Teatro de fantoches

fantochada

Passos e Portas consultam um batalhão de médicos que lhe confirma o diagnóstico: estão efectivamente a ser vítimas. De alucinação. Passos e Portas trocam um olhar cúmplice, gesticulam com movimentos amplos, abrem muito os olhos e saltitam duas vezes, partindo uma enorme lâmpada fundida que se formara sobre as suas cabeças. Com o susto, desatam a correr em grande algazarra e lançam-se para um lamaçal onde encontram um grupo de lesmas. Estas perguntam-lhe em uníssono: “mas, mas, mas, mas… qual é a pressa, qual é a pressa?”. Passos e Portas desenroscam e extraem as respectivas línguas, enroscando no seu lugar duas gordas e luzidias lesmas. Passos experimenta a sua, a rappar em loop: “flato lento em água mole bate mais que rock’n’roll, flato mole em água benta tanto dá que arrebenta”, enquanto Portas vai cantando, com swing: “agora não, que estou em indie gestão; agora não, que estou em indie gestão”. Nisto aparece, a arrastar-se sinuosamente, como um réptil, uma pequena banana madeirense. “É uma canção de engonhaaaaaar, tanto sono, vou dormiiiiiiiiiir, tão bela como as dentolas de uma vaquinha a sorriiiiiiiiiir”. Os médicos, que assistiram a tudo, concordam: “Meninos, afinal, a nossa Constituição é mesmo inconstitucional! Como permitiu que estes malucos sequestrassem Portugal?”. A história termina com um certo boneco do Bordalo a distribuir Pedrada e Paulada às personagens correspondentes. E aos médicos delas carenciados, folhas de beladona q.b….

Comments

  1. António Melo says:

    Parabéns. Um texto absolutamente delirante, tão delirante como a situação que vivemos. Se o absurdo é uma forma de interrogar e criticar a realidade que nos rodeia e na qual estamos imersos, devemos no entanto concluir que não há absurdo mais absurdo que a própria realidade : entre as bananas da Madeira elogiadas em alegre cavacada (por serem agora maiores e mais saborosas) e a consulta aos constitucionalistas, resta a suprema interrogação : porquê tanto desespero, tanta angústia, tanto arrepelar de cabelos e rasgar de vestes pela perda de poder ? Será porque já não podem controlar a distribuição dos fundos comunitários da agenda 2020, atribuindo-os às clientelas e favorecendo os amigalhaços ? Ou têm pavor do que se venha a descobrir depois do “Outono vermelho” – o verdadeiro estado do país, as contas falsificadas, os números martelados ?. De qualquer modo, o estrebuchar do relvismo-marcoantonismo-cuelhismo ainda vai dar mutio que falar e causar grandes danos ao país (mais do que aqueles que já causou).

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