De que tem medo Eduardo Vítor Rodrigues?

Na altura, é provável que me tenha escapado, mas nunca é tarde para denunciar estas coisas. Foi já há mais de meio ano que a investigação do Tribunal de Contas sobre a Câmara de Gaia apontou para uma gestão ruinosa por parte dos autarcas que governaram até 2012, focando a sua censura no vice-presidente Marco António Costa.
Conhecendo o passado de Marco António, nada de espantar. Fantástico, mesmo, é que o actual Presidente da Câmara não tenha enviado de imediato o relatório para a Justiça e que não tenha promovido uma profunda auditoria interna – era o que qualquer pessoa decente faria.
Ao invés, Eduardo Vítor Rodrigues veio defender Marco António Costa com unhas e dentes. Que não, que não havia qualquer ilegalidade, muito menos qualquer crime. Que nada consta no relatório do Tribunal de Contas. Que afinal está tudo bem e nada do que o PS andou a dizer nos últimos anos faz, afinal, sentido.
O problema é que o inenarrável Eduardo Vítor Rodrigues prometera a auditoria em campanha eleitoral. Mas quando o PCP a propôs, chumbou-a. Porque enquanto não houvesse conclusões do Tribunal de Contas, não fazia sentido haver avançar com a auditoria.
Agora já há conclusões. Auditoria é que nem vê-la. Uma auditoriazita a uma empresa municipal, para apanhar a arraia-miúda, para o amigo Marco António é que nada.
Por ter compromissos económico-sentimentais, frequento quase diariamente a zona de Lavadores. E o bom povo da praia, na sua longa sabedoria, não se tem mostrado muito surpreendido. Ontem mesmo, numa conversa que acabou por levar a este post, dizia-me um dos velhotes com quem costumo tomar café: «Sabe, ele andou a comer da mesma gamela durante estes anos todos, como é que agora pode falar?»
Sinceramente, não sei se é verdade. Não conheço a personagem e, a julgar pela idoneidade que tem revelado, também não tenho grande interesse.
O que sei, isso sim, é que há uma pergunta para a qual não encontro resposta: de que tem medo Eduardo Vítor Rodrigues?

Comments


  1. Ẽ uma das manifestações de mau governo, e que espelha como é difícil sair deste desperdício de progresso, quando se podem eleger maus gestores, energúmenos e maus caracteres para as câmaras e sem escrutínio decente , continuam impunes.

  2. Mário Reis says:

    Esta forma de fazer politica é um nojo e uma traição. É o truinfo do encobrimento e amiguismo, universo de conveniências que tem de ser frontalmente combatidos. Corrói a sociedade e todos estamos a ser vitimas deste utilitarismo que incentiva o desprezo pelo politico e deixa o caminho aberto para o reino do dinheiro e uma elaborada retórica que saca os de baixo. Enquanto não se enfrentar de frente este cancro e se retirar as máscaras a estes oportunistas nada mudará. Isso faz-se com iniciativas como a do Ricardo, todos os dias, a todo o momento e dirigidas aos que se servem do poder que o povo com a melhor das intenções lhe conferiu.
    Em Gondomar, também iam fazer uma auditoria à gestão ruinosa do Valentim. Mais um tiro de pólvora seca. O dito relatório que dizem envergonha qualquer estagiário de contabilidade…custou quanto município? que discussão suscitou? Que consequências teve? Onde está a oposição dos partidos, a reação popular e o espírito critico de tantos seres bem intencionados que embarcaram na patranha, medíocre e incompetente «Gondomar +»?


  3. http://www.publico.pt/sociedade/noticia/investigacao-a-gestao-danosa-leva-a-buscas-da-pj-na-camara-de-gaia-1725563

    “No final de 2014, a Câmara de Vila Nova de Gaia garantiu ter enviado à Procuradoria-Geral da República uma auditoria externa feita à Gaianima que revelaria “ilegalidades muito significativas”.

    A auditoria às contas da empresa municipal, com um passivo total de 14 milhões de euros, foi pedida em Abril desse ano. Eduardo Vitor Rodrigues, autarca do PS que sucedeu a Menezes na presidência da câmara, lamentava então as “ilegalidades” que diziam respeito a uma “despesa impagável”

    Para a próxima informe-se em vez de basear os seus posts em comentários de café. Não cabe ao Presidente da Câmara em funções mas à PJ e à Justiça levar os responsáveis perante a Lei. Em todo o caso, por várias vezes o actual Presidente criticou a gestão da administração anterior. Apenas não faz disso modo de vida, talvez por estar mais concentrado em fazer um bom trabalho e olhar para o futuro, em vez do triste passado.
    Acho notável a sua capacidade para, com este post, fazer do actual Presidente o principal alvo e responsável máximo pelos erros do passado e pela sua impunidade perante a Lei. EVR tem feito um excelente trabalho, tem sido um excelente exemplo de como os políticos não são “todos iguais”. É triste que nem por isso os cidadãos lhe poupem injúrias e suspeições totalmente infundadas.


    • Os actos têm motivos, há sempre razões (a menos que se esteja a falar de um louco). Assim, quando informa:

      Eduardo Vitor Rodrigues, autarca do PS que sucedeu a Menezes na presidência da câmara, lamentava então as “ilegalidades” que diziam respeito a uma “despesa impagável”

      Não seria isto suficiente para não atribuir a medalha? Haverá outros motivos que obrigam a isso? É sempre legítimo questionar. Penso mesmo que é um dever questionarmos.

      Declaração de interesses: estou a um milhão de quilómetros destes problemas, não conheço os envolvidos, não nutro simpatias por partidos de uma forma geral.

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  1. […] ao peito, isto depois de ter já saído em defesa do imperador laranja. É caso para recordar a pergunta do Ricardo Ferreira Pinto: de que tem medo Eduardo Vítor […]


  2. […] há atrasado, perguntei de que tinha medo Eduardo Vítor Rodrigues, Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. Devia antes ter perguntado de quem tinha […]