O debate presidencial surreal

mrs.tinoOntem tivemos o esperado debate do ano na TVI 24 que reuniu Marcelo Rebelo de Sousa, Tino de Rans e mais duas personagens, provavelmente muito respeitáveis, mas que não percebi ao que vêm nestas eleições presidenciais.

Um candidato supersónico que abriu as hostilidades lendo uma declaração escrita e à velocidade que entrou no debate saiu do mesmo. Tivemos Tino de Rans a discutir o tamanho dos sapatos e a altura de Marcelo. Por sua vez Marcelo a dizer-nos que Tino é um calceteiro de excelência. O professor dos óculos redondinhos roxos a contar-nos que não tem um salário, mas sim um ” secalhário “. Tino de Rans a dizer-nos que tinha um perfil muito parecido com o de Marcelo e que, por isso, a segunda volta das eleições iria ser disputada entre ambos. O professor dos óculos roxos redondinhos a dar-nos conhecimento que era o homem certo para o lugar incerto, daí que muito provavelmente tenha dito que caso não consiga sequer obter um voto será eleito Presidente da República.

Por outro lado tivemos Tino a dar-nos conhecimento que iria devolver o Palácio de São Bento ao povo porque o seu gabinete iria ser na rua. Tivemos Marcelo a dar-nos uma pequena lição de Direito explicando aos portugueses que uma coisa é ser cliente outra é ser proprietário. Tivemos ainda Tino de Rans, com um ar de grande felicidade, a dizer-nos que com ele teremos uma primeira dama com apenas 24 anos. E claro Marcelo Rebelo de Sousa a ver o jogo da bancada elogiando o candidato supersónico, o outro Professor e Tino de Rans. E o entrevistador, Paulo Magalhães, a fazer um esforço brutal para tentar passar a imagem que estávamos perante um debate presidencial sério.

Um debate que mais pareceu reunir quatro Best Friends Forever (BBF) muito parecido com aquelas velhas sitcoms portuguesas que juntavam Nicolau Breyner, Fernando Mendes, Ana Zanatti e Rosa do Canto. Foi mesmo surreal e em nada dignificou a figura do Presidente da República.

O nosso País parece estar a caminhar a passos largos para o que vemos habitualmente nas campanhas eleitorais no Brasil.

Comments

  1. Konigvs says:

    Surreal foi ter visto um debate para as presidenciais entre o economista-comedor-de-bolo-rei-de-boca-aberta a discutir macroeconomia com um operário metalúrgico. E a ser entalado por este. A partir daí não haverá nada mais surreal que me surpreenda.

  2. Paulo Vieira da Silva says:

    Hoje estou sem paciência para si Vergilio, desculpe, enganei-me queria dizer Avento, desculpe afinal verifiquei agora que se travestiu de Aventarei, por isso, com toda a frontalidade, informo que vou simplesmente apagar os seus comentários porque tenho muito respeito pela profissão de palhaço. Por isso não permitirei que persista em gozar com o Tiririca.

  3. Antero Seguro says:

    Infelizmente é o país que temos. A nossa geração perdeu a oportunidade histórica de com o 25 de Abril ter ajudado a construir um país novo, o legado que deixamos aos nossos filhos só nos pode envergonhar.