PAF: Passos a Fugir

É vergonhosa e inaceitável a estratégia do PSD/CDS em se esconder, tanto pela fuga aos debates, como pela ausência de um programa que apresente em concreto o que pretende fazer a coligação durante os próximos quatro anos. Sabe-se que pretendem continuar a privatizar o SNS, a SS e a educação. Sabe-se que se comprometeram cortar 600M nas pensões. Sabe-se que pretendem privatizar ainda mais as águas e os transportes públicos. Sabe-se vão lançar um banco. Mas não o dizem. É um programa camuflado, a fazer de conta que estão em 2011. E depois de tudo vendido, qual é o plano para o país?  Não existe. O único plano é manterem-se escondidos, como muito bem explica o Público de hoje no seu editorial.

Pedro Passos Coelho não ganhou nada com o debate e, pelo contrário, comprometeu toda a estratégia da coligação; António Costa não perdeu nada e, pelo contrário, deu ao PS o suplemento de força anímica que a máquina partidária necessitava com urgência. Assim saíram os dois candidatos a primeiro-ministro do único confronto televisivo em que se sujeitam à avaliação dos portugueses antes da votação de 4 de Outubro. Supondo que o estado-maior de cada campanha não é autista, isso significa que as dinâmicas políticas internas devem sofrer alterações.Os socialistas, aturdidos pelo súbito de regresso do fantasma Sócrates, perdidos num limbo de sondagens desencorajadoras e abalados pela convicção crescente de que seria muito difícil vencer as eleições, precisam, agora, de aproveitar a enorme janela de oportunidade aberta pela boa prestação de Costa. Essa janela tem um nome, indecisos, e, embora seja impossível determinar se o debate contribuiu para muitos ou poucos decidirem o seu voto, parece óbvio que, dos dois líderes, foi Costa o que mais se esforçou por captar a sua atenção. Com um programa mais concreto na desmontagem do guião da maioria e gerindo bem as jogadas de contra-ataque que levava no bolso, como quando exibiu o gráfico sobre a cobrança de impostos ou quando arrasou o programa VEM, de apoio ao regresso dos jovens emigrantes. Mas este debate teve um outro efeito importante no campo socialista: potenciou a fixação do voto tradicionalmente PS, que ameaçava fugir para partidos mais à esquerda, como o Livre ou o Bloco. Como vai a máquina dirigida por António Costa responder a estes desafios será o desafio dos próximos dias.Quem vai ter de mudar quase tudo é a coligação à direita. Fruto dos erros cometidos por Passos no frente-a-frente com o líder do PS e de uma estratégia que tinha tudo para sucumbir ao primeiro percalço. Só a catadupa de falhas que Costa foi acumulando ao longo da pré-campanha estava a permitir o autêntico passeio eleitoral deste corpo inerte, sem programa e ainda por cima pouco dado a explicações aos portugueses, que dá pelo nome de Portugal à Frente. Veja-se como se arrastou até ao último minuto toda a definição sobre listas e programa, como este é totalmente omisso em matéria de quantificação ou concretização de políticas e, finalmente, atente-se nas objecções e incidentes em torno da realização dos debates. Além desta vacuidade deliberada, acresce que Passos foi tão inábil no debate, que ajudou Costa a tirar de cena o maior esqueleto do armário socialista: José Sócrates. Doravante, qualquer tentativa de o trazer de volta por parte da coligação vai ter o efeito contrário ao pretendido. O drama para PSD e CDS é que construíram uma campanha assente em quase nada. O passado é importante, ajuda a explicar o presente e as condicionantes do futuro, mas a falta de esperança não é mobilizadora. A coligação vai ter muito em que pensar nos próximos dias.

Comments

  1. joao lopes says:

    não só fogem ao debate( e passos quando escrutinado como deve ser por um jornalista,mete literalmente os pés pelas mãos,daí que a alusão ao socrates tenha sido um desastre,mas quem como ele só lê o CM/sol/mirone só pode fazer figura de pateta) como mentem sistematicamente,para alem da cobardia inerente às “marias luz” desta vida.


  2. O que é curioso, é o personagem acabar de dizer uma mentira (pantomina) e passados 5 minutos, diz com aquela cara de “anjinho” que bem o caracteriza quando está a aldrabar e dizer:
    – Nós nunca dissemos isso.

    Revejam os vídeos e estudem bem a expressão do vigarista quando está a mentir com todos os dentes que tem…

  3. Mariana J. Sardinha Teles Alface says:

    Será…? Não posso acreditar


    • Nunca se explique. Os seus amigos não precisam, e seus inimigos não vão acreditar.


  4. FRASES ASSASSINAS:

    “O Engº José Sócrates está em melhores condições para debater consigo. Porque não vai lá a casa debater com ele já que tem tantas saudades…”

    António Costa no debate com Passos Coelho em 9/9/15

  5. A.Silva says:

    Só uma nulidade como passos coelho, faz brilhar outra nulidade como antónio costa.

    De notar que quando me refiro a “nulidade” estou a pensar nos benefícios que estes dois podem trazer à esmagadora maioria dos portugueses, não aos oligarcas que por ai parasitam.

    • joao lopes says:

      sim,oligarcas como o dono de “expresso” que despediu o jornalista que publicou a noticia da queda iminente do BES,noticia essa dada antes de o cavaco/maria luis/passos coelho jurarem a pés juntos que estava tudo bem.


  6. Passos e Portas a fugir?
    Mais um mito que caiu. Afinal não são só os ratos, também o coelho e a sua acompanhante de luxo se querem raspar.
    Malandrecos.

  7. JgMenos says:

    A mentira ‘rigorosa e cientificamente estudada’ do PS seca toda a imaginação.
    A verdade a ninguém interessa.
    O formato é multiplicar o ruído e queixarem-se que nada ouvem.
    Espero que na PAF alguém entenda que a boa educação não é maneira de lidar com a canalha e resolva virar a mesa.


  8. A grande vantagem que temos ,é que mesmo que ele se esconda e não diga nada, os narradores engenhosos conseguem condenar antecipadamente, as medidas que venham a ser tomadas, e as suas contrarias tambem, serão condenadas. Isto é narrativas para todas a eventualidades. Pena é que seja pouco sério.

    • j. manuel cordeiro says:

      Ambos sabemos que não é isso. Os exemplos de futuras acções que o texto enumera são continuidade de acções que foram feitas neste mandato. Viu-se o que aconteceu quando Passos foi confrontado: todo o castelo de cartas feito pela propaganda ruiu. O edifício não tem base de sustentação. E é por isso que a estratégia é mantê-lo calado. Como já fizeram nas candidaturas presenciais do Cavaco.


    • Em Braga quase lhe partiam a cremalheira…
      Pois ! calada, não diz asneiras…
      Quanto ao Cavaco, estamos conversados!
      Siga para o Blasfémias que é o seu lugar.