Uma coligação exigente

É disto que eu gosto no Aventar – nunca temos o presente como o futuro que queremos ter.

Somos exigentes e queremos sempre muito mais.

Muitos, no Aventar (no país?), há anos que sonhavam ou antes, desejavam, um governo de esquerda. Os escritos da ala esquerda aqui do corner, sempre sublinharam o que nos unia, muito mais do que aquilo que nos separava. Sistema Nacional de Saúde? Escola Pública? Segurança Social? Podemos ou não encontrar pontes entre nós?

Era para mim tão óbvio o sim, que só pensava no dia em que toda a gente conseguisse ver o que me parecia evidente. Claro que também para mim, especialmente com José Sócrates, o PS se encostou, em algumas áreas, excessivamente à direita. Mas, faço minhas as palavras de Ana Benavente:

“Por mim, celebro o diálogo à esquerda. Rompeu-se um tabu. Viva a liberdade. Sempre estive muito mais perto do PCP e do BE do que do PSD ou do PP. Na acção, na vida, nas propostas e nas lutas.”

E, podemos e devemos, continuar a ser exigentes. Não imagino sequer, por exemplo, que a CGTP se transforme na UGT, estando para o Governo de Esquerda como a UGT esteve para os radicais de direita. Na educação, não tenho dúvidas que nunca o militante comunista Mário Nogueira se vergará a um Ministro da Educação como o militante laranja João Dias da Silva se vergava perante Nuno Crato. Aí, estamos todos de acordo.

Estaremos na rua sempre que se justifique e não deixaremos de apresentar sempre aquilo que são as nossas exigências.

Mas, não podemos ser ingénuos. Estamos a viver momentos históricos, daqueles que ficarão na memória por muitos e bons anos. E, vale a pena tentar. Não se vai conseguir tudo, nem tão pouco, passar do inferno ao céu, sem passar pelo purgatório. Diria, continuando na metáfora religiosa, que o Governo de Esquerda vai conseguir parar a queda para o inferno. Quando e a que velocidade o vamos deixar, depende da nossa capacidade de tornar esta coligação um espaço de exigências partilhadas. Como dizia Jerónimo, ninguém abdicou da sua dignidade. Juntaram posições comuns, guardaram para momentos posteriores as divergências e meteram pés ao caminho.

Fazendo o que nunca foi feito. Se cada um de nós, à esquerda, estiver à espera que as suas exigências, A, B, ou C sejam concretizadas para bater palmas, nunca o irá fazer, simplesmente, porque, sendo de esquerda, não somos conservadores e queremos encontrar sempre, um futuro melhor, necessariamente diferente do presente que temos.

Mas, se A acontecer e eu estiver de acordo direi – parabéns. É isso. Continuem agora para B e C.

Estou optimista porque gosto de ser surpreendido. Confesso que António Costa me surpreendeu, tal como o PC e o Bloco também me surpreenderam. Acredito que as surpresas boas podem continuar porque o país não aguenta mais pessoas como o Relvas e o Marco António. E, além disso, é uma enorme satisfação ver o pânico da direita. Quase me atrevia a escrever que, só por isso, já valeu a pena este mês.

Vamos lá começar o jogo da exigência, isto, contando, com a necessária indigitação do Presidente, algo que, não tendo acontecido, faz com que os Rios e Amados deste país imaginem que podem ser parte de um governo de salvação nacional. Mas, não tendo alternativa, Cavaco Silva terá que nomear António Costa e, aí, no Aventar, podemos continuar a ser o que sempre fomos: exigentes.

Comments

  1. Escatota Biribó says:

    Também estou optimista, vamos a isso.

  2. Isabel Atalaia says:

    Arregaçar as mangas e ao trabalho. Exigente sempre. Muito contente agora.