, que estava condenado a fracassar por ausência de candidatos em condições de sequer apresentar as garantias bancárias. Se acha que o Governo se deteve perante as dificuldades, desengane-se. Dias depois, pela voz do secretário de Estado das privatizações, o processo é reaberto, mas desta vez sem concurso. A venda será feita por ajuste direto, e os candidatos terão 12 dias para apresentar propostas.

Mais uma vez, a pergunta impõe-se. Por que é que uma empresa que não foi vendida por concurso ao longo de meses, sê-lo-á por ajuste direto a dias das eleições? Será porque a falta de transparência, rigor e controlo público tornam o processo mais atrativo e simples? Será porque o tal Governo está prestes a sair de funções e quer deixar os negócios fechados? Certamente as duas coisas, mas uma coisa é certa: se soa a vigarice, parece vigarice e cheira a vigarice, talvez seja mesmo vigarice. E o país nada recomendável é mesmo Portugal. (…)

Foto@Notícias ao Minuto

Comments

  1. martinhopm says:

    Excelente artigo, simples, claro, directo, que não deixa quaisquer dúvidas. Mariana uma deputada interventiva e de alta craveira. O seu a seu dono.

  2. Ana A. says:

    Algo vai mal nas pseudo-democracias! Não é saudável nem desejável que se governe em maioria, pois os resultados estão à vista: faz-se tudo à revelia do povo que os elegeu e quem vier atrás, que feche a porta! Sendo assim, esta democracia só difere da ditadura, porque “podemos” espernear e barafustar…

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