Cartolina prima di tornare in Italia

Ora vado e non so se torno

roma

Esta fotografia foi tirada há muitos anos – sete – em Roma. Piazza Navona, creio. Sete anos não são quase nada e, no entanto, podem ser tanto, na verdade. Em 2008 eu era feliz em Roma. Como sempre fui, aliás, feliz, em Itália (ou deverei dizer em toda a parte onde estive e estou). Não daquela felicidade absoluta e inquestionável, mas daquela que vem de um bem-estar quase permanente. Suponho que seja uma maneira de ser. E sei que a fui aprendendo, com o tempo, muito antes desta fotografia, muito antes de muitas coisas importantes que me aconteceram por viver e estar viva. Não é exatamente a mesma coisa, creio que sabem isso tão bem como eu o sei.

Em 2008 muita coisa tinha começado na minha vida, incluindo muitas visitas regulares a Itália e incluindo aquilo que nos faz geralmente o sangue circular mais depressa, muito depressa. Podia falar da língua. Falo da língua. Que é só a mais bela do mundo. Uma língua em que tudo soará sempre melhor. Uma língua que é música, carícias e só beleza. Se eu tivesse que reduzir – como se fosse possível – a beleza a uma coisa apenas, essa coisa seria a língua italiana. Felizmente não tenho de reduzir a felicidade ou a beleza apenas a uma coisa. E em Itália encontrei sempre muitas coisas belas e não falo da arte, nem dos palácios, nem dos monumentos. Falo da língua outra vez. Das pessoas. Das aldeias dependuradas. Dos mares da Itália. Dos campos amarelos da Toscana. Das estradas sinuosas em toda a parte e de cortar a respiração na Costiera Amalfitana, por exemplo. Do bairro espanhol em Napoli, das escarpas de Capri, da neve em Bolzano e Bressanone. De uma certa piazza em Trento. Ou em Arezzo. Ou em Bologna. Ou em Firenze. Do casario de Siena, de Luca, de Genoa. Dos montes e dos vales da Campania. Das estradas paradas da Sicilia, da costa verde verde da Sardegna. De todos os canais de Venezia. Do muro do amor impossível em Verona. Das aldeias e das pequenas vilas em cima dos montes e das colinas.

Falo de todos os sentimentos que tive em Itália. Nenhuma viagem me dá tanto prazer – e sabe-se como todas me dão, quase sempre, um prazer enorme – como as viagens a Itália. Nenhum país me é tão querido, nem o meu, como este. Desculpem, portanto, se escrevo postais mesmo antes de lá chegar. É que Itália já foi – ainda é – a minha casa, de muitas maneiras. E é bom entrarmos na nossa casa, esse lugar onde somos – se tudo correr bem – sempre felizes. Ou pelo menos, aconchegados.

Ora vado e non so se torno. O se vorrei tornare.