Carta do Canadá – Um pequeno esclarecimento

Georges Chikoti

Georges Chikoti

Há dias apareceu na televisão um angolano importante, um angolano visivelmente ligado ao regime de Angola, que parecia muito zangado com Portugal e os portugueses. Barafustou contra o facto de haver políticos e outras figuras importantes de Angola que estão a ser investigadas pela justiça portuguesa por se ter verificado que estão metidos em negócios pouco claros com portugueses pouco sérios.  O sujeito não estava contra os suspeitos, estava fulo com a justiça lusa. É uma posição interessante, não há dúvida.

O zangado homem angolano deixou um aviso solene: ou a justiça portuguesa deixa em paz os tais suspeitos, e a imprensa portuguesa deixa de dar notícias sobre o assunto, ou então Angola deixa de comprar o que precisa a Portugal, assim apanhando um grande rombo nas exportações.  Coisa séria. E eu a julgar que Angola deixou de importar em grande quantidade a Portugal porque está a braços com uma crise económico-financeira brava, causada pela queda do preço do petróleo e porque os dirigentes desse país puseram todos os ovos na cesta do petróleo.

Compreendo a exaltação daquele importante angolano, perante esta crise que o seu país atravessa, agravada pelo drama de, nos hospitais de Luanda, morrerem mais de vinte e cinco crianças por dia com malária e febre amarela, em grande parte porque as condições sanitárias da população recuaram muitos anos. O que torna os bairros pobres da cintura da capital, uma bomba-relógio. É de perder a cabeça.

Em todo o caso, ele merecia ser esclarecido pelas autoridades portuguesas mas, tanto quanto tenho verificado, não o foi. E era tão simples. Bastava uma declaração formal: “Fique tranquilo, senhor, os angolanos, mesmo os do jet set, não são por nós tratados de forma diferente dos outros investidores estrangeiros que temos a operar em Portugal. Para nós, são todos estrangeiros e todos iguais. Portanto, ninguém pode furtar-se à lei do país”. Bastava isto, para ficar tudo claro externa e internamente.

Como todos sabemos, pelos jornais de Angola que chegam a Portugal, o regime que governa a antiga colónia tem um carinho especial por Paulo Portas, Miguel Relvas, Passos Coelho e mais uns quantos varões de imaculada reputação. Pelos vistos, estes políticos não têm informado claramente os seus parceiros de Angola. Talvez não seja má ideia puxar-lhes a orelhas para eles se lembrarem que, mesmo em negócios, cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.

Comments

  1. Manuel Santos says:

    Há um ‘dignitário’ angolano (respirem fundo, tenente-general, juiz ou ex-juiz do Supremo Tribunal Militar de Angola, advogado, empresário, professor ou ex-professor assistente de Direito da Faculdade Agostinho Neto… uff!) que FOGE da justiça portuguesa para não responder por uma dívida para com um nosso cidadão a rondar os 2 milhões de euros (chegam para quantos vistos gold?). Se este exemplo fosse denunciado, talvez aquele bando de cleptocratas pensassem (se é que pensam em alguma coisa) duas vezes, antes de nos insultarem. O Estado português está de cócoras perante aquele regime de ‘chikoti’. O Estado português – os partidos portugueses, com a honrosa excepção do BE – prefere imolar um cidadão português a enfrentar e confrontar aquele regime corrupto. Mais tarde ou mais cedo, aquilo vai cair de podre e, infelizmente, vão ser os portugueses que lá trabalham, e já não recebem, que serão os primeiros a pagar os desmandos deles e do Passos, Portas e companhia. Entretanto, vai o português penando, mas honradamente…

    • Manuel Santos says:

      Ah!, é importante acrescentar: o cidadão português não foi atrás do el dorado que o Passos, o Portas e companhia impingiram, porque ele nunca quis fazer negócios com Angola, nem se envolveu em negociatas com angolanos. Limitou-se a outorgar uma procuração a um dos homens-general mais ricos de Angola para que pudesse vender a quota-parte um imóvel que era legítima e legalmente também de sua propriedade…

  2. adeus passos says:

    curioso como a direita portuguesa branqueia tudo o que seja fraude do regime angolano, mas aplaude que um juiz brasileiro publique escutas na rede globo.

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