Marques Mendes aplica uma delicada tareia a Maria Luís Albuquerque

MM

Diário Económico, Março de 2015:

PSD e CDS deixaram ontem passar, com a abstenção, o projecto dos socialistas que reforça as incompatibilidades dos titulares de cargos políticos, incluindo o alargamento para três anos do ‘período de nojo’ entre a política e empresas ou organizações que tutelaram.

Cerca de três meses após abandonar funções, Maria Luís Albuquerque faz vista grossa ao projecto que o seu partido permitiu ser aprovado e assina contrato com uma empresa cuja actividade era, até então, por si tutelada. O silêncio e a vergonha instalam-se à direita, apesar das tentativas de Matos Correia e Passos Coelho de branquear a situação. É impossível mascarar o mal-estar causado.

As críticas chovem, sobretudo à esquerda, sendo que a opinião de Francisco Louça, aqui partilhada pelo António Fernando Nabais, resume, em poucos minutos, a pouca-vergonha que representa a ida da ex-ministra para a Arrow Global. A direita desvaloriza porque opiniões de esquerda não têm para ela qualquer valor. E é então que a coisa azeda, pela voz de um dos mais proeminentes ideólogos do regime pseudo-liberal. Segundo Marques Mendes:

Esta empresa não contrata Maria Luís Albuquerque pela cidadã em si, por muito exemplar, competente e generosa que Maria Luís Albuquerque seja. Contrata-a porque ela foi Secretária de Estado do Tesouro, foi Ministra das Finanças e porque aos olhos da empresa pode até ter alguma informação privilegiada e, sabe-se lá, pensará que um dia poderá voltar a ser.

Thank you Captain Obvious! Isso já toda a gente percebeu. Excepto o rebanho passista claro está. E mesmo entre as ovelhas, que elas não são todas estúpidas, muitas há que preferem engolir o sapo. O barão do PSD continua:

Não passaram três anos, nem dois, desde a saída dela do ministério das Finanças. Passaram três meses. E nestas coisas, mesmo que a lei não diga nada, deve haver um período de nojo.

Já viu bem a pouca-vergonha caro comentador presidenciável? Não há respeito. Já não há cá períodos de nojo. Ferreira do Amaral e Pina Moura são uns meninos à beira da Maria Luís. O mercado de transferências do bloco central já não é o que era. Mas bata lá mais um bocadinho. E sim, pode ser com paninhos quentes:

Eu acho que se saísse de deputada primeiro, mais tarde aceitasse, a questão ainda se poderia eventualmente tolerar. Agora este tempo funciona de agravante e por isso eu acho que isto foi um enorme tiro no pé. E deixe-me dizer-lhe que eu acho que isto tem consequências: é uma machadada na credibilidade dos políticos. Segundo: tem consequências para o PSD, porque Maria Luís, aos olhos do povo, era uma espécie de nº2 de Passos Coelho. Podia não ser do ponto de vista formal, agora na prática era, e portanto isto é uma falha no porta-aviões.

Permita-me corrigi-lo: não é uma machadada na credibilidade dos políticos. Só naqueles que não tem vergonha na cara. Como aquele seu amigo, o deputado Passos Coelho. É que ainda para lá andam uns quantos indivíduos honestos. Acredito que possam não integrar o seu círculo de amigos mas eles existem. Nada daquela malta dos Vistos Gold, claro está!

As declarações de Marques Mendes não trazem nada de novo. Já tudo isto foi dito e escrito, ainda que sem esta delicadeza verbal. Mas é sempre refrescante ver um general da São Caetano a colocar os pontos nos i’s e a baralhar o gado ovino. Bem sabemos que poderá haver uma qualquer na manga, até porque nada disto se compara sequer à forma como Marques Mendes apedrejou o governo de Passos Coelho a propósito do embuste da sobretaxa, quando acusou os seus pares de “manipulação eleitoral” e de “mentir aos eleitores” para “sacar votos, mas a verdade é que, para os habituais espectadores do ministério da propaganda, isto acaba por ser uma bela tareia.

Foto surrupiada à posta da Carla Romualdo. Ganda nóia!

Comments

  1. otto solano says:

    É a inveja que fala, pois o homem também queria um tacho destes, mas…….

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  1. […] com o Gomes Ferreira, qual comunista, o Marques Mendes a dar bicadas na Maria Luís (outra vez), o mesmo Marques Mendes que não há muito tempo teve estas declarações absolutamente […]