As origens da tragédia…

O século XX mostrou que exceptuando os casos de legítima defesa após agressão,  a intervenção militar por parte de potencias em solo estrangeiro nunca trouxe bom resultado. O século XXI trouxe mais do mesmo. Mesmo à luz do 11 de Setembro seria no máximo aceitável um ataque punitivo ao governo do Afeganistão, mas jamais encontrarei justificação para a intervenção militar no Iraque em 2003, ao invés do que acontecera em 1991, mas com uma substancial diferença, nessa altura, alcançado o objectivo de libertação do país invadido, desbaratado o exército invasor no deserto, a coligação internacional deu por concluída a missão. Não existia qualquer ligação do Iraque aos atentados do 11 de Setembro, muito menos armas de destruição maciça. Aliás, se falamos em armas de destruição maciça como justificação, porque não invadir Israel, Índia, Paquistão, Rússia, China ou Coreia do Norte?

A condenação por parte da opinião pública internacional à intervenção militar no Iraque levou a apontar o dedo aos três culpados, Bush, Blair e Aznar, aos quais a opiniãozinha pública no pequenino Portugal juntou o mordomo da triste cimeira nas Lajes, o fugitivo cherne que não tem peso político sequer para influenciar uma péssima decisão e que pela sua irrelevância e nulidade foi colocado num lugar inútil, mas isso nem vem ao caso. O homenzinho só existe em bicos dos pés e diante de holofotes…

Quando se deu a Primavera Árabe, nenhum dos políticos que protagonizou a invasão do Iraque governava, o mordomo ainda mandava uns bitaites em nome dessa entidade abstracta sem poder político chamada U.E., que existe quando os líderes das potências europeias precisam de porta-voz.

Sem pretender defender ditaduras, Tunísia, Líbia, Egipto, Síria vieram uma vez mais a revelar-se um vespeiro para o Ocidente. Nem mesmo o nobelizado e venerado, no estrangeiro, porque nos EUA a conversa é outra, Obama, fez a diferença. Não existe uma causa, mas várias, umas influenciam outras. Existe venda de armas por parte do Ocidente, mas também da Rússia e China que nestas alturas com maior ou menor discrição vão sempre buscar o seu quinhão. Existem traficantes que lucram com a miséria humana e políticos ou religiosos que aumentam a sua influência no interior dos seus países. E claro, no final de tudo existem os seres humanos comuns, gente que morre, gente que sofre e alguns mais corajosos que fogem…

Comments

  1. doorstep says:

    “Aliás, se falamos em armas de destruição maciça como justificação, porque não invadir Israel, Índia, Paquistão, Rússia, China ou Coreia do Norte?”

    Estou certo que a pergunta do António Almeida é retórica, mas, mesmo assim, aqui fica a resposta: porque esses têm-nas…

  2. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    E invadir os Estados Unidos que também as têm?
    Ou reduz-se tudo ao maniqueísmo neoliberal: de um lado os bons e do outro, os maus.
    E não há razão para a intervenção no Iraque em 2003?
    Mas afinal, quem explora, de facto, o petróleo? Os Papuanos?
    Desculpem, mas depois do que li, só posso fazer perguntas…

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.